Android Geek
O maior site de Android em Português

Como interpretar as especificações técnicas quando escolhemos um Smartphone

Mais cedo ou mais tarde, consoante as contingências, todos nós, uns com maior detalhe, outros com menor, fazemos uma prospeção de mercado para procurar um novo smartphone. Tipicamente, estudamos as principais características como a velocidade do processador, a memória RAM, o espaço de armazenamento, a duração da bateria e capacidade, em megapixéis, da câmara. Todavia, analisar estas características de forma isolada é, cada vez mais, uma tarefa inglória. Neste artigo vamos tentar explicar as razões que conduzem a este sentimento.

Como interpretar as especificações técnicas quando escolhemos um Smartphone 1
Smartphone Girl by Shutterstock, Inc.

Tal como temos vindo a referir (ver, por exemplo, Honor 10 – Segredos e Opções Avançadas), os modelos computacionais têm vindo a evoluir. Alterações arquiteturais no hardware originam alterações no desenho dos sistemas operativos, mas alterações arquiteturais nos sistemas operativos ou componentes anexas (p.e., na Huawei, o EMUI), originam que os fabricantes invistam em novos integrados e em novos chips.

Para este sentimento de que analisar as características de forma isolada não é suficiente, a resposta simples é que os dispositivos modernos (e não só os smartphones) são, cada vez mais, a “soma” das suas partes. Constituem blocos de eletrónica rigorosamente otimizados e que dependem de todos os tipos de ajustes de engenharia, programação e técnicas de fabricação para serem o melhor produto possível. Ou seja, para além das características anunciadas que observamos nos abstratos do equipamento, há motivos para que a análise de mercado seja mais difícil de fazer do que se supõe.

Por outro lado, observa-se também uma melhoria gradual e acentuada das especificações dos smartphones a todos os níveis, o que significa que estes dispositivos, como desktops e laptops antes, começam a atingir um patamar em que, até mesmo os aparelhos de mais baixo custo, oferecem um nível desempenho bastante aceitável. Smartphones de baixo custo costumavam ser mais limitados e mais lentos, o que atualmente não sucede. Obviamente, as funcionalidades e o desempenho não são os mesmos, mas podemos afirmar categoricamente que a amplitude que regia as diferenças entre os níveis de entrada e os níveis de topo dos smartphones reduziu significativamente.

CPU e RAM e … Maior clock não é igual a maior Desempenho

É verdade que determinadas características constituem elementos finitos da configuração de um equipamento, mas ninguém nos diz se determinado fabricante consegue tirar melhor partida da memória RAM ou se consegue ajustar melhor o seu sistema aos ciclos de relógio do processador. Portanto, comparar smartphones baseando-nos no CPU ou na RAM é uma tarefa mais complicada do que se esperaria. Por exemplo, a Apple tem uma arquitetura absolutamente proprietária e constrói a partir dos seus próprios desenhos, enquanto a maioria dos flagships Android usam especificações de CPU e RAM sensivelmente idênticas a cada ano que passa. Ou seja, não nos podemos focar exclusivamente neste tipo de especificações para aferir se um smartphone novinho em folha, de qualidade, terá um desempenho realmente diferenciador de outro equipamento que, na prática, tem um custo mais baixo e especificações inferiores.

Como interpretar as especificações técnicas quando escolhemos um Smartphone 2
CPU by ShutterStock Inc.

Muito bem, se as características não são suficientes, temos os benchmarks. Pois bem, os benchmarks podem ajudar, mas até certo ponto. Os benchamarks, mais que a avaliação de funcionalidades para o utilizador, centra-se na avaliação do contributo das componentes (p.e., CPU e GPU). Todavia, nos circuitos integrados do equipamento há muito mais operações que podem influenciar a capacidade de resposta de um dispositivo. A Qualcomm chegou a comparar a compra de um smartphone com base em benchmark de CPU com a escolha de uma viatura em função dos seus pneus. Se ainda assim, os benchmarks são úteis mas não determinantes, existem outros critérios que são importantes contemplar aquando da escolha de um novo equipamento. Atualmente, é importante perceber os novos recursos oferecidos pelo chip, como por exemplo a conectividade LTE, a segurança ou a capacidade de gravar vídeo em resoluções 4K.

Quando os fabricantes afirmam que um chip é 30% mais rápido do que seu antecessor, estão normalmente a indicar que a construção infraestrutural permite aritmeticamente incrementar o desempenho nessa razão. Na prática, tudo depende de como o sistema operativo tira partido desse desempenho acrescido e do que as aplicações conseguem rentabilizar. Portanto, a velocidade da memória incluída no equipamento, a arquitetura do chip do processador (recentemente falámos da adoção do NPU) e até a forma como as aplicações estão escritas têm impacto sobre a capacidade de resposta na interação com o utilizador final. A menos que se esteja a realizar a edição de vídeos em 4K, a executar jogos mais exigentes ou efetuar procedimentos “inteligentes” recorrendo a inteligência artificial, os benefícios de velocidade acrescida podem não ser percetíveis.

Mais memória RAM permite que o equipamento execute mais instruções em simultâneo, sejam elas de aplicações, de ficheiros ou de renderizações em segundo plano, mas novamente um smartphone com mais RAM não funcionará necessariamente mais rápido do que outros por esse motivo.

Por exemplo, o OnePlus 5T tem uns impressionantes 8 GB de RAM, que comparam com 4 GB no Google Pixel 2 e 3 GB no iPhone X, todavia a Apple consegue atingir um desempenho de topo graças à eficiência de sua gestão de memória. E cá está o que referimos antes, a importância do que o fabricante introduz na sua solução.

Como interpretar as especificações técnicas quando escolhemos um Smartphone 3
RAM by ShutterStock Inc.

Do ponto de vista prático, partilhamos uma experiência recente com dois equipamentos de 4 GB. Os smartphones foram, para além do sistema base, exatamente utilizados com as mesmas aplicações em plena execução. E o que apurámos foi um indicador relativamente simples que o próprio sistema disponibiliza ao utilizador. Num equipamento, a utilização média de memória RAM cifrava-se nos 75%, enquanto no outro equipamento era de 57%. Estamos a falar de uma experiencia que tinha em consideração as mesmas aplicações e o mesmo volume de dados.

Há ainda outro fator a considerar, que é o facto de as aplicações Android serem compiladas para serem executadas em diferentes tipos de dispositivos e configurações, enquanto, por exemplo, as aplicações para iOS sabem exatamente com que hardware vão lidar. E, evitar uma camada de abstração contribui decisivamente para um processo de execução mais simplificado e menos operações em termos de RAM. Resumindo, mais uma característica que não pode ser analisada de forma isolada.

 

Câmara - Mais MegaPixeis não faz uma melhor câmara

Se, em determinado momento da década passada, fomos transformando o telemóvel, o Personal Data Assistant (PDA) e o nosso relógio de pulso, numa primeira geração de smartphone, nos últimos anos temos observado à acoplação de mais funcionalidades “smart”. Portanto, nas gerações recentes, não há smartphone sem câmara fotográfica. Em alguns casos, camaras e software absolutamente impressionantes.

O mais interessante é que esta acoplagem trouxe para a ribalta dos smartphones fabricantes como a Samsung, a LG, a Sony ou mesmo os principais fabricantes de lentes.

Como interpretar as especificações técnicas quando escolhemos um Smartphone 4
Smartphone Camera by ShutterStock Inc.

E curiosamente, as especificações da câmara foram das primeiras a se tornarem mais difíceis de analisar. Isto porque os fabricantes de smartphones deixaram de investir no incremento em megapixéis para otimizar as suas lentes com outras funcionalidades. As especificações e detalhes da câmara, como o tamanho da abertura, ainda são importantes, mas não são suficientes para avaliar da qualidade das fotos que vamos registar.

Por exemplo, no chip do Visual Core que acompanha o Google Pixel 2 e que está especialmente projetado e equipado com facilidades de inteligência artificial (AI), podemos observar processamento de HDR e outros tipos de manipulação de imagens para resultar em fotos impressionantes. Por outras palavras, mesmo com menos dados recebidos da lente, o dispositivo pode dar origem a imagens de alta qualidade, fazendo com que os 12 MP da câmara se equiparem a mais MP’s noutro equipamento.

Demos este exemplo, mas não é apenas a Google, pois cada fabricante de está configurando a sua própria combinação de otimizações no hardware e no software para proporcionar ao utilizador as melhores imagens possíveis. Adicionalmente, apesar das especificações básicas da câmara serem importantes, duas lentes costumam permitir truques mais impressionantes do que apenas uma. No fim, avaliar sobre a aparência de uma foto pode parecer uma tarefa subjetiva. E o futuro promete mais!

Um bom teste da câmara do smartphone são as imagens de amostra que o acompanham. E portanto, as alternativas podem passar por ir ao sítio de revisão de tecnologia favorito ou, por exemplo, ao Flickr Camera Finder, para analisar as fotos dos equipamentos que está equacionar e, no limite, compare com o iPhone X ou o Google Pixel 2. É importante sublinhar que, é nos casos de limite (pouca luz ou movimento rápido) que as câmaras provam o seu valor, já que a significativa maioria dos atuais equipamentos, para não dizer a totalidade, consegue tirar fotos perfeitamente aceitáveis com luz ou sem movimento.

Bateria - Mais mAh podem não se traduzir em mais autonomia

Bastante simples é a tarefa de perceber a capacidade da bateria de um smartphone. É medida em mAh (miliamperes por hora), valor que representa um indicador da quantidade de carga que o equipamento pode suportar. Mas, na quase totalidade das situações, o manual do utilizador do equipamento centra-se na duração da bateria e não na capacidade da bateria. E por um bom motivo.

Recorrendo ao mercado podemos explicar tal opção. O Samsung Galaxy S8 vem com uma bateria de 3.000mAh e o iPhone X com uma bateria de 2.716mAh. Poderia presumir-se que o equipamento Samsung deveria ter mais duração. Mas tal não é verdade, pois embora com uma maior capacidade da bateria, existem outros fatores que influenciam o desempenho da bateria. Por exemplo, como referimos anteriormente, as customizações que os fabricantes introduzem sobre o sistema operativo e a quantidade de operações que induzem para concretizar uma mesma funcionalidade.

Como interpretar as especificações técnicas quando escolhemos um Smartphone 5
Battery by ShutterStock Inc.

Estas operações variam desde as simples iterações que cada um nós realiza até ao tamanho e brilho do ecrã. E é importante sublinhar que o ecrã é o principal consumidor de energia e, portanto, um dos principais fatores para o consumo acelerado dos mAh’s disponíveis. Mais, estes fatores são os mais difíceis de medir pois o próprio fabricante tenta introduzir otimizações no consumo de energia a partir da própria construção dos integrados.

Um dos mais recentes exemplos de mercado diz respeito ao Galaxy S9. A marca afirmou que o modelo vinha com a mesma capacidade de bateria do seu antecessor, mas, em termos médios, não se verificou a mesma duração. E o motivo é simples: as novas funcionalidades disponíveis e a utilização dos equipamentos.

Potência e eficiência da CPU, o número de sensores e até mesmo a configuração de áudio, tudo pode afetar a duração da bateria. Em consequência, a classificação mAh para indicar a capacidade da bateria do equipamento dá uma ordem de grandeza da quantidade de carga que pode ser usada, mas não precisa, em caso algum, a efetiva duração da bateria.

Aspectos a ter em conta na escolha de um novo Smartphone

Depois de criar toda esta confusão, quais as mensagens a transmitir:

  • Não se assuste com este discurso, muito menos entre em “paranoia”. Apesar de facilmente comprováveis os pontos detalhados, não existe uma “fórmula mágica” para, de forma determinística, afirmar que determinado equipamento vai ter melhor desempenho do que outro com características similares;
  • Não fique surpreendido se o equipamento do seu amigo que, tendo especificações tendencialmente inferiores ao seu, desempenha melhor. Cada vez mais, esta realidade poderá conviver no nosso dia-a-dia;
  • Tenha sempre em mente que, as aplicações e configurações que usa e as funcionalidades típicas de que tira partido, são importantes métricas a considerar. O fator utilização tem um peso significativo no resultado final. Na verdade, já ninguém compra um telemóvel. E tirar partido de um smartphone é um exercício quase tão singular como dependente da opção de cada um de nós;
  • Apesar destes alertas, vale sempre a pena verificar as especificações do equipamento a adquirir. É sempre uma oportunidade de verificar as mais recentes tendências do mercado. Importante é usar essas especificações como uma orientação e não como uma decisão pré-formatada sobre a qualidade e o desempenho do dispositivo. Atualmente, memorize termos como zoom ótico, dupla ou tripla câmara, carregamento sem fio, peso do equipamento ou outras buzzwords que possam representar novas funcionalidades nos dispositivos. Dar demasiado valor às especificações base é que não parece boa opção.
  • Os fabricantes conseguem pequenas maravilhas com especificações de comuns, ou por vezes, abandonar a produção de um modelo com especificações que parecem fantásticas no papel. Portanto, o melhor é mesmo ler o máximo possível antes de fazer uma compra. Use as fontes de informação que mais confia. No AndroidGeek apostamos sempre o nosso melhor para vos ajudar. E compare. É sempre importante usar comparações detalhadas das especificações.

Em breve, vamos falar do que os utilizadores estão a utilizar. Ainda assim, estas tendências não são sinonimo de melhor escolha ou garantia de sucesso. Mas parece-nos importante partilhar convosco.

Nunca se esqueça, independentemente das especificações do equipamento, nós, os utilizadores, fazemos sempre parte deste ecossistema denominado desempenho.

Portanto, escolha com a sua razão, mas também com o seu coração.

Até breve…

 

 

 

Partilhem com os vossos amigos e ajudem este projecto em Português.

Obrigado pela visita!

Este Website usa cookies para providenciar uma melhor experiência. Pode recusar se desejar. Aceitar Saber Mais

Partilhem com os vossos amigos e ajudem este projecto em Português.

Obrigado pela visita!
close-link