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Análise Blackberry KEY2 o passado e o futuro num terminal único

um smartphone do presente com aroma do passado

Lentamente temos assistido ao re-erguer de um gigante do universo mobile. Aos poucos a Blackberry vai a chegar aos utilizadores através do sistema operativo Android mas sem nunca esquecer a sua identidade, que assenta em três grandes pilares

Lentamente temos assistido ao re-erguer de um gigante do universo mobile. Aos poucos a Blackberry vai a chegar aos utilizadores através do sistema operativo Android mas sem nunca esquecer a sua identidade, que assenta em três grandes pilares: durabilidade, teclado físico e segurança. Na folha de especificações há upgrades no processador, RAM e no sistema de câmaras em relação ao modelo do ano passado. Será este o aparelho que vai colocar de novo a Blackberry junto aos tubarões do mundo mobile? Vamos descobrir…

Design e Ecrã

Nos dias que correm o design do KEY2 é no mínimo… diferente. O seu formato rectangular, com a traseira em borracha, fogem ao “reinado” actual do vidro de cantos arredondados e isso não é necessariamente mau. Aliás, para muitos será uma lufada de ar fresco. A envolver o telefone há uma moldura em metal que, em conjunto com a textura de borracha na traseira, confere robustez e ergonomia ao aparelho. Claro que o principal factor diferenciador no design deste KEY2 é o teclado físico, que assenta logo abaixo do ecrã. O Blackberry KEY2 está disponível em duas cores: Prateado e Preto.

A vantagem de ter um painel com o rácio 3:2 é que facilita a leitura de documentos e emails mas…

Na habitual ronda à volta do aparelho, em baixo encontramos um microfone, uma coluna e a entrada micro-USB tipo-C. Em cima está a entrada para fones 3.5” e outro microfone. Os botões de power e volume foram colocados do lado direito, enquanto que à esquerda apenas se encontra o tabuleiro para um SIM e um cartão micro-SD. Por baixo do botão power temos um terceiro botão ao qual a Blackberry decidiu chamar Tecla de Conveniência. Trata-se de um botão multifuncional de atalhos que podem ser personalizados conforme o contexto. Todos as teclas físicas são de excelente qualidade e apresentam óptimo feedback. A navegação pelos menus do Android é feita através de três botões capacitivos, retro-iluminados, localizados entre o teclado e o ecrã.

O ecrã também é tudo menos convencional. À semelhança do que aconteceu com o modelo anterior, o KeyOne, a Blackberry voltou a apostar num ecrã de 4,5” com formato 3:2 para o modelo deste ano. A resolução é de 1080 x 1620 px, que se traduz numa densidade de 434 ppp e a moldura à sua volta (bezels) está longe de ser pequena. A tecnologia Gorilla Glass 3, embora não seja a mais recente, confere alguma proteção extra ao ecrã a troco de um custo mais baixo. A vantagem de ter um painel com o rácio 3:2 é que facilita a leitura de documentos e emails mas, por outro lado, torna-se pouco compatível com o consumo de multimédia. A visualização de um vídeo num formato mais convencional em 16:9 no youtube, por exemplo, torna-se numa experiência pouco agradável devido as barras pretas que são acrescentadas em cima e em baixo. Além disso, este formato apresenta problemas com algumas aplicações como o Instagram ou o Snapchat, onde as suas “Histórias” ficam cortadas.

 

Formatos à parte, o ecrã do KEY2 apresenta uma imagem precisa e com reprodução de cores aceitável, embora com tendência para o lado das cores frias. Os brancos apresentam um tom ligeiramente azulado, no entanto isso pode ser alterado através de um menu escondido nas opções de programador que permite ajustar a temperatura de cor. O brilho deste painel está dentro dos parâmetros normais de um bom smartphone. O valor mínimo é ideal para locais escuros e, por outro lado, no seu valor máximo permite a utilização do aparelho diretamente sob a luz solar. Curiosamente para atingir o brilho máximo teremos que desactivar o modo automático.

Hardware e Performance

Especificações Técnicas

SoC
CPU: Qualcomm Snapdragon 660 Octa-core (4×2.2 GHz Kryo 260 & 4×1.8 GHz Kryo 260)

GPU: Adreno 512

Sistema Operativo
Android 8.1 (Oreo)
Ecrã
4.5” IPS LCD 1080 x 1620 pixels (434 ppp)
Armazenamento
64/128 GB, expansível até 256 GB via micro-SD
Memória RAM
6 GB
Câmara traseira
12 MP, f/1.8, dual pixel PDAF, flash LED

12 MP, f/2.6, PDAF

Câmara frontal
8 MP, f/2.0
Bateria
3500 mAh, não removível
Dimensões
151.4 x 71.8 x 8.5 mm
Peso
168 g
Redes
GSM / HSPA / LTE
Conectividade
Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, dual-band, WiFi Direct, hotspot

Bluetooth v5.0

A-GPS, GLONASS, BDS2

Rádio FM

microUSB v3.0 Type-C, USB On-The-Go

 

Com o Blackberry KEY2 a empresa canadense decidiu manter a aposta num SoC da Qualcomm, desta vez o Snapdragon 660. Este processador vem com oito núcleos e a sua performance é bastante sólida em geral, representando um upgrade significativo em relação ao Snapdragon 625 do KeyOne. De resto este chip tem sido um dos mais populares do ano em aparelhos de gama média-alta estando presente em equipamentos como o Nokia 7 Plus ou o Xiaomi Mi A2.

Claro que o principal factor diferenciador no design deste KEY2 é o teclado físico, que assenta logo abaixo do ecrã.

Na utilização diária não tive quaisquer problemas a navegar pelo interface e a usar aplicações pesadas como o Facebook ou o Instagram. A GPU Adreno 512 faz com que tanto jogos 2D como títulos mais exigentes (War Robots ou Shadow Fight 3) corram sem qualquer problema, o que nos parece um desperdício de recursos visto o formato do ecrã não ser o mais indicado para boa jogabilidade. Apenas jogos que corram em orientação retrato se tornam agradáveis de jogar. O multitasking do Blackberry KEY2 é francamente bom devido à quantidade de memória RAM que duplicou em relação ao modelo anterior. Temos à disposição 6 GB de RAM para alternar entre aplicações à vontade sem que o sistema as encerre por falta de memória.

Nos habituais testes de benchmark o Blackberry KEY2 marcou 141464 pontos no Antutu, 1626 pontos no Geekbench single-core e 5855 no multi-core da mesma aplicação. Todos estes testes estão em linha com o esperado de um aparelho com este SoC, que embora longe dos topos de gama, oferece uma boa performance em todos os aspectos.

Como já referimos, a principal característica deste smartphone, aquilo que o distingue verdadeiramente dos restantes, é o teclado físico. Estamos a falar de um teclado qwerty com teclas de formato quadrado com cerca de 0.5 cm de lado e com relevo. A escrita através deste teclado consegue ser bastante agradável mas não logo de início.

Para a maioria dos utilizadores será necessário passar por uma curva de aprendizagem de alguns dias até conseguirem escrever longos textos sem interrupções nem “ataques” de frustração. Depois da minha fase de adaptação confesso que há alguma satisfação em ouvir o clique das teclas, embora continue a preferir um teclado virtual que acaba por permitir escrita mais célere.

Cada uma das letras do teclado permite configurar 2 atalhos (conforme pressão longa ou curta na tecla) e por isso temos à disposição 52 atalhos. Isto é possível pois a Blackberry incluiu uma Tecla de Atalho Universal que, quando premida em conjunto com uma letra, activa um dos dois atalhos que definimos. Há também a possibilidade de escrever deslizando com o dedo pelo teclado (ao estilo swipe) mas a taxa de sucesso diminui drasticamente ao usar esse método.

Software e Interface

O Blackberry KEY2 corre Android 8.1 Oreo de fábrica. No espaço de 3 semanas já recebeu duas actualizações de software com algumas correcções de bugs e patch de segurança do Android, deixando assim excelentes indicações quanto às intenções da empresa em actualizar o aparelho.

De um modo geral, o aspecto da interface do KEY2 é muito semelhante ao Android puro mas com algumas nuances que adicionam um pouco de “sal e pimenta” à experiência. Por exemplo, no ambiente de trabalho alguns ícones têm três pontos por baixo. Isto significa que podemos aceder aos widgets dessas aplicações através de um simples deslizar para cima no ícone, sem que este ocupe espaço no ecrã. Outra adição de valor ao IU do smartphone é a dock que está presente no ecrã inicial, do lado direito.

Este menu está escondido por defeito mas pode ser aberto em qualquer página do ecrã inicial, deslizando-o para a esquerda. Contém atalhos para contactos, tarefas, agenda e widgets. Também o ecrã de aplicações recentes é personalizado e usa um esquema mais intuitivo. Pode no entanto ser alterado para a configuração por defeito do Android.

Além de adicionar algumas coisas ao interface, a Blackberry também inclui várias das suas aplicações no KEY2. A DTEK é uma aplicação de gestão de segurança que, entre outras coisas, verifica as permissões que as outras aplicações usam sugerindo até acções para manter o telefone seguro. O Hub concentra em si todas as notificações recebidas (de qualquer aplicação!), mesmo depois de as termos dispensado. O Redactor permite cobrir informação sensível no ecrã com barras pretas, para depois ser possível tirar e enviar screenshots com esses dados protegidos. A função do Privacy Shade é semelhante mas através de um método diferente – deixa à mostra apenas uma parte do ecrã (escurecendo o resto) de modo a evitar os olhares mais curiosos.

Câmara

O Blackberry KEY2 vem com uma configuração de dupla câmara traseira, o que representa um upgrade em relação ao KeyOne. O modelo deste ano conta com dois sensores de 12 MP: um com abertura f/1.8 e outro abertura f/2.6 e capacidade de zoom óptico x2. Na prática a câmara traseira tira boas fotos em ambientes bem iluminados mas as cores têm tendência a ficar um pouco saturadas. Claro que não obtemos fotos com a qualidade de um Samsung Galaxy S9 ou de um Huawei P20 Pro, mas em geral as imagens são precisas e de boa qualidade. O modo HDR Auto é uma mais valia e, quando não é usado, a amplitude dinâmica das fotos deixa a desejar.

Em ambientes com pouca luz os resultados não impressionam. Com frequência as imagens ficam desfocadas e o ruído torna-se evidente degradando substancialmente a qualidade. Como não podia deixar de ser, este smartphone inclui um modo retrato (ou bokeh) para produzir aquele efeito de fundo desfocado que já todos conhecemos. O problema é que este modo não funciona muito bem no KEY2. Frequentemente o software tem dificuldade em determinar os contornos do objecto/sujeito e acaba por desfocar partes que não devia.

A gravação de vídeo pode ir até um máximo de 4K mas carece de estabilização de qualquer tipo (óptica ou electrónica). Há ainda um modo de gravação em câmara lenta. A câmara frontal tem um sensor de 8 MP sem autofoco e produz resultados abaixo da média. Foi rara a ocasião em que o software acertou nos parâmetros a aplicar e o resultado foram imagens ora demasiado escuras, ora demasiado claras e com demasiado contraste. Para quem gosta de tirar selfies com qualidade claramente o Blackberry KEY2 não será o aparelho ideal. O interface é simples mas pouco intuitivo. Por exemplo, não existe um botão dedicado ao modo manual. Para o activar temos que aceder às definições da câmara.

Bateria

É na autonomia que o Blackberry KEY2 verdadeiramente brilha. A sua bateria com 3500 mAh tem capacidade acima da média do mercado actual. Esta capacidade aliada ao ecrã Full HD de 4.5”, ao processador altamente eficiente e ao interface muito próximo de Android puro conferem ao smartphone uma autonomia invejável. O fabricante incluiu ainda um modo de carregamento que optimiza o tempo de carga, minimizando a utilização de energia do telefone quando está ligado à corrente. Em repouso, com o ecrã desligado o consumo de bateria é mínimo.

Com uma utilização intensiva à base de chats, mails, consultas nas redes sociais e no browser, meia dúzia de fotos e 1h de jogos a bateria do Blackberry KEY2 dura para dois dias de trabalho. O tempo de ecrã ligado atingiu com regularidade mais de 5h, que é excelente! O KEY2 vem com suporte para o carregamento rápido da Qualcomm (Quick Charge 3.0) e assim uma carga completa dos 0% aos 100% demora menos de 2h.

Preço e Conclusão

O KEY2 ainda não está disponível para compra nas lojas propriamente ditas em Portugal. Porém, encontra-se disponível para compra através do e-commerce da BlackBerry. O preço, a partir dos 649€, parece-nos claramente inflacionado tendo em conta a concorrência actual. Por cerca de menos 400€ consegue-se encontrar um Xiaomi Mi A2 ou um Asus Zenfone 4, ambos com hardware e performance semelhante. O Nokia 7 Plus, por pouco mais de 300€, na minha opinião apresenta-se como o concorrente mais sério do KEY2.

O Blackberry KEY2 melhorou em quase todos os aspectos relativamente ao seu antecessor e isso demonstra a grande vontade daquela que outrora foi uma das líderes do mercado, em querer renascer das cinzas. No entanto, não basta fazer melhor que no ano anterior e há ainda muito para melhorar. Se por um lado a qualidade de construção, as aplicações de segurança e a excelente autonomia fascinam, o tamanho do ecrã e a câmara deixam a desejar. Por isso fica um sabor agridoce depois de analisar este aparelho. O facto de haver um teclado físico faz com que este smartphone não seja para todos. Será ideal para fãs incondicionais deste tipo de teclados ou para quem quem “desenjoar” de iPhones e Androids convencionais.

Pros:

  • Excelente autonomia com uma bateria de 3500 mAh
  • Performance sólida
  • Boa qualidade de construção

Contras:

  • Câmara com resultados inconsistentes
  • Ecrã demasiado pequeno para consumo multimédia
  • Proporção 3:2 do ecrã incompatível com algumas aplicações
  • Preço inflacionado

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