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Huawei sem aplicações do Google? 5 cenários possíveis

EUA ou o mundo inteiro? A primeira coisa que temos que esperar para saber é se essa decisão dos Estados Unidos afeta os negócios do Google com a Huawei a nível local ou global.

Há algumas horas, soubemos que a Huawei havia sido incluída pelos Estados Unidos numa lista de empresas com as quais as empresas americanas não podiam fazer negócios sem a aprovação do governo.

Isso, de facto, deixa a Huawei sem a capacidade de usar as aplicações e serviços do Google da empresa Mountain View, embora possamsim, continuar com o Android AOSP por ser um programa de código aberto e não estar incluído na proibição que Donald Trump assinou esta semana.

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EUA ou o mundo inteiro?

A primeira coisa que temos que esperar para saber é se essa decisão dos Estados Unidos afeta os negócios do Google com a Huawei a nível local ou global.

No primeiro caso, o impacto da medida seria mínimo, já que a Huawei praticamente não vende smartphones nos EUA e o governo já bloqueou a entrada da Huawei nos mercados das operadoras móveis há alguns meses.

O problema para a Huawei (e para nós consumidores) só se confirmaria no segundo caso, embora o governo Americano tenha um desafio em explicar como a Huawei vender Smartphones em Portugal ou no Vietname poderia põr em causa a segurança dos EUA.

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Huawei logo on the glass against blurred business center. Editorial 3D

No entanto, dada a diferença de importância, vamos imaginar que acontece mesmo o segundo caso. O que a Huawei poderia fazer?

A Huawei poderia colaborar com a Microsoft ou a Amazon?

Uma das primeiras opções que a Huawei poderia considerar é a colaboração com outras empresas que possuem um poderoso ecossistema de aplicações Android.

 

 

Dois dos mais relevantes são Amazon e Microsoft mas nenhum poderia licenciar suas aplicações ou serviços pela mesma razão que o Google: são americanos e eles estão sob a alçada do governo Trump.

A Samsung poderia ceder a sua loja de aplicações?

Uma opção para a Huawei é que outra empresa, com um ecossistema de aplicações e serviços, licenciasse os produtos. Ironicamente, o único que poderia fazer isso é a Samsung, a maior rival da empresa chinesa dentro do Android.

A Samsung pode permitir que a Huawei use as aplicações Galaxy como o navegador,  assim como outras apps e especialmente a sua loja de aplicações. Isso pode parecer contraditório, mas a Samsung garantia assim uma grande fonte de rendimento, assim como vende ecrãs, processadores e memórias.

A Huawei pode criar o seu próprio Android

Ser um dos maiores fabricantes de smartphones do mundo fez com que a Huawei ponderasse muito o seu futuro, se a um dado momento não pudesse usar os serviços do Google.

Isso é algo que já sabíamos e que havia sido confirmado pelos seus executivos. Na verdade, sabe-se que existe uma variante do Android, com o nome de KirinOS, que usa o núcleo do sistema, a interface EMUI e muitos serviços e aplicações da marca.

 

 

O problema é que os programadores ocidentais ainda não optaram por esta loja, algo que a Huawei vem a trabalhar há algum tempo.

Instalar GApps não oficialmente

Tenho a certeza que muitos de vocês sabem que quando alguém formata o seu smartphone para colocar uma Custom ROM devem colocar as GApps (Google Apps) quase manualmente.

Isso também pode vir a ser uma solução para a Huawei, fazer seus smartphones sem aplicações do Google, mas incluir no processo de configuração uma maneira de as instalar.

O problema é que, se o Google não puder fornecê-los por motivos legais, é possível que também seja obrigado a impedir que essas aplicações funcionem nos smartphones da marca chinesa.

Sem patches de segurança mensais

Outro cenário que a Huawei enfrentaria é a falta de patches mensais de segurança lançados pelo Google para tornar o seu sistema mais confiável.

Os EUA não podem banir completamente a Huawei porque precisam da sua tecnologia

Na semana passada, o Departamento de Comércio dos EUA colocou a Huawei e 68 das suas afiliadas na Lista "negra" de Entidade do Gabinete de Indústria e Segurança (BIS).

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Huawei logo on the glass against blurred business center. Editorial 3D

Isso significa que as empresas dos EUA não poderiam vender tecnologia à Huawei sem ter uma licença do BIS. Mas o Departamento de Comércio deu um passo atrás, como informa a Reuters.

Afinal, o acesso à internet em algumas áreas pouco povoadas dos EUA depende dos equipamentos de rede da Huawei adquiridos no passado. Segundo o ex-funcionário do Departamento de Comércio, Ken Wolf, "o objetivo é evitar danos colaterais em entidades não-Huawei que usam os seus equipamentos".

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Por exemplo, há áreas de Wyoming e Oregon Oriental servidas por operadores de serviços de internet e operadoras de tecnologia móvel com redes que usam equipamentos de rede da Huawei.
A Huawei é a líder global no fornecimento de tais equipamentos e a sua colocação na lista de Entidades do BIS pode impedir a Huawei de assegurar uma rede nos EUA construída á volta dos seus produtos. Um porta-voz do Departamento de Comércio afirma que está a considerar conceder à Huawei uma licença geral temporária para "impedir a interrupção de operações em equipamentos de rede existentes". Sem essa licença temporária, alguns mercados rurais poderiam perder o serviço móvel de Internet sem fio.
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O presidente da Bundesnetzagentur, agência reguladora de telecomunicações da Alemanha em entrevista ao Financial Times, afirmou que nenhum fornecedor de equipamentos, onde se incluem a Huawei, “deve ou poderá ser especificamente excluído”, já que ainda não encontrou nenhuma evidência para substânciar as alegações dos EUA que afirma que a empresa de telecomunicações chinesa representa uma grande ameaça à segurança. Ele afirmou ainda que a Huawei receberá contratos se cumprir os requisitos gerais de segurança impostos pelo regulador.

A licença temporária de 90 dias permitiria à Huawei comprar tecnologia dos EUA para manter os equipamentos e redes existentes nos estados em operação. No entanto, isso não permitiria que a empresa comprasse peças americanas para construir novos produtos. E para aqueles que querem saber o que a Huawei gasta nos EUA, no ano passado a empresa gastou US $ 11 mil milhões a comprar peças americanas de empresas como a Qualcomm, Intel e Micron Technology Inc.

Isso significa que dos US $ 70 mil milhões que a Huawei gastou em componentes no ano passado 15,7% foram gastos em componentes de origem norte-americana.

Os EUA consideram a Huawei uma ameaça à segurança nacional, já que o governo chinês pode alegadamente recorrer à empresa para recolher informações contra consumidores e corporações. Durante anos, houve rumores de que os produtos da Huawei contêm um backdoor para permitir tal espionagem, que a empresa negou. E que nunca foi provado de nenhuma forma.

A dimensão e importância que a Huawei e a China têm nos negócios Globais devem ser o suficiente para que se encontre aqui uma solução que não prejudique a indústria e mlihões de consumidores em todo o mundo.

Por fim, queria chamar-vos à atenção para a ironia da situação, o governo de Trump para alegadamente defender a LIBERDADE decide PROIBIR que duas empresas privadas façam negócios entre si. A política está podre.

 

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