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Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa

Após a apresentação dos Huawei P10 , P10 Plus e Huawei Watch 2 tivemos a oportunidade de falar com o Arne Herkelmann, Head of Handset Portfolio & Planning para a Europa da Huawei.

Após o evento de apresentação, Arne Herkelmann,reuniu-se com alguns jornalistas, onde o AndroidGeek esteve presente, para discutir os seus novos dispositivos, o tema da conversa focou-se nos novos dispositivos, assim como as parcerias que a empresa tem estado a fazer.

 

P*: O que nos pode dizer sobre o processo de idealizar e conceber um equipamento como o P10?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 1 O P10 assim como toda a série P tem especial enfoque no Design, aspecto e toque do equipamento, a performance da câmara também é um dos aspectos a que prestamos mais atenção, assim como todas as funcionalidades associadas à captura de imagem. Celebrámos a parceria com a Pantone para termos as cores mais trendy este ano. Relativamente às câmaras, após estudarmos o comportamento dos consumidores , constatámos que 70% das imagens capturadas com smartphones são retratos de pessoas. O que pretendemos disponibilizar com o P10 é garantir que os nossos clientes podem andar com um estúdio de fotografia no seu bolso. O produto está concebido de forma a que os utilizadores não tenham que mexer em configurações excessivas, o objectivo é que seja tão fácil como apontar e tirar a foto. A série Mate é mais focada no mercado empresarial e na performance do equipamento.

P*: Na apresentação do P10 que ocorreu há momentos, referiram que era um desafio conceber um dispositivo que seja melhor que o P9, principalmente no que à fotografia diz respeito. Qual foi o percurso criativo necessário até chegar ao produto final?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 2 O principal é ir sempre ao encontro do que as pessoas realmente querem, estamos a trabalhar na Europa com equipas que elaboram estudos baseados em entrevistas e questionários aos utilizadores de smartphones, no sentido de perceber o que as pessoas querem no seu próximo dispositivo móvel. Quais são as suas expectativas relativamente à câmara de um smartphone, quais as expectativas relativamente á autonomia dos equipamentos. Por outro lado existem desafios técnicos que temos que enfrentar no desenvolvimento dos terminais. Precisamos obter certificações, precisamos garantir que os equipamentos funcionam em determinadas frequências, temos ainda que lidar com a questão de fornecedores de componentes, felizmente temos os nossos próprios chipsets. Com o Kirin 960 no P10 temos mais flexibilidade para integrar o software e hardware de forma a que trabalhem de forma mais eficaz. Existem apenas três empresas neste momento que produzem os seus próprios chipsets, e apenas duas delas trabalham com Android. Estas áreas são as que temos que acautelar no processo de desenvolvimento de um novo produto. Quais os componentes ou software que temos que desenvolver para responder às expectativas dos nossos clientes e qual a melhor forma de integrar estes componentes. Não faz sentido construir um equipamento com determinadas características só porque conseguimos. é necessário que os produtos consigam ir ao encontro daquilo que os clientes querem.

P*: Por vezes quando olhamos para os novos equipamentos fica a sensação que as marcas se sentem obrigadas a lançar novos produtos anualmente quer tenham novidades a apresentar ou não. Concorda?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 3A série P tem sofrido uma evolução tremenda, se olharmos para o P6 que foi lançado há apenas quatro anos e o compararmos com o P10 ou mesmo com o P8 ou P9 vemos que existe uma galáxia entre eles. Se pegramos no P9 e no P10 e os pusermos lado a lado a diferença é evidente, a sensação ao toque a ergonomia, são produtos claramente distintos.

P*: Ainda não tivemos a oportunidade de os comparar, pode dizer-nos as diferenças mais imediatas entre o P9 e o P10?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 4Basta pegar no P9 e no P10 e sente-se imediatamente a diferença, são totalmente diferentes, mudamos a ergonomia e eliminamos as arestas que foi um processo difícil, mas que permitiu conceber um equipamento com um toque orgânico. Os smartphones hoje em dia são o produto de tecnologia mais usado no mundo, é primordial que seja confortável, é importante que seja agradável tê-lo na mão. É isto que tentamos alcançar com o P10.

P*: Disse-nos há pouco que as decisões sobre as alterações e funcionalidades dos novos equipamentos são feitas com base nas necessidades e feedback dos clientes, o sensor biométrico na traseira era algo que era imagem de marca dos equipamentos Huawei Premium, a decisão de o colocar na parte frontal do P10 foi resultado destes estudos?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 5 O primeiro equipamento que lançámos com sensor biométrico na parte frontal foi o Mate 9 Porsche Design, um equipamento com um ecrã curvo muito bonito, a razão de colocar o sensor na parte frontal foi no sentido de acompanhar o Design do equipamento. No P10 temos um Design orgânico minimalista, o sensor na traseira prejudicava a visão que tínhamos do Design do P10. Encontrámos agora a oportunidade de trazer o sensor para a parte frontal e que esteja integrado no vidro do equipamento, sem linhas que quebrem o Design.É um sensor muito robusto e muito rápido, como seria de esperar dos nossos equipamentos, temos muito boa reputação no que aos sensores biométricos diz respeito. O sensor do P10 é ainda mais rápido do que o P9. N usabilidade há sempre prós e contras, por exemplo gosto de ler as noticias no meu smartphone quando tomo o pequeno almoço, o equipamento está pousado na mesa e agora não tenho que lhe pegar para o desbloquear. Há sempre vantagens e desvantagens em ambas as opções.

P*: Há pouco mencionou as vantagens da Huawei ter os seus próprios chipsets, neste momento estamos a ver a Sony e LG com alguns constrangimentos em usar os mais recentes chipsets da Qualcomm, isso mostra as vantagens de uma marca ter a sua independência. Seguindo esta lógica faria sentido para a Huawei desenvolver o seu próprio sistema operativo móvel?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 6Não. se olharmos para aquilo que temos feito com o Android e com a nossa parceria com a Google vemos que a EMUI, que na sua versão 5 apresentada no Mate 9 teve um excelente feedback por parte da Media e dos consumidores foi excelente, neste momento lançamos a EMUI 5.1 com o P10 e temos ainda mais desenvolvimentos por parte da Huawei, modificámos o sistema original do Android de gestão de ficheiros, optimizamos o algoritmo de machine learning de forma a acelerar o desempenho , limpar memória, tudo isto para garantir que o equipamento se mantém rápido por todo o seu ciclo de vida. Não qualquer motivo para deixarmos de trabalhar com Android.

P*: Como referiu o crescimento e evolução da Huawei desde o P6 até ao P10 foi espectacular, se alguém tivesse estado em coma estes anos todos e lhe precisássemos de explicar o que aconteceu, o que lhe diria?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 7Deixe-me encontrar a palavra certa em inglês.. Dedicação! Existem vários factores para os sucessos que a Huawei tem vindo a conseguir, mas sem dúvida um dos principais é a Dedicação, trabalhámos arduamente para chegar onde estamos agora, nunca descurámos a inovação, temos dos maiores investimentos em RD (Research and Development), só por isso conseguimos fazer o que estamos a fazer. Estamos a passo rápido mas ao mesmo tempo a assegurar a continuidade do crescimento da marca Huawei, fizemos vários investimentos nesse sentido. No ano passado tivemos Henry Cavill e Scarlett Johansson como embaixadores da marca, tivemos a parceria com a Porsche no Porsche Design e com a LEICA , tudo isto para impulsionar a marca para a frente. Para além disto tudo o argumento mais forte que temos é a qualidade dos nossos produtos que está realmente a convencer os consumidores, temos das mais baixas taxas de devolução em alguns canais de venda e fomos premiados por isso. As pessoas valorizam a qualidade, não interessa quanto se está a gastar num smartphone, as pessoas valorizam e apreciam a qualidade dos produtos. Por exemplo o nosso algoritmo de machine learning que vai deixar os equipamentos rápidos durante todo o seu ciclo de vida, é isto que as pessoas querem e valorizam.

P*: A Huawei era conhecida por ter boa qualidade, mas um preço mais baixo que a concorrência, neste momento os preços já se encontram mais equiparados. Acha que isto pode afastar potenciais clientes?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 8Ainda temos uma relação Custo VS Beneficio muito boa, se compararmos não só o preço de compra, mas se avaliarmos funcionalidade a funcionalidade do que é oferecido nos nossos equipamentos vemos que a relação é benéfica para o cliente. Vimos o P9 vender até ao momento cerca de 12 milhões de unidades, isso prova que estamos na direcção certa.

P*: A concorrência directa teve alguns problemas com telefones explosivos e equipamento modulares que não foram bem aceites, estes eventos influenciaram a estratégia ou concepção dos novos produtos?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 7Os problemas que estas empresas sentiram, são coisas normais nesta indústria. Para nós foi uma boa lição e um incentivo a melhorarmos ainda mais o nosso processo de controlo de qualidade, para garantir que os nossos equipamentos são seguros. Por exemplo para lançarmos uma nova bateria demoramos um ano em testes e desenvolvimento. Criámos a nossa própria tecnologia de carregamento rápido que tem 15 portões de segurança no processo de carregamento, para garantir que os utilizadores estão em segurança. Mas não mudámos nada nossa estratégia por causa desses acontecimentos, apenas seguimos o nosso caminho. Temos o feedback dos utilizadores, temos a nossa visão, são esses os pontos que influenciam a nossa estratégia.

P*: Como vê os próximos três anos, que tecnologia podemos esperar num P13?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 3 Eu não tenho uma bola de cristal, o futuro é sempre aberto a novas possibilidades, há certamente coisas novas que irão surgir. O que estas funcionalidades serão exactamente não sabemos ainda. Os telefones vão ficar ainda mais rápidos, vem ai o 5G que já está no horizonte. De momento já temos o 4.5G que permite velocidades de download de 600Mb no smartphone. Os equipamentos serão mais eficientes energeticamente, o tamanho das baterias será um tópico importante no futuro, a câmara será sempre importante, o vídeo está agora em crescimento acelerado, Facebook Live, Youtube Live. O que isto exigirá em termos de tecnologia, teremos que esperar para ver.

P*: Normalmente os utilizadores de Android mantém-se fieis ao sistema operativo, mas na verdade os utilizadores de iOS também são fieis à sua escolha. Acha que no futuro o Android poderá mudar esta tendência e ir buscar alguns dos fãs da maçã?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 11Android já é o líder dos sistemas operativos , há no entanto fãs de ambos os lados da barricada, vemos uma grande fatia de utilizadores Android e iOS a escolherem dispositivos Huawei. Penso que estamos na direcção certa.

P*: O que dizer a um fã de iPhone para que compre um P10?

Entrevista a Arne Herkelmann sobre o Huawei P10 e estratégia futura da gigante chinesa 12 É muito difícil convencer um fã de iPhone, isto porque normalmente também têm um iMac e um iPad , é todo um ecossistema. Mas se olharmos para os equipamentos como equipamentos, temos muito e bons argumentos, um excelente body ratio neste produto, temos uma câmara excelente, existem muitos pormenores que as pessoas podem avaliar quando olham para uma eventual troca de smartphone.

Queremos agradecer à Huawei Portugal pela oportunidade e ao próprio Arne Herkelmann pela simpatia e disponibilidade.

*As perguntas que constam nesta entrevista de grupo foram realizadas por representantes do AndroidGeek,TekSapo e Observador

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