Durante quase dois anos, o Logitech MX Master 3S foi o meu aliado diário. Seja a escrever artigos, a editar fotografias ou a navegar entre dezenas de abas, a ergonomia e os cliques silenciosos fizeram dele o meu rato de eleição. A sua roda MagSpeed, a personalização via Logi Options+ e a autonomia interminável tornaram‑no uma extensão natural da minha mão. É esse contexto que torna a comparação com o MX Master 4 particularmente interessante: até que ponto faz sentido atualizar quando já se tem algo muito bom?

Neste artigo vão encontrar:
Uma primeira impressão surpreendente
Ao abrir a caixa do MX Master 4, a sensação de déjà vu é inevitável. Visualmente, é quase idêntico ao 3S, com a mesma silhueta volumosa e a superfície inclinada que suporta a palma. A Logitech optou por manter aquilo que funcionava, mas no interior há mudanças substanciais: o 4 incorpora háptica personalizável e um chip de conectividade redesenhado. Estas novidades não são meros acréscimos cosméticos; fazem a diferença em uso real.
Feedback háptico: um toque inesperado no desktop
Uma das novidades mais curiosas do MX Master 4 é a inclusão de feedback háptico no apoio do polegar. Algo que normalmente associamos a smartphones e consolas, mas que a Logitech decidiu trazer para o mundo dos periféricos de produtividade.
Através do Logitech Options+, podes personalizar a intensidade da vibração ou desligá-la completamente. Na prática, o rato dá pequenas respostas táteis em momentos-chave: uma vibração subtil quando o emparelhas pela primeira vez, um alerta quando alternas entre dispositivos com o Flow, um aviso quando a bateria começa a ficar fraca, ou até uma confirmação ao alinhar com precisão elementos gráficos em apps como o Photoshop.

O feedback também se estende ao Actions Ring, um menu personalizável que surge ao clicar no painel lateral e que apresenta diferentes atalhos consoante a aplicação. Num navegador como o Chrome, podes usá-lo para capturar rapidamente uma imagem de ecrã; no Photoshop, tens acesso imediato aos controlos de brilho e contraste.
Claro que, à primeira vista, pode parecer uma função supérflua. Mas a verdade é que no perfil médio, por defeito, o efeito é subtil e útil. Não distrai , transmite antes uma sensação de confirmação que dá mais segurança ao utilizar o rato em tarefas exigentes.
A limitação está no suporte de software. Para já, apenas Photoshop, Lightroom e Zoom tiram partido nativo desta integração, com Adobe Premiere Pro a caminho. Ainda assim, o sistema de feedback funciona também a nível global no Windows e no macOS, e a Logitech já confirmou que vai disponibilizar um SDK para que mais programadores possam integrar a funcionalidade no futuro.
Actions Ring e automação no Office
O Actions Ring revelou‑se um aliado poderoso no Office. Antes, no MX Master 3S, já usava gestos e botões programáveis, mas esta sobreposição digital mudou o jogo. No Word, criei atalhos para guardar rapidamente (CTRL+S), inserir cabeçalhos e navegar entre páginas. No Excel, mapeei funções como somar colunas, aplicar filtros e ordenar dados , tarefas que realizo várias vezes por dia. No PowerPoint, configurei o anel para saltar entre slides, duplicar um slide e inserir imagens. Tudo isto sem largar o rato, o que se traduziu em menos quebras de ritmo.

Durante as reuniões no escritório, partilhei a minha experiência com colegas e alguns ficaram admirados ao ver que, com apenas um gesto circular, podia aceder às funções mais usadas. Esta funcionalidade funciona igualmente bem em cafés ou em casa, onde a superfície pode ser menos estável: as acções respondem imediatamente e o feedback háptico confirma cada seleção.
É aqui que se nota a diferença face ao MX Master 3S. Embora o modelo anterior permitisse personalizar botões, o Actions Ring funciona como uma roda contextual versátil, que se adapta a cada programa sem termos de reconfigurar manualmente. Para mim, este foi o maior salto entre gerações: menos cliques, menos fadiga, mais tempo a criar.
Conectividade reconfigurada
Um dos problemas ocasionais do MX Master 3S era o Bluetooth. Em ambientes com muitos dispositivos, podia surgir alguma instabilidade. O MX Master 4 resolve essa questão com um chip de alto desempenho e uma antena otimizada. A Logitech garante que a potência de ligação é duas vezes superior à dos modelos anteriores, e eu notei a diferença.

Nestes primeiros dias, usei o rato em espaços de coworking, cafés e até em viagens, rodeado de smartphones, tablets e auscultadores Bluetooth. Não houve uma única quebra de ligação. Além disso, continua a ser possível alternar entre três dispositivos com o botão Easy‑Switch. Esta funcionalidade é indispensável no meu dia a dia: consigo escrever um artigo no desktop, responder a mensagens no portátil e ajustar fotografias no tablet, sem atrasos ou re‑emparelhamentos. O novo dongle USB‑C garante um emparelhamento rápido e fiável quando não se quer depender de Bluetooth.
Sensor preciso e MagSpeed lendária
O sensor de 8.000 DPI permanece uma característica de destaque. Tal como no 3S, rastreia com precisão em praticamente qualquer superfície, incluindo vidro. Contudo, senti que o MX Master 4 oferece uma estabilidade ligeiramente superior em superfícies menos convencionais, como mesas de restaurantes ou bares ou várias secretárias com superfícies diferentes em hotéis, onde por vezes trabalho em mobilidade. Para quem gosta de personalizar a sensibilidade, os 8.000 DPI permitem configurações de velocidade de cursor para todos os gostos.

A roda MagSpeed continua a ser um dos grandes motivos pelos quais a série MX é tão adorada. Pode rolar até 1.000 linhas por segundo, alternando automaticamente entre rolagem suave (com cliques) e rolagem livre (sem atrito). Isto é particularmente útil quando navegamos documentos extensos ou feeds infinitos; um pequeno toque na roda pode percorrer páginas em segundos, enquanto um movimento mais contido garante precisão milimétrica.
Cliques ainda mais silenciosos
Uma crítica habitual aos ratos de alto desempenho é o barulho dos cliques. A Logitech mitigou esse problema no 3S, e no 4 vai ainda mais longe: os cliques são 90% mais silenciosos em comparação com o MX Master 3. Em reuniões online, em open spaces ou quando trabalho à noite, este silêncio é uma benção. Já tive pessoas a perguntar se estou a usar um rato ou a tocar no trackpad. Para quem passa horas a clicar, o ruído reduzido ajuda a manter um ambiente mais calmo e a minimizar distrações.

Ergonomia: equipa vencedora não se mexe
Aqui a Logitech tomou a decisão acertada: quase não mexeu no design. A carcaça do MX Master sempre foi pensada para encaixar na mão como uma luva. A base larga apoia a palma, o apoio lateral acomoda o polegar e os botões estão posicionados de forma intuitiva. Ao usar o 4, a transição do 3S foi imediata. Não senti quaisquer estranhezas ou necessidade de re‑adaptar a postura.
A ergonomia é, talvez, o maior argumento a favor da série MX em comparação com outras marcas. Existem ratos verticais que prometem reduzir a tensão no pulso, mas poucos conseguem combinar conforto com a precisão e funcionalidade do MX Master. Até hoje, nunca terminei um dia de trabalho com dores na mão ao usar esta linha.
Autonomia: carregas uma vez, e esqueces‑te
Quem, como eu, vive com o receio de ficar sem bateria nos piores momentos, vai gostar de saber que a autonomia se mantém impressionante. O MX Master 4 oferece até 70 dias de utilização com uma carga completa. Mais surpreendente é o facto de que um minuto de carregamento dá para três horas de uso. No uso real, carreguei o MX Master 3S talvez uma vez a cada dois meses, utilizando o cabo USB‑C. E se algum dia me esquecer, basta ligar ao carregador por breves instantes para estar pronto. Portanto no novo MX Master 4, certamente será em utilização real muito parecido ou superior.
A autonomia é um fator decisivo para muitos profissionais. O que adianta um rato rápido e personalizável se está constantemente ligado à corrente? Nesse aspeto, a Logitech continua imbatível.

Sustentabilidade com gestos concretos
Há uns anos, poucos fabricantes falavam de materiais reciclados em periféricos. Hoje, a sustentabilidade é praticamente obrigatória. O MX Master 4 foi concebido com 48% de plástico reciclado pós‑consumo. A roda seletora é feita de alumínio com baixo teor de carbono e a bateria utiliza cobalto 100% reciclado. A embalagem segue a certificação FSC™ e foi desenhada para ser fácil de desmontar e reciclar.
Como consumidor, gosto de saber que a minha compra contribui para reduzir o impacto ambiental. Por muito que a sustentabilidade sirva de argumento de marketing, a verdade é que estes gestos acumulam‑se. Se todos os periféricos incluírem percentagens significativas de plástico reciclado, estaremos a diminuir o uso de materiais virgens e a combater o desperdício.
Preço, cores e bónus criativo
O MX Master 4 está disponível globalmente nas cores Graphite e Pale Grey. O preço de lançamento é de 129,99 euros, igual ao do 3S quando chegou ao mercado.
Como incentivo adicional, a Logitech oferece um mês de subscrição da Adobe Creative Cloud, incluindo Photoshop, Lightroom e Premiere Pro. Para criativos, isto representa um valor considerável.

MX Master 4 vs MX Master 3S: o que realmente mudou?
Se tivermos de colocar frente a frente o MX Master 4 e o MX Master 3S, a conclusão é que a Logitech não reinventou a roda, mas trouxe melhorias que fazem diferença no dia a dia. Eis os pontos-chave:
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Feedback háptico – No 3S não existia; no 4 é uma adição transformadora, sobretudo em tarefas de edição de imagem e navegação entre dispositivos. Pequenas vibrações transmitem segurança extra em cada ação.
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Actions Ring – Exclusivo do MX Master 4, este menu contextual substitui os botões programáveis do 3S por um sistema mais versátil e inteligente, adaptando-se às apps em uso.
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Conectividade – O novo chip e antena do 4 oferecem uma ligação duas vezes mais forte e estável, algo que se nota especialmente em ambientes com muitas interferências.
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Sensor – Ambos contam com 8.000 DPI, mas o MX Master 4 mostra-se mais consistente em superfícies pouco convencionais, como vidro texturado ou madeira irregular.
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Cliques – Já eram silenciosos no 3S, mas ficaram ainda mais discretos no 4, ideal para ambientes partilhados.
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Sustentabilidade – A Logitech reforça o compromisso ambiental: o MX Master 4 integra uma maior percentagem de materiais reciclados e passa a utilizar também cobalto reciclado.
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Software – Ambos usam o Logi Options+, mas só o MX Master 4 desbloqueia o Actions Ring e o feedback háptico. O 3S mantém a experiência clássica de personalização limitada a botões.
Se já tens um MX Master 3S, a decisão de atualizar depende do teu uso. Para tarefas mais básicas, o 3S continua excelente. Mas se o teu fluxo envolve edição, multitarefa intensa ou simplesmente queres elevar a produtividade, o MX Master 4 é um salto qualitativo.
Por que a háptica importa mais do que parece
Vale a pena sublinhar que a háptica não serve apenas para estética. Estudos de interacção homem‑máquina mostram que feedback tátil aumenta a precisão e reduz a tensão muscular, porque confirmamos as ações sem desviar a atenção do ecrã. Noutros dispositivos, como smartphones, a háptica é essencial para sabermos que um botão virtual foi premido. Trazer esta funcionalidade para o rato faz sentido. A Logitech foi pioneira ao implementá‑la numa ferramenta de trabalho e, a meu ver, outras marcas vão seguir o exemplo.

Vale a pena o upgrade?
Se és um utilizador ocasional ou se o preço pesa no orçamento, o MX Master 3S continua a ser uma excelente opção. Mas se, como eu, passas oito a dez horas por dia em frente ao computador, a resposta é mais direta: sim, o MX Master 4 justifica o investimento. As melhorias não são superficiais; traduzem‑se em mais eficiência, melhor controlo e uma experiência de utilização mais agradável.
Além disso, o investimento numa ferramenta que usas centenas de vezes por dia dilui‑se rapidamente. Um rato confortável e versátil pode prevenir dores no pulso, reduzir stress e até contribuir para uma postura mais correcta. Para mim, esses benefícios ultrapassam largamente os 129 euros do preço.

Conclusão: um novo padrão para a produtividade
O Logitech MX Master 4 não revoluciona a roda, literalmente, mas refina‑a com elegância. A háptica personalizada, o Actions Ring e a conectividade reforçada elevam a fasquia para ratos de produtividade. A ergonomia intocável, a autonomia colossal e a sustentabilidade consciente completam um pacote quase perfeito.
Se o MX Master 3S já era o “padrão ouro” dos ratos de produtividade, o MX Master 4 é a versão platina. Para quem vive de atalhos e precisão, a atualização não só faz sentido como, depois de a experimentar, torna-se quase impossível voltar atrás.
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