huawei mostra no mwc 2026 como imagina o futuro de uma vida inteligente entre dispositivos androidgeek
Huawei

Huawei acelera Face ID sob o ecrã, mas o primeiro pode não ser o Mate 80

05/04/2026 por Joao Bonell

Huawei acelera Face ID sob o ecrã, mas o primeiro pode não ser o Mate 80

Há uma corrida a acontecer, mas não é daquelas corridas limpas, com pista direita e regras iguais para todos. É mais como jogar futebol num campo inclinado: a bola rola sempre um bocadinho para o mesmo lado, e mesmo assim há equipas que insistem em atacar. Huawei e Apple estão, ao que tudo indica, a preparar o próximo salto na biometria: levar a câmara e os sensores de reconhecimento facial 3D para debaixo do ecrã, sem notch, sem recortes, sem “ilhas”. Um vidro inteiro. Um relvado perfeito. Ou quase.

O que está em cima da mesa: reconhecimento facial 3D sob o ecrã

O ponto de partida é conhecido. Tanto a Huawei como a Apple usam reconhecimento facial 3D nos topos de gama, com hardware dedicado e uma pilha de sensores que, hoje, ainda exige espaço físico visível. Na prática, esse “espaço” é o que estraga a ilusão do ecrã totalmente contínuo. E é isso que a indústria quer eliminar, porque dá estatuto, dá narrativa e dá… margem para vender o mesmo conceito como novidade outra vez.

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O rumor que circula agora aponta para uma solução “in-display” (ou under-screen, dito de outra forma) capaz de esconder os componentes do 3D Face Recognition por baixo do painel. Parece simples, mas não é só isso. Não basta pôr uma câmara por baixo do OLED e esperar que a luz faça o resto. Reconhecimento 3D implica projeção, leitura, precisão e consistência em várias condições. E o ecrã, por definição, é um filtro. Um filtro complicado.

Huawei: pode chegar primeiro, mas não necessariamente com o Mate 80

Durante meses, a conversa foi: “Mate 80 no fim de 2025” com esta tecnologia. Depois a narrativa mudou, ou melhor, foi afinada. Um tipster terá indicado que a Huawei até pode lançar reconhecimento facial 3D sob o ecrã antes da Apple, mas que isso não deverá acontecer na linha Mate 80. É um detalhe que muda tudo, porque o Mate é o palco tradicional das grandes estreias técnicas da marca.

E, entretanto, surgem novas indicações a apontar para 2026? Não exatamente. O que se diz agora é que a Huawei não apresentou esta solução em 2025, mas poderá fazê-lo “este ano” com a série Mate 90. Ou seja, a estreia passaria para uma geração seguinte. Isto soa a recuo, mas também pode ser só gestão de calendário e maturidade tecnológica. Uma coisa é ter um protótipo. Outra é meter aquilo em milhões de unidades sem falhas grotescas.

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Na lógica do futebol: a Huawei pode estar a ganhar metros no ataque, mas joga com menos espaço. O campo inclina. Há menos acesso a certos fornecedores, há mais pressão em cadeias de produção, e há o peso de ter de provar, sempre, que consegue entregar tecnologia de ponta apesar do contexto. Não é desculpa. É o jogo como ele está montado.

Apple: o iPhone de 20.º aniversário e a obsessão com o vidro “limpo”

Do lado da Apple, a conversa está colada ao alegado modelo de 20.º aniversário do iPhone, previsto para o próximo ano. Fala-se num chassis com moldura de 1,1 mm e num design quad-curved, com curvatura nos quatro lados. O destaque, dizem, é um ecrã curvo “a toda a volta” que pede um painel sem interrupções. Faz sentido. Um ecrã assim com um recorte seria como um estádio novo com um buraco na bancada principal.

Se esse iPhone avançar mesmo com um ecrã contínuo, a pressão para esconder tudo aumenta: câmaras, sensores, até botões físicos (há rumores de uma abordagem mais minimalista). Mas aqui entra a parte menos glamorosa: a Apple tende a só lançar quando a jogada está ensaiada até à exaustão. Não quer ser a primeira. Quer ser a primeira a fazer parecer que foi sempre assim.

E isso, na prática, muda a leitura da corrida. A Huawei pode tentar marcar cedo. A Apple pode esperar e marcar “melhor”, com menos falhas visíveis. Só que, outra vez, o campo não é igual. A Apple joga em casa em muitos mercados, com arbitragem tecnológica mais simpática, enquanto a Huawei tem de fintar obstáculos extra. Dito assim parece simples, mas é um padrão repetido.

Quem chega primeiro? Ainda é um mistério, e não por falta de barulho

O ruído é grande e constante. Há rumores a voar em todas as direções, e nenhuma das duas marcas comentou oficialmente. O que deixa espaço para duas leituras ao mesmo tempo: pode ser tecnologia real em fase avançada, ou pode ser apenas a típica espuma mediática antes de um ciclo de lançamentos. Provavelmente um pouco das duas coisas.

Há ainda um terceiro nome a aparecer nos leaks: a Honor, também associada a futuras implementações de câmaras e sensores sob o ecrã. Não é irrelevante. Quando mais do que uma marca aparece na mesma linha de rumores, geralmente há sinais de que fornecedores e fabricantes de painéis estão a preparar uma “vaga” de soluções, não um caso isolado.

O que muda para quem compra

Se esta tecnologia resultar, o impacto é claro: ecrãs realmente sem interrupções e autenticação facial avançada sem compromissos visuais. Mas há um “mas”. A primeira geração costuma trazer trade-offs: menor qualidade de imagem na câmara frontal, leituras biométricas menos consistentes, e decisões estranhas no software para compensar limitações físicas. E depois há a durabilidade e a reparabilidade, que raramente entram na conversa… até entrarem.

Para quem acompanha a Huawei, esta corrida tem outro significado. A marca continua a empurrar para a frente, mesmo com regras desequilibradas. Mesmo com o tal campo inclinado. E isso, goste-se mais ou menos da estratégia, é um sinal de que a inovação não ficou presa em 2019. Está a acontecer, só que com mais fricção.

O que observar nos próximos meses

O primeiro sinal concreto não será um teaser bonito. Será uma certificação, uma cadeia de fornecimento a mexer, um padrão de fugas mais consistente. E, acima de tudo, um produto final onde a promessa não se desmancha ao primeiro contra-ataque: desbloqueio falhado, baixa taxa de sucesso, ou uma câmara frontal que parece de outra década.

Até lá, a pergunta mantém-se, e mantém-se aberta: Huawei ou Apple? Quem mete primeiro o 3D Face Recognition debaixo do ecrã sem estragar o jogo? A resposta pode chegar com o Mate 90. Ou com um iPhone de aniversário. Ou, num volte-face, com alguém que estava no banco e entra aos 80 minutos para decidir a partida.

Se quiseres contextualizar esta tendência de ecrãs cada vez mais “limpos” e as decisões de design que a acompanham, vale a pena acompanhar as nossas peças sobre novidades de smartphones, as mudanças em design de ecrãs e a evolução da biometria móvel, porque esta história não vai ficar por aqui.

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Sobre o Autor

Joao Bonell

Fundador do Androidgeek.pt. Trabalho em tecnologia há mais de dez anos. Apaixonado por tecnologia, Publicidade, Marketing Digital, posicionamento estratégico, e claro Android.
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