ensaio dacia bigster a formula duster em formato xxl androidgeek e1760625765734
Análises e Ensaios

Ensaio Dacia Bigster: A fórmula Duster em formato XXL

16/10/2025 por Bruno Xarope

Ensaio Dacia Bigster: A fórmula Duster em formato XXL

Lembro-me bem de quando a Dacia chegou a Portugal com o Sandero. Era um carro simples, quase espartano, mas com uma proposta que conquistou muitos: muito carro por pouco dinheiro. O Sandero tornou-se num caso sério de popularidade e abriu caminho para algo maior. Pouco tempo depois surgiu o Duster, que democratizou o SUV e fez muita gente voltar a sonhar com aventuras em família sem rebentar com o orçamento. Era robusto, prático e honesto.

AndroidGeek

AGeekGPT

Eu já li. Tu só tens de perguntar.

O que queres saber?

Agora, em 2025, sinto que a marca quis virar a página. O Bigster é a prova dessa mudança. Pela primeira vez, a Dacia lança-se no competitivo segmento C, território onde jogam nomes de peso, e fá-lo com uma confiança que nunca tinha mostrado. Não é apenas “mais um modelo barato”. É um SUV com ambição, que se coloca de frente para rivais muito mais caros.

O ensaio que fiz foi com a versão Extreme mild hybrid 130 4×4, atualmente o topo da gama em Portugal. Abaixo dela estão as versões Essential (entrada), Expression (equilíbrio entre preço e equipamento) e Journey (mais virada para o conforto familiar). Mas é a Extreme que assume a liderança da gama, com um pacote visual mais robusto, tecnologia reforçada e, no caso do mild hybrid-G 140, um preço a partir de 27 550 €.

ensaio dacia bigster a formula duster em formato xxl androidgeek 1

Design: presença que impressiona

Quando o vi pela primeira vez, percebi que o Bigster não é apenas um “Duster XXL”. Este SUV transmite outra presença. A frente é musculada, com linhas vincadas e faróis em Y que criam uma assinatura luminosa moderna e facilmente reconhecível. O novo logótipo Dacia Link assume protagonismo e mostra que a marca quer marcar posição.

A versão presente neste ensaio vinha em Cinzento Shiste, equipado com jantes de 18’’ semi-diamantadas e retrovisores com detalhes em cobre. As barras de tejadilho modulares são uma solução simples mas brilhante, porque dão funcionalidade sem comprometer o estilo.

Outro detalhe que faz diferença é o tejadilho panorâmico, de série na versão Extreme. Abre o interior à luz e transmite uma sensação de espaço e leveza que normalmente associamos a segmentos superiores. Ao vivo, o Bigster impressiona. Não tenta ser premium, mas tem presença suficiente para não se envergonhar ao lado de SUVs que custam mais 10 ou 15 mil euros.

ensaio dacia bigster a formula duster em formato xxl androidgeek 2

Interior: funcionalidade com uma nova cara

Abrir a porta do Bigster é perceber que a Dacia já não joga na mesma liga de antes. O tablier apresenta dois ecrãs digitais: um painel de instrumentos de 10’’ para o condutor e um ecrã central de 10,1’’ para o multimédia. Entre eles, uma faixa verde cria unidade estética e dá um ar moderno.

Os bancos em TEP MicroCloud oferecem bom apoio lateral e ajuste lombar, sendo claramente pensados para viagens longas. O volante em couro, regulável em altura e profundidade, pode até ser aquecido com o Pack Heat. Atrás, três adultos viajam confortavelmente graças à distância entre eixos de 2,70 m.

ensaio dacia bigster a formula duster em formato xxl androidgeek 3

A bagageira merece destaque: 556 litros de capacidade na versão 4×4, que se expandem até 1853 litros com os bancos rebatidos em 40/20/40. O piso falso ajuda a organizar carga, e o sistema YouClip é daqueles pormenores inteligentes que só valorizamos quando usamos no dia a dia. O Bigster é um carro que se adapta: dá para viagens de família, transportar bicicletas ou até montar um pack de cama dupla para aventuras de campismo.

É verdade que há plásticos duros. Mas aqui, em vez de parecer barato, tudo transmite robustez. E num carro com vocação familiar e aventureira, isso acaba por ser mais importante do que um acabamento macio que se degrada com o tempo.

ensaio dacia bigster a formula duster em formato xxl androidgeek 4

Tecnologia: o maior salto que já vi na Dacia

Se ainda tens na cabeça a imagem de uma Dacia com um rádio básico e pouco mais, esquece. O Bigster traz o Media Nav Live, que não só é intuitivo, como oferece navegação em tempo real, Apple CarPlay e Android Auto sem fios. O ecrã de 10,1’’ responde bem e a interface é limpa.

O sistema de som Arkamys 3D com seis altifalantes surpreendeu-me pela clareza. Claro que não é comparável a sistemas premium, mas dentro do segmento e preço, é mais do que satisfatório.

Há ainda carregamento wireless para smartphone, várias portas USB e a app My Dacia, que permite aceder a informações do carro e histórico de manutenção. Para quem conheceu a marca há dez anos, é quase surreal ver este salto.

ensaio dacia bigster a formula duster em formato xxl androidgeek 5

Segurança: finalmente no mesmo patamar dos rivais

Outro ponto em que a Dacia se superou foi na segurança. O Bigster traz 13 sistemas de assistência ao condutor, todos acessíveis pelo botão My Safety.

No ensaio, usei bastante o cruise control adaptativo, que mantém distância sem solavancos. Também experimentei a câmara multiview em manobras mais apertadas e ajudou-me bastante a ter noção das dimensões do carro. Além disso, temos alerta de fadiga, aviso de ângulo morto, reconhecimento de sinais e manutenção ativa na faixa.

A verdade é que a Dacia deixou de obrigar os clientes a abdicar da segurança para poupar dinheiro. E isso, para mim, é talvez a maior vitória deste modelo.

ensaio dacia bigster a formula duster em formato xxl androidgeek 9

Motor e condução: honestidade acima de tudo

O Bigster vem com o novo 1.2 TCe mild hybrid 48V, um três cilindros turbo com 130 cv e 230 Nm. Confesso: não esperem emoções fortes. Os números não enganam 0 a 100 km/h em 11,2 segundos e velocidade máxima de 180 km/h. Mas para o propósito do carro, chega.

O sistema híbrido ligeiro ajuda nas recuperações, melhora consumos e torna a condução mais suave em cidade. A média foi de 6,5 L/100 km durante o ensaio, não é um campeão da eficiência, mas posiciona-se bem entre motores puramente a gasolina e híbridos completos bem mais caros.

O que realmente me impressionou foi a tração integral. Não é um 4×4 radical, mas com modos para neve, lama e areia, encara pisos irregulares sem medos. Os 219 mm de altura ao solo dão confiança e tornam-no numa proposta versátil. Para quem gosta de sair da estrada batida de vez em quando, é um argumento de peso.

Em estrada: previsível e confortável

Na cidade, surpreendeu-me pela facilidade de condução. A direção é leve, a posição elevada dá boa visibilidade e as câmaras facilitam manobras. Para um carro com 4,57 m, esperava mais complicação, mas não aconteceu.

Na autoestrada, o conforto está em bom nível, embora algum ruído aerodinâmico apareça acima dos 120 km/h. A suspensão é equilibrada e absorve bem irregularidades. O único “mas” é a ausência de caixa automática. Num SUV pensado também para viagens longas, faria todo o sentido, sobretudo porque o cruise control adaptativo perde parte da lógica quando temos de mudar de velocidades manualmente.

Nas curvas, o Bigster não entusiasma, mas transmite confiança. E, sinceramente, para um carro familiar, isso é exatamente o que procuramos, previsibilidade em vez de surpresas.

ensaio dacia bigster a formula duster em formato xxl androidgeek 10

O preço: aqui a Dacia continua imbatível

E chegamos ao ponto que sempre definiu a marca: o preço. Em Portugal, o Bigster Expression mild hybrid 140 começa nos 25 550 €. A versão Extreme 130 4×4 arranca nos 27 550 €. O carro que testei, com alguns extras, ficava por cerca de 31 700 €.

Ou seja por menos de 32 mil euros, tens um SUV 4×4 espaçoso, bem equipado e com tecnologia atual. Os rivais, a este preço, oferecem apenas versões de entrada e quase sempre sem tração integral. Este é o verdadeiro trunfo da Dacia: não só joga no campeonato do preço, como redefine as regras.

ensaio dacia bigster a formula duster em formato xxl androidgeek 11

Conclusão: a maturidade da Dacia

Depois deste ensaio, saio convencido de que o Bigster marca uma nova era para a Dacia. A marca já não se limita a ser “a opção barata”. Agora tem ambição, presença e argumentos para desafiar rivais de peso.

Gostei do design robusto, apreciei o espaço generoso e fiquei impressionado com a bagageira e a modularidade. A lista de tecnologia e segurança já não deixa ninguém envergonhado, e a tração integral dá-lhe uma versatilidade que raros oferecem por este preço.

Claro que há compromissos: plásticos duros, isolamento acústico apenas razoável e a ausência de caixa automática são pontos a melhorar. Mas, olhando para o conjunto e para o preço, é impossível não reconhecer que o Bigster é um SUV extremamente racional.

Se me perguntarem se vale a pena, a resposta é clara: sim, vale. E mais do que isso o Bigster mostra que a Dacia já não joga apenas pela relação preço/qualidade. Joga pela ambição, e com este modelo, provou que está pronta para ser levada muito a sério.

ensaio alpine a290 gts quem disse que os electricos nao sao divertidos androidgeek e1751409521210

Leiam as últimas notícias do mundo da tecnologia no Google News , Facebook  e  X (ex Twitter) .

Todos os dias vos trazemos dezenas de notícias sobre o mundo Android em Português. Sigam-nos no Google Notícias. Obrigado!

Sobre o Autor

Bruno Xarope

Formado em Informática / Multimédia trabalho há 10 anos em Logística no Ramo Automóvel. Tenho uma paixão pelas Novas Tecnologias , cresci com computadores e tecnologias sempre presentes, assisti à evolução até hoje e continuo a absorver o máximo de informação sou um Tech Junkie. Viciado em Smartphones e claro no AndroidGeek.pt
Ver todos os artigos →