A CATL, líder mundial no fabrico de baterias, acaba de dar um passo de gigante na evolução da mobilidade elétrica. Depois de ter implementado as suas baterias de iões de sódio em veículos comerciais, a empresa iniciou agora a fase de testes em larga escala em veículos de passageiros. Sob a marca Naxtra, estas baterias estão a ser preparadas para testes públicos de inverno, começando com modelos da Changan (Oshan), seguindo-se marcas como a GAC e a JAC. Esta tecnologia promete resolver de uma só vez dois dos maiores “calcanhares de Aquiles” dos carros elétricos atuais: a perda de autonomia no inverno e o risco de incêndio em caso de acidente grave.
A escolha do inverno para estes testes não é um mero acaso. Como todos os proprietários de veículos elétricos sabem, as baterias de iões de lítio tradicionais sofrem bastante com as temperaturas negativas, perdendo eficiência e velocidade de carregamento. No entanto, as baterias Naxtra da CATL parecem operar numa liga diferente. Segundo os dados oficiais, em condições de frio extremo (até -30°C), estas baterias conseguem carregar de 30% a 80% em apenas 30 minutos, mantendo uns impressionantes 93% da sua capacidade utilizável. Mesmo com apenas 10% de carga, os veículos de teste conseguiram manter velocidades de cruzeiro de 120 km/h em autoestrada, algo impensável para a tecnologia atual sob temperaturas tão baixas.

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Segurança absoluta: À prova de furos e serras
No seu interior, a química do sódio oferece uma estabilidade térmica muito superior à do lítio. A CATL afirma com confiança que as suas baterias de sódio não correm o risco de incêndio ou explosão. Para provar esta tese, os pacotes Naxtra foram submetidos a testes de tortura que fariam qualquer bateria de lítio entrar em combustão instantânea: penetração por agulhas, perfuração com berbequins elétricos, extrusão extrema e até o corte direto da bateria com uma serra. Em nenhum destes cenários houve registo de chamas ou explosões. Este nível de segurança é o que torna os iões de sódio a opção mais viável para o futuro próximo dos veículos elétricos de massa.
Em termos de especificações técnicas, a CATL não poupou nos números. As baterias apresentam uma densidade energética de 175Wh/kg, o que permite autonomias em modo puramente elétrico superiores a 500 km. Além disso, suportam o carregamento super-rápido 5C e estão certificadas para suportar até 10.000 ciclos de carga. Isto sugere uma vida útil extremamente longa, provavelmente superior à do próprio veículo onde estão instaladas. Em setembro de 2025, esta tecnologia já tinha passado as novas e rigorosas normas nacionais da China, que exigem testes severos de difusão de calor e impactos no chassis.

Sustentabilidade e redução da dependência do Lítio
Para além das vantagens técnicas e de segurança, a transição para o sódio tem uma componente geopolítica e económica fundamental. O sódio é um material abundante e barato, ao contrário do lítio, cujo preço e disponibilidade são voláteis e dependentes de cadeias de abastecimento complexas. Ao utilizar sal comum como base para as suas baterias, a CATL consegue reduzir drasticamente os custos de produção, o que se deverá refletir no preço final dos veículos elétricos para o consumidor, tornando-os mais acessíveis.
O apoio de instituições independentes, como o Centro de Tecnologia e Investigação Automóvel da China (CATARC), reforça as alegações da marca. Os testes realizados tanto ao nível da célula individual como do pacote de bateria completo confirmam que a Naxtra é uma solução robusta. Se os testes públicos que agora se iniciam com a Changan e a GAC correrem conforme planeado, poderemos estar a poucos meses de ver a produção em massa de carros elétricos que não têm medo do inverno e que oferecem uma paz de espírito total no que toca à segurança contra incêndios.

Conclusão
A entrada das baterias de sódio Naxtra nos veículos de passageiros marca o início de uma nova era para a indústria automóvel. A CATL provou que é possível ter uma bateria de alta performance, capaz de carregar rapidamente e de durar milhares de ciclos, sem os riscos de segurança associados ao lítio. A capacidade de operar sem perdas significativas a -30°C é, por si só, um argumento de venda imbatível para os mercados do norte da Europa e da América do Norte. Se a isto somarmos a redução de custos e a sustentabilidade ambiental, as baterias de sódio deixam de ser uma promessa de laboratório para se tornarem a realidade inevitável das nossas estradas. Estamos perante a tecnologia que poderá, finalmente, convencer os mais céticos a dar o salto definitivo para a mobilidade elétrica.
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