Android Geek
O maior site de Android em Português

Análise BQ Aquaris M10 Ubuntu Edition

O BQ Aquaris M10 Ubuntu Edition apresenta-se como sendo o primeiro tablet do mercado com uma solução verdadeiramente convergente. Isto é, combina duas interfaces distintas para que os utilizadores o possam utilizar como um tablet ou como um computador.

As estreias não se ficam por aqui e o Aquaris M10 Ubuntu é também o primeiro tablet que corre o sistema operativo Ubuntu, baseado em Linux, numa tentativa conjunta da BQ e da Canonical (criadora do Ubuntu) de trazer este SO a mais utilizadores.

Em teoria, a ideia é bastante interessante e prometedora mas nós no AndroidGeek preferimos passar à prática e testámos este aparelho durante 2 semanas para que os nossos leitores fiquem com uma boa ideia do que este tablet é capaz. Esta é a nossa análise do BQ Aquaris M10 Ubuntu Edition.

Design

À primeira vista o Aquaris M10 aparenta ser um tablet bastante sólido, construído em plástico com um acabamento muito adequado em mate na parte traseira, que faz deste dispositivo um tablet muito robusto. Com apenas 8,2 mm de espessura e margens bastante reduzidas para um tablet, este aparelho quase nem parece ter um ecrã de 10,1”. Embora seja usual usar tablets deste tamanho com as duas mãos, as suas 470 g juntamente com o acabamento em mate (material bastante aderente) tornam  possível uma experiência de utilização com uma mão e em geral bastante ergonómica.

Imagens não dísponiveis: "2" size="medium" ids="29931,29930"]

 

Do lado direito do dispositivo podemos encontrar os botões de volume e de power, com uma construção bastante sólida e sem lugar para folgas. No lado oposto (o esquerdo) a BQ colocou todas as principais portas para aparelhos deste tipo: temos uma entrada micro-USB, uma entrada para fones de 3,5mm e ainda uma porta micro-HDMI que como vamos ver mais à frente, é imprescindível para tirar pleno partido das capacidades deste tablet.

Imagens não dísponiveis: "2" size="medium" ids="29929,29928"]

Em baixo não há nada a assinalar, enquanto que em cima existe um microfone e um slot para cartões micro-SD. A fabricante espanhola optou por colocar duas colunas à frente no Aquaris M10 Ubuntu, algo que consideramos muito bem vindo e sem dúvida um aspecto muito positivo hoje em dia. Ainda na face da dianteira podemos encontrar o símbolo da marca por baixo do ecrã e uma camara de selfies e os habituais sensores por cima do display. A parte de trás está relativamente “limpa”, contendo apenas a câmara traseira e o símbolo da BQ.

É interessante ver a mudança de estratégia da BQ nos últimos tempos, passando a apostar mais na qualidade de construção dos seus aparelhos, como são disso exemplo as gamas M e X de smartphones da marca. Este Aquaris M10 Ubuntu Edition é um tablet muito apelativo do ponto de vista do design, com linhas simples mas muito eficientes no manuseamento do aparelho.

Ecrã

O chassis em plástico do Aquaris M10 Ubuntu aloja um ecrã de 10,1” num formato de 16:10, com resolução Full HD (1920 x 1200) que se converte numa densidade de pixéis de 224 ppi. Existe ainda um modelo com resolução HD (1280 x 800; 149 ppi) no entanto foi o modelo Full HD que tivemos o privilégio de testar.

BQ Aquaris M10

A BQ indica que os ângulo máximo de visão deste display é de 170º e de facto é perfeitamente legível a diversas amplitudes. Em geral o ecrã é bastante brilhante (talvez até demais quando usamos o brilho automático) mas a reprodução de cores deixa um pouco a desejar, com cores algo esbatidas e com pouca saturação por defeito. Embora este tipo de aparelho seja mais indicado para um uso caseiro, fora de casa também é possível usa-lo, todavia nota-se que sob intensa luz solar se torna muito difícil percecionar o conteúdo do ecrã que é bastante refletivo. Existe ainda uma proteção Dragontrail X que torna o vidro do Aquaris M10 Ubuntu resistente a impressões digitais e a riscos, um efeito semelhante ao do Gorilla Glass da Corning.

Software e Performance

Características Técnicas  
Processador MediaTek Quad Core MTK8163A até 1,5 GHz
Sistema Operativo Ubuntu 15.04
Ecrã LCD 10,1” Full HD 1920 x 1200 - 224 ppi
Armazenamento 16 GB; micro-SD até 64 GB
Memória RAM 2 GB
Câmara traseira 8 MP, vídeo Full HD
Câmara frontal 5 MP
Bateria 7280 mAh (não removível)
Dimensões 246 x 171 x 8,2 mm
Peso 470 g
Redes GSM / HSPA / LTE
Conectividade Wi-Fi® 802.11a/b/g/n

Bluetooth 4.0

micro-USB 2.0 OTG

micro-HDMI

 

O Aquaris M10 Ubuntu Edition vem equipado com um processador de 64-bit da MediaTek MTK8163A com quatro núcleos e velocidade máxima de 1,5 GHz juntamente com uma placa gráfica Mali-T720. A memória RAM conta com 2 GB e há 16 GB disponíveis de armazenamento interno que pode ser expandido via cartão micro-SD até 64 GB. Estas características são bastante standard para tablets hoje em dia mas na verdade é difícil medir (ou comparar em testes de benchmark) a performance deste dispositivo, uma vez que o seu SO é diferente dos demais tablets disponíveis no mercado hoje em dia. Portanto, não há uma base de comparação justa.

Assim sendo, a grande bandeira deste aparelho do ponto de vista do interface/software é sem dúvida a convergência anunciada pela sua fabricante, a BQ, e pela Canonical, criadora do Ubuntu OS que integra este Aquaris M10. O objetivo é que o dispositivo possa ser utilizado como um aparelho touch e que facilmente se converta num computador tipo desktop.

No modo touch este tablet usa um interface diferente daquilo a que a maioria dos utilizadores estão habituados, chamado Scopes. Este IU consiste numa série de ecrã inteligentes que recolhem informação e a mostram nas alturas mais convenientes para o utilizador de forma um pouco semelhante ao serviço Google Now. Deslizando com o dedo para a direita e para a esquerda acedemos aos scopes das mais diversas temáticas, como o ecrã Near By que recolhe dados de vários serviços como o Facebook ou Google Maps para nos mostrar informações acerca do que nos rodeia. Existem ainda scopes dedicados à nossa agenda, a cinema, a música ou notícias que coletam dados de várias fontes locais.

O multitasking é feito com um deslizar mais lento da direita para a esquerda, acedendo assim a um menu onde são apresentadas as aplicações ou scopes abertos. Um deslizar semelhante mas com três dedos divide o ecrã em dois, permitindo usar duas aplicações ao mesmo tempo.

BQ Aquaris M10

O modo desktop inicia-se automaticamente a partir do momento em que conectamos o Aquaris M10 Ubuntu a monitor via micro-HDMI no entanto também pode ser iniciado manualmente. Temos a possibilidade de ligar um rato e teclado ao aparelho através de Bluetooth ou da ligação micro-USB e assim ficamos com aquilo que de facto é proposto pelos criadores deste dispositivo: um computador com interface Ubuntu na sua versão desktop. Se por algum motivo não tivermos por perto um rato e teclado, o ecrã do tablet transforma-se em touchpad quando em modo desktop. Convém referir que no máximo, o Aquaris M10 Ubuntu suporta output com resolução Full HD, deixando assim de lado a hipótese de se poder usar monitores QHD.

Como é habitual no Ubuntu, do lado esquerdo podemos aceder à barra de aplicações Unity tanto na versão touch, como a versão desktop.

Relativamente a aplicações a utilização está limitada às apps existentes na loja de aplicações do Ubuntu OS que francamente desilude. Embora serviços como o Facebook ou Soundcloud estejam disponíveis, não há muito mais por onde escolher comparativamente às lojas Android ou iOS. A grande maioria das aplicações disponíveis são basicamente atalhos para as páginas mobile dos serviços em causa e infelizmente não é possível instalar programas através da linha de comandos do Ubuntu no modo desktop, restringindo a experiência de utilizador às aplicações pré-instaladas e às que estão disponíveis na loja de aplicações do Ubuntu.

BQ Aquaris M10

Apesar de fundamentalmente diferente do que hoje em dia é a norma, este tipo de interface “inteligente” tem de facto muito potencial e pode até revolucionar o modo como usamos um tablet. No entanto a sua performance neste tablet é algo que deixa a desejar, uma vez que frequentemente as aplicações encerraram sozinhas ou bloquearam sem motivo aparente. As transições entre ecrãs e menus ocorreram com algum lag e em geral o desempenho apresentou bastantes soluços.

O browser, que acaba por ser uma das aplicações mais importantes, revelou-se bastante limitado apresentando lacunas graves como por exemplo incapacidade para reproduzir conteúdo do serviço Netflix ou constante desfasamento entre áudio e vídeo na reprodução de vídeos no Youtube.

A reprodução de conteúdo multimédia, como vídeos por exemplo, ocorre sem grandes problemas nos principais formatos mas não foi possível usar um leitor capaz de reproduzir legendas.

Camaras

Já se sabe que os tablets não são de todo os aparelhos mais indicados para tirar fotos, devido ao seu tamanho, e o BQ Aquaris M10 Ubuntu não é excepção. A camara traseira de 8 MP capta fotos bastante aceitáveis com luz natural, no entanto em todas as outras condições a sua performance é fraca e não há flash disponível. À frente a o sensor de 5 MP é suficiente para videochamadas, sem deslumbrar.

Bateria

Em relação à autonomia, o Aquaris M10 Ubuntu tem uma bateria massiva de 7280 mAh fazendo disso um dos pontos mais positivos do aparelho. Em média a bateria dura para cerca de oito horas de utilização moderada e em standby o consumo energético é extremamente reduzido.

Conclusão

No plano da construção e design podemos dizer que o Aquaris M10 Ubuntu foi uma agradável surpresa com a sua construção compacta, robusta e essencialmente de confortável utilização. As colunas frontais são algo de muito positivo e que deve servir de exemplo aos outros fabricantes, oferecendo som em stereo, de boa qualidade, sem ser necessário recorrer a fones. Por outro lado, do ponto de vista do software e performance este é um aparelho que parece ser um produto inacabado. O conceito da sua interface é muito interessante e apelativo mas os vários bugs e performance aos soluços fazem com que o Aquaris M10 Ubuntu, de momento ainda não seja adequado para todos os utilizadores, na nossa opinião. Está disponível por 229€ directamente na pagina do fabricante

Pros:

  • Boa qualidade de construção
  • Design simples e compacto
  • Boa autonomia

Contras:

  • Performance limitada
  • Software com bugs e lag
  • Fraca oferta de aplicações
  • Não é possível instalar programas de Ubuntu desktop

 

Ajuda-nos a chegar mais longe, partilha com os teus amigos

Obrigado pela visita!

Este Website usa cookies para providenciar uma melhor experiência. Pode recusar se desejar. Aceitar Saber Mais

Ajuda-nos a chegar mais longe, partilha com os teus amigos

Obrigado pela visita!
close-link