A Apple é frequentemente associada a sucesso retumbante no mercado tecnológico, mas nem sempre tudo corre de feição para a gigante de Cupertino. Um exemplo claro disso é o desempenho do Apple Watch em 2024. Segundo um relatório da Counterpoint Research, as remessas globais do Apple Watch caíram 19% no ano passado. Este número surpreende, especialmente quando comparado ao desempenho sólido da Apple no segmento de smartphones, onde o iPhone continuou a mostrar força.
De acordo com o relatório, a procura por Apple Watch diminuiu em praticamente todas as regiões do mundo, com exceção da Índia, onde a marca ainda conseguiu crescer. Este declínio levanta questões relevantes: estará a Apple a perder o brilho no segmento dos smartwatches? Ou será apenas um momento passageiro?
Neste artigo vão encontrar:
América do Norte: o motor de crescimento perdeu força
A América do Norte, tradicionalmente o mercado mais forte da Apple, registou uma queda acentuada nas remessas de Apple Watch. O último trimestre de 2024 foi particularmente preocupante, marcando o quinto trimestre consecutivo de declínio. Este dado revela que o problema não é isolado nem pontual, mas sim uma tendência que já vem de trás.

Um dos fatores apontados pela Counterpoint Research foi a ausência de um novo modelo Apple Watch SE em 2024. O Watch SE tem sido um dos modelos mais acessíveis e populares, funcionando como porta de entrada para muitos utilizadores no ecossistema Apple. Sem uma atualização deste modelo, muitos consumidores optaram por adiar a compra. Além disso, as melhorias pouco significativas no Apple Watch Series 10 também não ajudaram. Num mercado onde os consumidores esperam inovação constante, pequenas atualizações não chegam para justificar a troca de dispositivo.
Concorrência em alta: Samsung, Huawei e outros a sorrir
Enquanto a Apple enfrenta dificuldades, os seus concorrentes aproveitam a oportunidade. Marcas como Samsung, Huawei, Garmin e Xiaomi registaram crescimento nas remessas de smartwatches no mesmo período. Isto deve-se, em parte, à maior diversidade de modelos, à oferta de funcionalidades diferenciadas e, claro, a preços mais competitivos.
O segmento de smartwatches está cada vez mais dinâmico, e os consumidores estão atentos às alternativas. Hoje em dia, um smartwatch já não é apenas uma extensão do smartphone — tornou-se um dispositivo que combina saúde, desporto e produtividade. A concorrência percebeu isso e soube capitalizar, enquanto a Apple parece ter ficado, temporariamente, a marcar passo.

O que esperar para 2025?
A Apple não está propriamente a dormir. Há rumores de que a marca prepara o lançamento de um novo Watch SE, assim como uma atualização relevante no Watch Ultra 3. Estes modelos poderão ajudar a recuperar terreno e atrair novamente os consumidores.
No entanto, o grande desafio da Apple passa pela inovação real. A marca habituou-nos a produtos revolucionários, mas nos últimos tempos, a evolução do Apple Watch tem sido mais incremental do que transformadora. Será que chegou a altura de vermos um salto tecnológico? Talvez funcionalidades mais avançadas de saúde, maior autonomia ou até mudanças no design sejam o que falta para reanimar as vendas.
Conclusão
Na minha opinião, a Apple continua a ser uma referência no segmento premium, mas não pode depender apenas da força da marca. O consumidor de hoje é informado, exigente e procura valor pelo seu dinheiro. Quando olha para um Apple Watch e vê poucas novidades em relação ao modelo anterior, hesita em gastar centenas de euros. E quem pode culpá-lo?
Além disso, a concorrência está cada vez mais agressiva, com produtos que oferecem funcionalidades equivalentes ou até superiores a preços mais baixos. A Apple precisa urgentemente de voltar a surpreender — não apenas para manter a sua base de fãs, mas para evitar perder terreno para rivais que já perceberam onde estão as oportunidades.
Em resumo, 2024 foi um ano difícil para o Apple Watch, mas não significa que a história esteja escrita. Com uma estratégia bem delineada, foco na inovação e atenção às necessidades reais dos utilizadores, a Apple tem tudo para recuperar. A questão é: será que vai aprender a lição? Nós, enquanto fãs de tecnologia, estamos atentos e esperamos ansiosamente para ver o que aí vem.
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