Quem diria que chegaríamos a 2026 a discutir se 60Hz é sequer aceitável num smartphone de entrada, ou se os 165Hz do novo OnePlus 15 são o suficiente para quem leva o gaming a sério? A verdade é que a indústria dos smartphones entrou numa corrida desenfreada pela fluidez visual, e o que antes era um luxo de nicho nos monitores de PC, agora é o campo de batalha dos nossos bolsos.
- Os 120Hz tornaram-se o padrão “obrigatório” em Android e iPhone.
- A OnePlus optou por um painel de 1.5K para atingir 165Hz.
- A Honor lançou a série Honor Win com uma impressionante taxa de 185Hz.
- A taxa de atualização pode não ser percebida por todos os utilizadores.
Atualmente, os 120Hz tornaram-se o padrão “obrigatório” tanto em Android como em iPhone, mas os fabricantes chineses decidiram que o teto ainda está longe. No entanto, esta subida para lá da barreira dos 144Hz traz consigo uma série de desafios técnicos e compromissos que nem sempre são transparentes para o consumidor.

Neste artigo vão encontrar:
O caso do OnePlus 15: Fluidez vs Resolução
O exemplo mais flagrante desta tendência é o OnePlus 15. A marca tomou uma decisão que gerou alguma controvérsia na comunidade: abandonou o painel 2K do modelo anterior para adotar um ecrã de 1.5K. A razão? Para atingir os 165Hz de taxa de atualização, a limitação técnica falava mais alto. De acordo com os engenheiros da BOE, parceira da OnePlus, refrescar um painel 2K a 165 vezes por segundo exigiria uma largura de banda e um consumo energético que, no estado atual da tecnologia, comprometeriam a estabilidade do sistema.
Para compensar esta descida na densidade de píxeis, a OnePlus focou na qualidade do painel, garantindo uma precisão de cor e um brilho de pico que desafia qualquer luz solar. No seu interior, o processador Snapdragon 8 Elite Gen 5 faz a gestão dinâmica desta taxa, mas a realidade é que os 165Hz só “acordam” verdadeiramente em cenários específicos, nomeadamente em jogos compatíveis como Call of Duty: Mobile ou Arena Breakout.

A série Honor Win e a barreira dos 185Hz
Mas se achas que 165Hz é o limite, a Honor decidiu ir mais longe com o lançamento da série Honor Win. Este dispositivo ostenta uns incríveis 185Hz, uma marca que iguala o ROG Phone 9 da ASUS e que coloca o Honor Win no topo da pirâmide da fluidez.
Para sustentar este ecrã, a marca integrou sistemas de refrigeração avançados, algo fundamental porque manter uma taxa de atualização tão alta gera um calor considerável. O Honor Win não quer apenas atingir os 185Hz num pico de dois minutos; ele quer manter essa fluidez durante sessões de jogo prolongadas em títulos como PUBG Mobile ou Honor of Kings.
Funcionalidade real ou apenas “specs” para vender?
A grande questão que coloco como consumidor diário destes gadgets é: notamos mesmo a diferença? Se a passagem dos 60Hz para os 120Hz foi uma revolução na forma como interagimos com o sistema, o salto dos 120Hz para os 185Hz entra rapidamente no campo dos rendimentos decrescentes.
Para o consumidor comum, que passa o dia no Instagram, WhatsApp ou a ler notícias, os 120Hz já oferecem uma experiência de “manteiga”. Ativar taxas mais altas nestas aplicações é, muitas vezes, um desperdício de bateria. Por outro lado, para o jogador competitivo, cada milissegundo de latência reduzida pode ser a diferença entre a vitória e a derrota. Nestes casos, a taxa de amostragem tátil é quase tão importante quanto a taxa de atualização visual.
Além disso, temos de lidar com a realidade do catálogo. Embora a OnePlus e a Honor anunciem parcerias com grandes estúdios, a vasta maioria dos jogos na Play Store ainda está bloqueada a 60fps ou 90fps. Comprar um ecrã de 185Hz para jogar um título limitado a 60Hz é como comprar um superdesportivo para andar num caminho de terra.

O futuro: Inteligência Artificial e Interpolação
O caminho mais interessante que vejo para esta tecnologia não é apenas o aumento bruto dos Hertz, mas sim a interpolação de frames via hardware. Marcas como a iQOO já o fazem, utilizando chips dedicados para criar frames intermédios em jogos pesados como Genshin Impact, transformando uma experiência de 60fps numa percepção visual de 120Hz ou 144Hz.
Em resumo, a taxa de atualização tornou-se uma ferramenta de marketing poderosa, mas a minha recomendação é que não deixes que esse número seja o único fator na tua compra. Prioriza o desempenho sustentado e a qualidade do painel, tanto no contraste como na proteção ocular. A fluidez de 185Hz é fantástica, mas apenas se tiveres o conteúdo certo para a alimentar.
E tu, consideras que os 120Hz já são o teto para o teu uso diário ou estás ansioso por meter as mãos num painel de 185Hz para elevar o teu nível no gaming?
Perguntas Frequentes
Qual é a taxa de atualização padrão atualmente em smartphones?
Atualmente, os 120Hz tornaram-se o padrão “obrigatório” tanto em Android como em iPhone.
Por que a OnePlus optou por um painel de 1.5K no OnePlus 15?
A OnePlus decidiu adotar um painel de 1.5K para atingir os 165Hz de taxa de atualização, uma escolha motivada por limitações técnicas que tornariam inviável refrescar um painel 2K a essa taxa.
O que é a série Honor Win e qual a sua taxa de atualização?
A série Honor Win é um dispositivo que apresenta uma impressionante taxa de atualização de 185Hz, posicionando-se no topo da fluidez em comparação com outros smartphones.
Os utilizadores notam realmente a diferença entre taxas de atualização?
Embora a transição de 60Hz para 120Hz tenha sido significativa, a diferença entre 120Hz e 185Hz pode ser menos perceptível para o consumidor comum, especialmente em atividades diárias como navegar nas redes sociais.
Quais são os desafios técnicos associados a altas taxas de atualização?
Altas taxas de atualização, como 165Hz ou 185Hz, trazem desafios técnicos, incluindo a necessidade de maior largura de banda e consumo energético, o que pode comprometer a estabilidade do sistema e gerar calor considerável.
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