Se estavas a adiar a venda do teu Samsung antigo porque “te dão sempre uma miséria”, há um problema: podes estar a perder o melhor momento dos últimos tempos. Os preços dos Samsung usados subiram de forma rara e, em vez de esperares mais um mês por teimosia, talvez seja mesmo agora que compensa pôr o anúncio online ou aceitar uma retoma.
O sinal veio da Coreia do Sul, o mercado doméstico da marca e, por isso, um bom termómetro. Pela primeira vez, o preço médio de transacções de equipamentos Samsung em segunda mão ultrapassou os 270.000 won. Em Março, a média chegou aos 271.575 won, o que representa uma subida de 56,2% face aos 173.844 won registados em Fevereiro.

É uma variação demasiado brusca para ser “só” sazonalidade. E, sim, há um culpado óbvio.
Neste artigo vão encontrar:
O que aconteceu: o efeito S26 empurrou o mercado de usados
O lançamento da família Galaxy S26 parece ter criado um daqueles efeitos dominó que o mercado de usados adora. Muita gente correu para comprar os modelos novos. Resultado: mais equipamentos premium (e relativamente recentes) entraram no circuito de revenda e retomas.
À primeira vista, isso devia baixar preços, certo? Mais oferta, preço desce. Só que o “preço médio” não é o mesmo que “o preço do teu modelo”. Quando entram mais topos de gama no mercado, o valor médio das transacções pode subir mesmo que alguns modelos mais antigos fiquem na mesma. É uma nuance chata, mas é aqui que muita gente se engana a fazer contas.
Ou seja: o mercado aqueceu, mas não aqueceu de forma igual para todos. Mesmo assim, quando a média sobe 56% num mês, há uma coisa que fica clara: há mais dinheiro a circular na segunda mão, e isso tende a puxar por cima também os modelos “bons mas não recentes”.
Porque é que isto interessa em Portugal (mesmo sendo dados da Coreia)
Não dá para assumir que Portugal vai replicar estes números. Nem perto. Os mercados têm dinâmicas diferentes, plataformas diferentes e hábitos de compra diferentes. Mas a mecânica é semelhante: quando sai uma geração nova e há corrida a upgrades, o mercado de usados mexe. E mexe depressa.

O que muda na prática para ti? Uma janela curta em que a procura por modelos usados “de marca” aumenta, seja por pessoas que querem um Samsung melhor sem pagar preço de novo, seja por quem quer algo para aguentar mais um ano antes de trocar outra vez. E, nestes momentos, o teu equipamento antigo deixa de ser só um peso na gaveta.
Há ainda outro detalhe que costuma passar ao lado: as retomas e campanhas de trade-in muitas vezes influenciam o preço “real” do usado. Quando o consumidor vê que consegue desconto imediato com retoma, isso puxa por um comportamento de troca mais rápido. Mesmo que tu não uses retoma, beneficias indiretamente porque há mais compradores a comparar valores e a aceitar preços um pouco mais altos por modelos em bom estado.
Vale a pena vender já? Depende, mas há sinais a favor
Se o teu Samsung ainda está funcional, com ecrã intacto e bateria aceitável, vender agora tende a fazer mais sentido do que esperar “até ao Verão” sem motivo. A regra prática é simples: quanto mais perto estás do pico de interesse na geração nova, melhor costuma ser o mercado para quem vende.
Mas vou contrariar-me um pouco: se tens um modelo muito antigo, ou com problemas visíveis (burn-in, ecrã partido, portas com mau contacto), esta subida do “valor médio” pode não te salvar. Pode ajudar, mas não faz milagres. A diferença entre “usado em bom estado” e “usado cansado” é enorme, e em 2026 isso nota-se mais porque há muita gente a comprar com olhos de quem já foi enganado uma vez.
Takeaway rápido: três coisas que aumentam o valor antes de vender
Sem complicar, e sem truques: (1) limpa bem o equipamento e fotografa com luz natural; (2) junta caixa e carregador se os tiveres, porque há compradores que pagam mais por isso; (3) faz reset de fábrica e confirma que a conta Samsung/Google ficou removida, para evitar o drama do bloqueio de activação. Parece básico, mas é aqui que muitos anúncios morrem.
Comparação útil: vender a particular vs retoma
Se queres maximizar valor, vender a particular costuma ganhar. Tens mais trabalho, mais mensagens, e possíveis problemas com “negociadores profissionais”. Mas o preço tende a ser melhor.
Já a retoma (quando existe) é o oposto: menos chatices, menos risco, dinheiro na hora ou desconto imediato, mas geralmente um valor mais baixo. Compensa se valorizas tempo e previsibilidade. E se o teu telemóvel tem marcas ou desgaste, às vezes a retoma até é menos penalizadora do que um comprador exigente.

O ponto chave é este: com o mercado a mexer, a diferença entre retoma e venda a particular pode encolher ou aumentar. Tens de comparar no momento, não na memória do que “costumava ser”.
Possíveis problemas: a subida pode ser curta (e o teu modelo pode não estar no “grupo certo”)
Há fricção aqui. Primeiro, porque esta valorização foi observada num contexto específico e num período curto. Se a oferta de usados continuar a crescer muito, os preços podem corrigir. Segundo, porque o que puxa a média para cima são, tipicamente, modelos premium recentes. Se tens um Galaxy A de há alguns anos, podes sentir menos o efeito.
E depois há o factor “estado real”: bateria degradada e ecrã com micro-riscos não aparecem nas estatísticas, mas aparecem no bolso do vendedor. O mercado de usados está mais informado, e isso corta as asas a preços irrealistas.
O que fazer hoje, sem dramas
Se estás a pensar trocar de telemóvel em 2026, a decisão mais inteligente pode ser inversa do habitual: primeiro vende o antigo, depois escolhe o novo. Parece detalhe, mas reduz o tempo em que o teu equipamento desvaloriza parado, e dá-te margem para negociar melhor o próximo passo.
Se, pelo contrário, queres ficar com ele como “backup”, tudo bem. Só não te iludas: backups que ficam na gaveta dois anos acabam por valer quase nada. E, com o mercado a dar sinais de vida, esta é daquelas alturas em que vender um Samsung usado pode deixar de “doer” tanto. Não acontece muitas vezes.
Agora é a altura de vender o teu telefone antigo. Pelo menos, é a primeira vez em muito tempo que os números apontam nessa direcção.
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