Está a acontecer aquela situação clássica: o telemóvel do dia a dia já não falha “só” na bateria. Falha na câmara à noite, engasga quando abrimos duas apps, e depois há a parte chata, a sério chata, das atualizações que acabam cedo demais. A Samsung quer atacar esse pacote todo de uma vez com dois novos modelos da gama média que chegam agora a Portugal: Galaxy A57 5G e Galaxy A37 5G.
Os dois smartphones ficam disponíveis a partir de 10 de abril, com preços recomendados a começar nos 459 euros para o Galaxy A37 5G e nos 559 euros para o Galaxy A57 5G. Sim, já não estamos a falar de “baratos”. Mas também não é só isso: a Samsung está claramente a empurrar funcionalidades que antes guardava para gamas mais altas, sobretudo na Inteligência Artificial e na longevidade de software. Na prática, é isto que pode mudar a escolha de muita gente.
Neste artigo vão encontrar:
O que chega a Portugal e quanto custa
Vamos ao concreto, sem floreados. O Galaxy A37 5G arranca nos 459 euros (128 GB) e vai aos 549 euros (256 GB). O Galaxy A57 5G começa nos 559 euros (128 GB) e chega aos 619 euros (256 GB). Há também variações de cor: no A57 5G há Azul Escuro, Cinza, Azul Gelo e Lilás; no A37 5G surgem Violeta, Branco, Verde Escuro e Cinzento.

O posicionamento é óbvio: dois degraus diferentes na série A, com o A57 a ficar com as funções mais “vistosas” e algum hardware mais musculado. Dito assim parece simples. Mas há detalhes que pesam, e não são só números.
Awesome Intelligence: a IA que a Samsung quer pôr na gama média
A Samsung está a usar o nome Awesome Intelligence para agrupar várias funções de IA nestes modelos, com One UI 8.5. A ideia, pelo menos no discurso e também no uso real de muita gente, é reduzir fricção: menos passos, menos menus, menos “onde é que isto estava?”. Não resolve tudo, claro. Mas mexe com rotinas.
Transcrição de Voz e tradução no Gravador
Uma das novidades mais práticas é a Transcrição de Voz na app Gravador de Voz. Serve para transcrever (e traduzir) gravações e até converter áudio de mensagens de voz em texto. Para reuniões, entrevistas, aulas, chamadas longas… isto é daquelas coisas que quando funciona bem passa a ser “normal”. E quando não existe, sente-se.
Seleção de AI e o lado “rápido” do sistema
A Seleção de AI fica acessível com um toque prolongado no Painel Lateral, sugerindo ações no ecrã para extrair texto ou criar conteúdo sem andar a selecionar manualmente. Parece um detalhe, mas é precisamente aí que a IA ganha espaço: em micro-atalhos. E há ainda o empurrão para o multitasking, com Arrastar e Soltar em Multi-Janela, para mover imagens para o Samsung Notes ou para o Editor de Fotos. Não é revolucionário. Mas acelera.
Edição de fotos: apagar, sugerir, melhorar (sem complicar)
O Apagador de objetos promete resultados mais naturais ao remover distrações. A Samsung insiste neste ponto, e faz sentido: o “apagamento” artificial costuma denunciar-se, ou melhor, costuma deixar marcas. No Galaxy A57 5G, a função Best Face passa a suportar um maior número de fotografias para melhorar fotos de grupo. Há ainda Filtros e Sugestões de Edição, e no A57 5G entra também o Recorte Automático para vídeo, para tornar a edição mais rápida. Não é só para criadores. É para quem quer enviar um vídeo decente sem perder meia hora.

O Circle to Search with Google também está presente, com reconhecimento de vários objetos numa imagem. Ou seja, dá para pesquisar mais do que um elemento de uma só vez. Na prática, isto é útil para roupa, acessórios, objetos numa sala… e sim, às vezes é só curiosidade.
Depois há a dupla Bixby e Gemini. A Bixby fica mais orientada para controlar definições e funcionalidades com linguagem natural, enquanto o Gemini entra nas tarefas mais complexas em apps do Galaxy e outras. Há aqui uma sobreposição, não vale a pena fingir que não. Mas o objetivo é claro: menos cliques, mais ação direta.
Câmara: 50 MP, Nightography e ajustes automáticos mais inteligentes
Os dois modelos chegam com um sistema de três câmaras, liderado por um sensor principal de 50 MP. A promessa é a habitual, mas com um foco mais explícito no processamento: imagens mais nítidas e detalhadas em várias condições sem ajustes manuais, graças à otimização do hardware e do processador de sinal de imagem.
Quando a luz cai, entra a Nightography com melhorias para captar fotos e vídeos mais realistas. E aqui convém separar: o Galaxy A57 5G é o que recebe o tratamento mais “forte”, com processamento de imagem melhorado para reduzir ruído e realçar detalhe, contraste e cores equilibradas, mesmo em cenários difíceis. Há ainda referência a uma maior velocidade do obturador, para apanhar momentos rápidos com mais precisão. Não é magia. Mas é o tipo de melhoria que se nota, sobretudo em crianças, animais, movimento, concertos… essas situações que arruínam fotos em telemóveis medianos.
Também há otimização por IA para reconhecimento de objetos e cenários, equilibrando retratos e tons de pele e separando melhor o sujeito do fundo. E sim, continuam as duas câmaras extra: ultra grande angular para grupo/paisagem e macro de 5 MP para detalhes próximos. A macro é uma daquelas coisas que muita gente usa pouco. Mas quando dá jeito, dá.
Desempenho, ecrã e bateria: o pacote para aguentar um dia real
No Galaxy A57 5G, a Samsung fala numa CPU, GPU e NPU atualizadas para melhor desempenho, com foco em streaming, navegação e criação de conteúdos. A conversa do “design elegante” aparece sempre, mas há um ponto mais prático: bateria de cerca de 5.000 mAh, com promessa de até dois dias de utilização. Dois dias é sempre uma estimativa… ou melhor, depende do utilizador. Mas 5.000 mAh é, no mínimo, uma base sólida.

O Super Fast Charging 2.0 chega com a indicação de até 60% em 30 minutos. E há um detalhe que interessa a quem joga ou grava vídeo: uma câmara de vapor 13% maior para ajudar a manter o desempenho em sessões prolongadas. Não resolve aquecimento em todos os cenários, mas mostra uma preocupação mais típica de gamas superiores.
Nos dois modelos, o ecrã é Super AMOLED+ com Vision Booster e molduras mais finas. Aqui a diferença sente-se mais fora de casa, com luz forte. E é um daqueles pontos que não aparece numa ficha técnica, mas muda a experiência diária. Abrir mapas ao sol, responder a mensagens na rua, ver um vídeo rápido… é isso.
Durabilidade e segurança: IP68 e Knox Vault na série A
Há uma frase que muita gente diz e depois esquece: “o meu telemóvel caiu na água”. A Samsung dá aos dois modelos classificação IP68 para resistência à água e ao pó. Na gama média, isto continua a ser um argumento forte, porque não é universal. E não, não é um convite para ir filmar para a piscina. Mas dá margem para o acidente.
Em segurança, entra o Knox Vault, uma solução baseada em hardware, resistente a adulterações. Além disso, há o conjunto habitual (e útil) de ferramentas: Painel de Segurança e Privacidade, Bloqueador Automático, Partilha Privada, Proteção contra Roubo e uma nova Galeria Privada para bloquear ficheiros multimédia pessoais. A Samsung fala ainda em Alertas de Privacidade, com notificações proativas sobre riscos e maior controlo sobre permissões de localização e dados sensíveis. Parece burocrático. Mas é exatamente o tipo de “burocracia” que evita dores de cabeça.
O ponto que pode mesmo pesar: seis gerações de Android e seis anos de segurança
Aqui está a parte que muda a conversa. A Samsung promete até seis gerações de atualizações do sistema operativo Android e da One UI, e até seis anos de atualizações de segurança. Numa compra de 459 a 619 euros, isto deixa de ser um detalhe e passa a ser parte do valor. Porque o telemóvel não é só o que vem na caixa. É o que recebe depois, durante anos.
Na prática, isto aproxima a série A de uma expectativa mais “premium”: comprar hoje e não ficar preso a um ciclo curto. E sim, ainda há a questão de desempenho ao longo do tempo. Mas pelo menos o software não fica logo para trás.
O que muda para quem está a escolher um Android agora
O Galaxy A57 5G e o Galaxy A37 5G chegam a Portugal com uma mensagem clara: IA para tarefas pequenas (e repetidas), câmara mais competente em pouca luz, e um compromisso de atualizações que já não parece tímido. Não é só uma renovação anual. É uma tentativa de tornar a gama média mais “durável”, no sentido literal e no sentido de suporte.

Se isto chega para justificar os preços? Depende. Depende do quanto valorizas IP68, do quanto usas edição e pesquisa por imagem, do quanto te irrita ficar sem updates. E depende, também, do que já tens no bolso. Mas a direção é evidente. E a Samsung, aqui, não está a jogar pequeno.
Para quem anda a acompanhar a evolução do Android e da One UI, vale a pena revisitar o que a Samsung tem feito em software e funcionalidades: há contexto em peças como as novidades do ecossistema Galaxy, e também em temas recorrentes como atualizações Android e segurança e funcionalidades de IA em smartphones. Porque, no fim, é isso que estes dois modelos estão a vender, mais do que um número no nome.
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