Conduzimos o Peugeot Polygon Concept em Portugal, e não foi na Playstation!

Há concept cars que servem apenas para mostrar linhas arrojadas e provocar reações nas redes sociais. E depois há outros, bem mais raros, que existem para testar ideias reais, tecnologias funcionais e novas formas de pensar o automóvel. O Peugeot Polygon Concept encaixa claramente neste segundo grupo.

Depois de ter sido apresentado no Salão Automóvel de Bruxelas, este protótipo único no mundo passou por Lisboa e, mais do que estar simplesmente em exposição, deu-nos algo ainda mais especial: a oportunidade de o conduzir. Mesmo que por poucos minutos e num ambiente controlado, foi suficiente para perceber que este não é apenas um exercício futurista, mas sim uma antevisão bastante concreta do que a Peugeot está a preparar para os próximos anos.

Um concept compacto com ideias grandes

À primeira vista, o Polygon Concept impressiona pelas proporções compactas. Com menos de 4 metros de comprimento, mostra que o futuro não passa obrigatoriamente por carros maiores, mas sim por veículos mais inteligentes, eficientes e bem pensados. O design é geométrico, limpo e com uma postura sólida, claramente felina, mantendo a identidade da marca mas a apontar para uma nova fase.

A assinatura luminosa em Micro-LED, tanto à frente como atrás, não serve apenas um propósito estético. Existe aqui uma forte componente funcional e comunicativa, com animações e padrões que fazem parte da linguagem visual do veículo. Alguns destes elementos parecem claramente pensados para chegar, de uma forma ou de outra, a modelos de produção.

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Hypersquare: quando o volante deixa de ser um volante

Mas o verdadeiro centro das atenções está no interior. O volante Hypersquare, associado à tecnologia Steer-by-Wire, muda por completo a forma como interagimos com o automóvel. Não há ligação mecânica entre o volante e as rodas. Tudo é feito de forma eletrónica, algo que pode soar estranho à partida, mas que rapidamente começa a fazer sentido assim que colocamos as mãos no Hypersquare.

A condução que realizámos foi curta e em espaço interior, mas bastaram os primeiros metros para perceber que esta solução tem um potencial enorme. A baixa velocidade, as manobras tornam-se incrivelmente simples e intuitivas. Não há necessidade de dar várias voltas ao volante, não há cruzar excessivo de braços, e tudo acontece de forma natural. O carro responde de imediato aos movimentos, com uma precisão que surpreende.

Mesmo sabendo que estamos num concept, a sensação não é de algo inacabado ou experimental. Pelo contrário. Existe aqui uma maturidade técnica que transmite confiança e que nos faz acreditar que esta tecnologia pode, de facto, chegar a um veículo de produção num futuro próximo.

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Steer-by-Wire: menos esforço, mais controlo

O Steer-by-Wire não é apenas uma curiosidade tecnológica. A forma como a direção se adapta à velocidade é um dos pontos mais interessantes. Em manobras lentas, o Hypersquare exige movimentos mínimos. Em velocidades mais elevadas, tudo se torna mais progressivo e estável, ajudando a manter a trajetória com grande precisão.

Mesmo num percurso curto, foi possível perceber que o feedback está lá, mas de forma filtrada. Não há vibrações desnecessárias, mas há informação suficiente para sabermos o que está a acontecer entre o carro e o piso. É uma abordagem diferente, claramente pensada para um novo tipo de condução, mais limpa, mais eficiente e, acima de tudo, menos cansativa.

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Um novo i-Cockpit onde o para-brisas é o ecrã

Outro dos elementos mais marcantes é a evolução do Peugeot i-Cockpit. Aqui, o painel de instrumentos tradicional desaparece por completo. Toda a informação é projetada diretamente no para-brisas através de um sistema Micro-LED colocado atrás do Hypersquare, criando um ecrã com o equivalente a 31 polegadas.

Durante a condução, esta solução faz todo o sentido. A informação está sempre no campo de visão, sem necessidade de desviar os olhos da estrada. É intuitivo, é claro e transmite uma sensação de segurança acrescida. Em ambiente parado, o sistema ganha uma dimensão quase artística, com animações visíveis também do exterior, criando uma ligação interessante entre o interior e o exterior do veículo.

Sustentabilidade aplicada, não apenas prometida

Um dos aspetos que mais gostei no Polygon Concept é a forma como a sustentabilidade não é tratada como um argumento de marketing, mas sim como parte integrante do projeto. O interior recorre a materiais reciclados de forma inteligente, desde tecidos forjados provenientes de bancos reaproveitados até componentes impressos em 3D com plástico reciclado.

Os bancos são um excelente exemplo disso. Com uma estrutura impressa em 3D e espuma moldada numa única peça, conseguem ser leves, confortáveis e visualmente diferentes de tudo o que estamos habituados a ver. Além disso, muitos destes elementos são modulares e facilmente substituíveis, o que abre a porta a uma maior longevidade do veículo e a uma personalização contínua ao longo do tempo.

Menos peças, menos peso, processos de fabrico mais simples e uma desmontagem mais eficiente no final da vida útil. Tudo isto contribui para um automóvel mais responsável, sem sacrificar o design ou a experiência.

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Detalhes exteriores que cheiram a produção

Durante o contacto com o Polygon Concept, houve pequenos pormenores na frente e na traseira que ficaram particularmente na memória. A forma como a assinatura luminosa é integrada, a utilização dos Micro-LED e a coerência visual do conjunto fazem-nos acreditar que várias destas soluções poderão, em breve, surgir de forma adaptada em modelos de produção.

O mesmo acontece com a filosofia geral do design. Apesar de ser um concept, não sentimos que estamos perante algo irrealista ou impossível de homologar. Pelo contrário. Existe aqui uma clara intenção de testar soluções que façam sentido no mundo real.

Três personalidades, um só carro

A Peugeot apresenta o Polygon Concept em três configurações distintas: Urban, Player e Explorer. Mais do que simples variações estéticas, estas versões mostram como o mesmo automóvel pode adaptar-se a diferentes estilos de vida e estados de espírito, algo que encaixa perfeitamente na lógica de personalização modular que a marca está a explorar.

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Será este Polygon Concept o futuro 208 ?

Uma experiência curta, mas reveladora

É verdade que a condução foi curta. Não deu para explorar limites, nem testar o comportamento em estrada aberta. Mas deu para algo talvez mais importante: perceber que muitas das ideias presentes neste concept são reais, funcionais e pensadas para chegar ao mercado.

O Peugeot Polygon Concept não é apenas um exercício de imaginação. É um sinal claro do caminho que a marca quer seguir, tanto ao nível da condução como da sustentabilidade e da interação entre condutor e automóvel.

Se este é o ponto de partida, o futuro da Peugeot promete ser, no mínimo, muito interessante.

Sobre o Autor

Bruno Xarope

Formado em Informática / Multimédia trabalho há 10 anos em Logística no Ramo Automóvel. Tenho uma paixão pelas Novas Tecnologias , cresci com computadores e tecnologias sempre presentes, assisti à evolução até hoje e continuo a absorver o máximo de informação sou um Tech Junkie. Viciado em Smartphones e claro no AndroidGeek.pt
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