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Meta muda de estratégia: Horizon Worlds abandona o foco no VR para conquistar os smartphones

21/02/2026 por Bruno Xarope

Meta muda de estratégia: Horizon Worlds abandona o foco no VR para conquistar os smartphones

O sonho de um metaverso totalmente imersivo e centrado em óculos de Realidade Virtual (VR) acaba de sofrer a sua maior reviravolta desde que o Facebook mudou de nome para Meta em 2021. Em fevereiro de 2026, a empresa liderada por Mark Zuckerberg anunciou uma reestruturação profunda: o Meta Horizon Worlds passa a ser uma plataforma “quase exclusivamente móvel”. Esta decisão marca o fim da visão original da empresa, que tentava forçar os utilizadores a adotar o hardware Quest para aceder ao seu ecossistema social.

Samantha Ryan, VP de Conteúdo da Reality Labs, confirmou que a Meta está agora a “separar explicitamente” a plataforma Quest VR da plataforma Worlds. Na prática, isto significa que o Horizon Worlds deixará de ser o centro das atenções nos óculos de VR, desaparecendo do ecrã principal do sistema operativo Horizon OS e da loja de aplicações VR. A Meta admite agora que o futuro do seu “metaverso” passa pelos ecrãs que as pessoas já têm nos bolsos, tentando competir diretamente com gigantes como Roblox e Fortnite.

O sucesso silencioso do mobile e o recuo no VR

A mudança não é apenas uma reação a uma tendência; é baseada em números claros de 2025. Durante o último ano, o número de mundos criados exclusivamente para dispositivos móveis no Horizon saltou de zero para mais de 2.000, e a base de utilizadores ativos mensais quadruplicou. A Meta percebeu que a barreira de entrada de um headset caro e desconfortável era o maior entrave ao crescimento. No seu interior, a estratégia agora foca-se em “jogos sociais síncronos à escala”, aproveitando a infraestrutura das redes sociais da empresa para ligar milhares de milhões de pessoas de forma imediata.

Para suportar esta nova fase, a empresa apresentou ferramentas de desenvolvimento avançadas: o Meta Horizon Studio e o Meta Horizon Engine. Estas tecnologias foram desenhadas de raiz para permitir que os mundos carreguem mais rápido em smartphones e ofereçam gráficos superiores aos que o antigo motor (focado em VR) conseguia entregar num ambiente móvel. Além disso, a Meta está a introduzir novas formas de monetização, como passes de temporada e pacotes de itens exclusivos, numa tentativa clara de atrair os criadores que hoje preferem outras plataformas.

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Reality Labs em reestruturação: Cortes e novo foco em IA

Apesar do otimismo em torno da estratégia móvel, nem tudo são boas notícias nos escritórios da Meta. A divisão Reality Labs, responsável por todo o desenvolvimento de hardware e metaverso, sofreu um corte de cerca de 10% na sua força de trabalho no início de 2026 — afetando aproximadamente 1.500 colaboradores. Este “ajuste de investimento” surge num momento em que Mark Zuckerberg redireciona grande parte dos recursos financeiros da empresa para o desenvolvimento de hardware de Inteligência Artificial e wearables, como óculos inteligentes com assistentes de voz avançados.

No lado do hardware VR, o foco mudou drasticamente. Em vez de produzir os seus próprios jogos “blockbuster” para tentar vender headsets, a Meta vai agora focar-se em apoiar estúdios de terceiros. A empresa fechou vários estúdios internos de desenvolvimento de jogos VR e colocou aplicações populares, como a Supernatural (de fitness VR), em modo de manutenção. A mensagem é clara: a Meta quer ser a fornecedora do sistema operativo e da infraestrutura, mas já não quer ser a única responsável por criar o conteúdo que torna o VR interessante.

O que isto significa para o utilizador comum?

Se tens uns óculos Quest, vais notar que o ambiente se tornará mais focado em aplicações e jogos de terceiros, como uma consola tradicional, perdendo o aspeto de “rede social 3D”. Se és utilizador de smartphone, prepara-te para ver o Horizon Worlds integrado cada vez mais no teu feed do Instagram e do Facebook. A Meta quer que entrar num jogo ou num espaço social virtual seja tão fácil como clicar num link de uma story.

Esta mudança para o formato móvel é uma admissão de que o mercado de VR está a crescer de forma muito mais lenta do que o esperado. Ao posicionar o Horizon Worlds como uma plataforma social gaming para smartphones, a Meta tenta salvar o seu investimento bilionário, esperando que, ao conquistar os utilizadores no telemóvel hoje, eles possam eventualmente migrar para o VR no futuro, quando a tecnologia for mais leve e acessível.

Conclusão

A Meta está finalmente a render-se à realidade do mercado em 2026. Ao abandonar a obrigatoriedade do VR para o seu metaverso e focar-se no “mobile-first”, a empresa admite que a revolução imersiva ainda está longe de acontecer. O Horizon Worlds tem agora a difícil tarefa de roubar utilizadores ao Roblox e ao Fortnite, mas com a vantagem de estar integrado nas maiores redes sociais do mundo. Se esta pivotagem será suficiente para justificar os 80 mil milhões de dólares já perdidos pela Reality Labs, só o tempo dirá. Para já, o metaverso deixou de ser um mundo de óculos pesados para passar a ser, mais uma vez, apenas uma aplicação no teu ecrã.

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Sobre o Autor

Bruno Xarope

Formado em Informática / Multimédia trabalho há 10 anos em Logística no Ramo Automóvel. Tenho uma paixão pelas Novas Tecnologias , cresci com computadores e tecnologias sempre presentes, assisti à evolução até hoje e continuo a absorver o máximo de informação sou um Tech Junkie. Viciado em Smartphones e claro no AndroidGeek.pt
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