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Huawei ultrapassa Apple nas vendas de tablets na China no Q4 2025

05/04/2026 por Joao Bonell

Huawei ultrapassa Apple nas vendas de tablets na China no Q4 2025

Na China, o mercado de tablets raramente dá margem para surpresas. E, no entanto, aconteceu. A Huawei voltou a ficar à frente da Apple no quarto trimestre de 2025, por uma diferença pequena, sim, mas suficiente para dizer muito sobre o momento da marca e sobre o que as sanções não conseguiram travar.

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Porque não é só “ganhar por pouco”. É ganhar num segmento onde o iPad ainda é a referência mental para muita gente. E é fazê-lo num contexto em que a Huawei continua a operar com limitações reais no acesso a tecnologias e ecossistemas globais. Parece simples, mas não é.

Números do Q4 2025: liderança por margem curta, impacto grande

De acordo com um relatório recente da Omdia sobre o mercado chinês de tablets no Q4 2025, a Huawei terá expedido cerca de 2,4 milhões de tablets. Isso traduz-se em 26% de quota de mercado. A Apple ficou logo atrás, com 2,3 milhões de unidades e 25% de quota.

É uma diferença mínima. Quase desconfortável. Mas é precisamente aí que a leitura fica interessante: quando a disputa é taco a taco, a liderança costuma pertencer a quem está a acertar melhor no produto e no canal, não apenas a quem tem “nome”. Ou melhor, o nome ajuda, mas não chega.

O relatório aponta ainda para um crescimento anual de 13% da Huawei, atribuído sobretudo a novos lançamentos. E isto importa porque sinaliza continuidade. Não foi um pico isolado, pelo menos não parece.

Huawei forte apesar das sanções: o ecossistema local como arma

Há uma ideia que se repete desde 2019: a Huawei iria encolher até deixar de contar. Só que, na prática, a história tem sido mais irregular. Nalguns segmentos perdeu força, noutros reinventou-se, e nos tablets tem mostrado uma consistência que já não dá para tratar como “curiosidade de mercado”.

As sanções limitaram acesso a componentes, software e parcerias. Certo. Mas também empurraram a Huawei para uma verticalização mais agressiva e para um foco quase obsessivo no mercado doméstico. E a China, convém não esquecer, é um mercado que por si só consegue sustentar volumes que noutros países seriam “globais”.

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Além disso, a Huawei tem vindo a amarrar tablets, PCs e smartphones numa lógica de continuidade de utilização, muito centrada no seu próprio ecossistema. Não é exactamente a mesma experiência que um iPad com iPhone e Mac, mas a intenção é clara. E, para muitos utilizadores na China, é suficiente. Para outros, é até preferível.

Se tens acompanhado a forma como a marca tem reposicionado o seu hardware, vale a pena espreitar também o que tem sido dito sobre o ecossistema da Huawei e como ele tem mudado de tom. Não é um detalhe. É o centro da estratégia.

MatePad: mais do que iterações, uma tentativa de criar categorias

O relatório refere que, além de novas versões de modelos existentes, a Huawei apresentou propostas como o MatePad Mini e o MatePad Edge 2-in-1. São nomes que, por si só, já sugerem uma abordagem diferente: formatos mais específicos, mais segmentação, mais tentativa de ocupar espaços onde o iPad não está tão “presente”.

Não é só lançar mais um tablet. É lançar um tablet com um argumento. Um formato. Um posicionamento. Dito assim parece simples, mas é uma mudança de mentalidade: em vez de tentar bater o iPad no terreno do iPad, a Huawei tenta puxar a conversa para outras necessidades, outros usos, outras preferências.

E depois há o factor “atenção”. Quando um produto foge ao padrão, cria-se conversa, cria-se curiosidade. Nem sempre isso se traduz em vendas, mas no caso da Huawei parece estar a traduzir-se, pelo menos neste trimestre.

Apple em segundo, mas também a crescer: o mercado não é um jogo de soma zero

A Apple surge em segundo lugar, mas com crescimento positivo. Isto é relevante porque desmonta a leitura simplista de que “se a Huawei sobe, a Apple cai”. Não exactamente. O mercado pode estar a expandir ou a renovar-se, com mais compradores a entrar e mais ciclos de substituição a acontecer.

O iPad continua a ser um produto muito sólido e, para muitos, a escolha óbvia. Só que a escolha óbvia começa a ter concorrência séria, com alternativas que já não são “baratas e fracas”, mas sim propostas com ambição e com algum brilho técnico.

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Se a Apple mantém crescimento mesmo ficando em segundo, isso sugere que a disputa em 2026 pode ser ainda mais apertada. E, sim, a margem curta deixa tudo em aberto.

Lenovo dispara, Xiaomi recua, Honor perde terreno: o resto do pelotão mexe-se

O top 5 fecha com mudanças que também merecem atenção, mesmo que a manchete seja Huawei vs Apple. A Lenovo ficou em terceiro lugar com 1,1 milhões de unidades no Q4 2025, um salto grande face ao Q4 2024 (0,6 milhões). O relatório aponta para um crescimento de 66%.

A Xiaomi aparece em quarto com 0,9 milhões de unidades e 10% de quota, mas com uma queda de 15%. Já a Honor fecha o top 5 com uma descida de 13%. Ou seja: há marcas a ganhar tracção e outras a perder fôlego, o que sugere um mercado mais volátil do que parece à primeira vista.

Na prática, isto também pressiona a Apple. E pressiona a Huawei. Porque quando a Lenovo cresce assim, e quando a Xiaomi tem capacidade para recuperar rapidamente com uma linha certa, ninguém pode assumir que a fotografia de um trimestre é a mesma do seguinte.

O que muda para 2026: liderança é uma coisa, sustentá-la é outra

A pergunta óbvia é se a Huawei vai manter a liderança em 2026. Não há resposta fechada. E talvez nem deva haver. Porque a liderança, especialmente por uma margem tão curta, depende de detalhes: calendário de lançamentos, disponibilidade em canal, promoções, e até decisões de compras institucionais.

Mas há algo que já mudou. A Huawei voltou a provar, com números, que mesmo com sanções consegue competir no topo. Não como excepção, mas como padrão recorrente. E isso obriga o resto do mercado a ajustar expectativas e estratégias.

Para quem segue o Android e os ecossistemas alternativos, este tipo de movimento é um sinal de que 2026 pode trazer mais diversidade real no segmento. Se quiseres acompanhar como outras marcas têm respondido, fica atento às novidades em tablets Android e ao que está a acontecer no hardware na China, que muitas vezes antecipa tendências.

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No fim, a margem de 0,1 milhões de unidades entre Huawei e Apple é pequena. Mas a mensagem por trás dela é grande. E, por enquanto, fica no ar a pergunta que interessa: será que a Huawei está a construir uma liderança sustentável… ou apenas a ganhar tempo enquanto o mercado volta a baralhar?

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Sobre o Autor

Joao Bonell

Fundador do Androidgeek.pt. Trabalho em tecnologia há mais de dez anos. Apaixonado por tecnologia, Publicidade, Marketing Digital, posicionamento estratégico, e claro Android.
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