Google Search está a morrer? A revolução da IA muda tudo nas pesquisas online

 

Durante décadas, o Google Search foi a principal porta de entrada para a internet. Sempre que precisávamos de respostas, lá estava o omnipresente motor de busca da Google, pronto para nos encaminhar para o site certo. Mas os tempos estão a mudar. E se estivermos a assistir ao início do fim do Google Search como o conhecemos?

A Inteligência Artificial está a mudar o jogo

Segundo a empresa de análise Semrush, cerca de 20% de todo o tráfego online para os principais websites ainda começa com uma pesquisa no Google. No entanto, esse número está em queda. A Similarweb aponta que 10% das referências perdidas por motores de busca tradicionais estão a ser absorvidas por motores de busca baseados em inteligência artificial, como o ChatGPT, Perplexity AI e até o Gemini — a aposta da própria Google nesta nova era.

Ou seja, ferramentas baseadas em IA generativa já estão a mudar a forma como procuramos e consumimos informação. E esta mudança não está limitada aos smartphones. Os desktops, antes domínio exclusivo dos motores de busca clássicos, também estão a assistir a esta viragem.

The Best AI Search Engines: A Comprehensive Guide | by Saiwa | Medium

Apple e Google empurram os utilizadores para a IA

Num cenário ainda mais curioso, a própria Apple facilitou o acesso ao ChatGPT nos iPhones, permitindo ligar o chatbot diretamente ao Action Button e até adicionar widgets no ecrã principal. Esta integração nativa é um claro incentivo à adoção de IA em detrimento da pesquisa tradicional.

Entretanto, o Google está a substituir o seu Google Assistant pelo Gemini, integrando progressivamente a IA nos dispositivos Android. Em vez de ajudar o utilizador a chegar ao site com a resposta, o objetivo passa agora por dar a resposta diretamente, sem que o utilizador precise de sair da página de resultados.

AI Overview: o canibalismo do próprio Google

Tentando não perder o comboio da revolução, a Google lançou o AI Overview, uma funcionalidade no Google Search que coloca respostas geradas por IA no topo da página de resultados. Para quem faz uma pesquisa, isso significa respostas instantâneas e supostamente mais relevantes. Mas para os donos de websites, isto representa um problema grave: perda de tráfego.

Segundo dados da Similarweb, pesquisas com AI Overview geram apenas 23% de cliques para websites, enquanto as pesquisas tradicionais (sem IA) geravam 36%. A Ahrefs foi mais longe e revelou que a presença do AI Overview mais do que duplicou entre março e maio de 2025, tornando-se uma presença quase constante nas pesquisas.

Para muitos websites, isto é uma ameaça direta à sua sobrevivência digital.

Empresas começam a sentir os efeitos

O impacto desta transição já está a ser sentido. A Business Insider, por exemplo, despediu 21% da sua equipa em maio. A CEO Barbara Pen foi clara: o modelo de negócio baseado em tráfego de pesquisa “está sob pressão”, com a distribuição de conteúdos mais instável do que nunca.

A situação da Chegg, empresa focada em educação online, é ainda mais dramática. As ações da empresa despencaram de $15,1 mil milhões para apenas $144 milhões. O CEO, Nathan Schultz, apontou o dedo à própria Google, responsabilizando diretamente o AI Overview pela queda acentuada no tráfego. A empresa avançou com um processo judicial, acusando a Google de abusar da sua posição dominante para exibir conteúdos de terceiros em respostas IA sem autorização.

AI Search Unlocks Your Data to Deliver the Answers You Need

O futuro do Google Search está em risco?

A verdade é que o futuro do Google Search está em jogo. A empresa sabe que a pesquisa, como modelo de negócio, está em transição. O foco agora está em tornar o Gemini uma marca AI de referência, capaz de competir com o ChatGPT e outros sistemas avançados.

A pergunta que se impõe é simples: será que o Google Search vai sobreviver a esta revolução da inteligência artificial? Ou estamos a assistir ao nascimento de um novo paradigma onde o conhecimento já não passa por cliques em links, mas por respostas instantâneas geradas por modelos de linguagem?

Conclusão: um ponto de viragem inevitável

Se há algo certo, é que a forma como procuramos e recebemos informação mudou para sempre. A era dos motores de busca clássicos está a dar lugar a uma internet mais preditiva, personalizada e centralizada na IA. Isso traz conveniência, mas também levanta questões sérias sobre visibilidade, sustentabilidade de conteúdo e até controle da informação.

A Google pode até resistir por mais algum tempo, mas o modelo que a tornou dominante está sob ataque — vindo da própria tecnologia que ajudou a criar.

 

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Sobre o Autor

Bruno Xarope

Formado em Informática / Multimédia trabalho há 10 anos em Logística no Ramo Automóvel. Tenho uma paixão pelas Novas Tecnologias , cresci com computadores e tecnologias sempre presentes, assisti à evolução até hoje e continuo a absorver o máximo de informação sou um Tech Junkie. Viciado em Smartphones e claro no AndroidGeek.pt
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