Ensaio Abarth 600e Scorpionissima, o escorpião elétrico picou-me!

Sou um fã de automóveis, sempre fui. Para mim, a condução é uma experiência sensorial. É o cheiro da gasolina, a vibração do motor ao ralenti, o crescendo mecânico de uma caixa de velocidades bem escalonada. E no centro desse universo cheio de paixão, sempre esteve um nome, Abarth e o veneno do escorpião.

Por isso, confesso, quando a Abarth anunciou a sua eletrificação total, e em particular este NOVO ABARTH 600e, o meu coração de “petrolhead” ficou apreensivo. Como é que se pode traduzir a raça, o barulho, a alma rebelde de Carlo Abarth para o silêncio de um motor elétrico?

A resposta da marca foi provocadora, pois prometeram o Abarth mais potente de sempre. Uma afirmação ousada. Tive, finalmente, a oportunidade de passar uns dias ao volante da edição de lançamento, o 600e Scorpionissima, para descobrir se esta nova era elétrica mantém o veneno intacto ou se é apenas um exercício de marketing.

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Conclusão rápida? A picada é real. É diferente, mais tecnológica, mas é inegavelmente Abarth.

Design

O primeiro contacto visual é crucial. E o Abarth 600e Scorpionissima não desilude. Estacionado à minha espera, na cor exclusiva “Pintura Pastel Roxo Hypnotic” (que, curiosamente, é uma opção de 0€ neste modelo de lançamento), o carro é tudo menos discreto.

Esqueçam o Fiat 600e de que deriva. Este carro foi “anabolizado” no centro de estilo da Abarth. A postura é larga, musculada. As cavas das rodas são preenchidas na perfeição pelas enormes Jantes em Liga Leve de 20 polegadas, um tamanho quase absurdo para um crossover compacto, mas que lhe confere uma presença em estrada inegável. Por trás delas, espreitam as Pinças de travão Alcon verdes, um detalhe que grita “performance” e que faz parte do Pack Scorpion Design.

A frente é agressiva, com um “splitter” pronunciado e o nome Abarth orgulhosamente exibido. A traseira, com o seu spoiler e difusor, completa um pacote visual que honra o lema: “Nascido na pista, melhorado na estrada”. Os vidros traseiros escurecidos dão-lhe um ar misterioso e coeso. Este não é um carro elétrico que pede desculpa por existir; é um “hot hatch” elétrico que exige ser visto.

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Interior

Abrir a porta é o segundo ato desta peça, somos imediatamente recebidos por um ambiente que é 50% carro de corrida, 50% gadget tecnológico. O cheiro é a Alcantara e a novo. O olhar é imediatamente roubado pelas bancos Sabelt, e que bancos! A própria marca descreve-os como tendo ergonomia de competição, e não é exagero. São baquets de apoio lombar e lateral fantásticos, desenhados para nos deixar fugir do lugar. Não são os sofás mais confortáveis para uma viagem de 500 km, mas para um carro que promete uma condução dinâmica, são perfeitos. Asseguram desempenho, dinâmica e apoio à condução.

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As minhas mãos agarram um volante desportivo, grosso, com a marca do escorpião. Os pés encontram pedais em alumínio, a posição de condução é excelente.

À minha frente, um painel de instrumentos a cores TFT 7″ exibe a informação de forma clara e desportiva. Ao centro, o ecrã de Rádio tátil de 10,25″ com Navegação, Apple CarPlay e Android Auto é o cérebro do sistema. É rápido, intuitivo e completo.

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Esta versão Scorpionissima vem completa de equipamento. O Pack Scorpion Tech é de série e inclui tudo o que se pode esperar de um topo de gama:

  • Condução Assistida de Nível 2 com Traffic Jam
  • Câmara de estacionamento e Sensores de estacionamento Drone View 360°
  • Monitorização de ângulos mortos
  • Carregador smartphone por indução
  • Keyless Entry & Go

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É um cockpit que nos faz sentir especiais. A qualidade está lá, mas o foco está, inequivocamente, na experiência do condutor.

Potência

Carrego no botão Start e o silêncio é… estranho. Num Abarth, esperamos o ronco, a explosão. Mas aqui, o que temos é o gerador de som do motor. E este é, talvez, o ponto mais polémico do carro. É um som artificial? Sim. É uma gravação? Sim.

Mas sabem que mais? Ao fim de 10 minutos, eu já estava rendido. A Abarth fez um trabalho notável para que este som não pareça um videojogo barato. Ele sobe de tom com a aceleração, reage ao acelerador e dá-nos o feedback auditivo que, de outra forma, faria falta. Não é um escape Record Monza, mas dá ao carro um caráter que o distingue de qualquer outro elétrico no mercado.

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Para controlar a alma da “fera”, temos o seletor do modo de condução EV, com três personalidades distintas.

  • Turismo: O modo “civilizado”. A potência é limitada, a resposta é suave, a autonomia é maximizada. É perfeito para o trânsito da cidade ou para levar a família.
  • Scorpion Street: O modo “divertido”. Aqui as coisas começam a ficar sérias. A resposta do acelerador é mais viva, a travagem regenerativa é mais forte e o Gerador de Som fica mais presente.
  • Scorpion Track: O modo “besta”. É aqui que o 600e se transforma. Este modo liberta todo o potencial do carro.

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Mudo o modo de condução para Scorpion Track e pé a fundo. A sensação é de pura, implacável e silenciosa (à exceção do gerador de som) brutalidade. Os números oficiais são impressionantes: 280cv (ou 207kW) e 345 Nm de binário máximo. Estes números são entregues instantaneamente. A aceleração de 0 a 100 km/h faz-se em 5,85 segundos, e a sensação que dá é de ser ainda mais rápido. O carro simplesmente dispara, colando-nos às baquets Sabelt sem qualquer hesitação. A velocidade máxima está limitada aos 200 km/h.

Mas, como qualquer fã de Abarth sabe, a velocidade em linha reta é apenas metade da equação. O verdadeiro teste é nas curvas.

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E é aqui que o Abarth 600e me surpreendeu. Sendo um tração dianteira com tanto binário instantâneo, a minha expectativa era uma luta constante com o volante, o chamado “torque steer”. Mas essa luta não existe. Porquê? A resposta tem um nome, diferencial autoblocante Torsen da JTEKT.

Este componente mecânico é o coração da dinâmica do carro. Em vez de o carro alargar a trajetória e patinar com a roda interior, o diferencial melhora as trajetórias, e oferece tração superior nas curvas, o resultado é mágico. Apontei o carro a curvas fechadas, acelerei cedo, e o 600e simplesmente agarrou-se ao asfalto e puxou-me para dentro do ápex. É uma eficácia de tração fenomenal, que dá uma confiança absoluta ao condutor.

A isto, junta-se uma suspensão fantástica. Temos amortecedores hidráulicos desportivos à frente e atrás, que conseguem um equilíbrio notável entre firmeza (necessária para controlar o peso) e conforto (suficiente para não nos partir as costas). Os pneus Michelin, desenvolvidos especificamente para estes 280cv, oferecem um “excelente nível de aderência, tanto em piso seco como em piso molhado”.

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Parar a fera e viver com ela!

Tanta potência e peso (os elétricos são pesados) exigem um sistema de travagem à altura. E o Abarth 600e está mais do que servido. A marca foi buscar os especialistas da Alcon. O resultado são uns impressionantes discos dianteiros de Ø 380 x 32 34e traseiros de Ø 268 x 12.

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A mordida é potente, o pedal é firme e, mais importante, mostraram uma resistência incrível. A Alcon garante “melhor dissipação de calor e resistência ao desgaste”, e eu acredito. Mesmo depois de uma condução mais “entusiasmada”, os travões mantiveram-se firmes e eficazes.

Claro, temos de falar do “elefante na sala” de qualquer elétrico, a bateria e a autonomia. O 600e vem equipado com uma bateria de 54 kWh. A marca anuncia uma autonomia elétrica de até 321 km em ciclo combinado WLTP e um consumo combinado de 18.7 kWh/100km.

Sejamos honestos: no meu teste, a abusar do modo “Scorpion Track”, o consumo foi… superior. É o preço a pagar pela diversão. No entanto, em utilização mista (cidade e autoestrada) e usando os modos “Turismo” e “Scorpion Street”, a autonomia anunciada parece perfeitamente realista.

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Para o dia a dia, a capacidade de carregamento é excelente. Em casa, com o On Board Charger de 11kW, uma carga completa (0-100%) demora 5h45m. Na estrada, o carregamento rápido de 100kW permite carregar dos 0% aos 80% em apenas 27 minutos. É o tempo de tomar um café e voltar à estrada.

O preço do veneno elétrico

O Abarth 600e Scorpionissima não é um carro barato. O modelo que testei, com todos os impostos e despesas, tem um P.V.P final de 49 345 €. Este preço inclui 345 € pelo cabo de carregamento Type 2 opcional. A gama começa nos 43 650€ , mas esta versão de lançamento vem absolutamente recheada de equipamento de série, desde o Pack Winter (Bancos dianteiros aquecidos) aos packs Scorpion Design e Tech. A juntar a isto, temos a tranquilidade de 4 Anos de Garantia ou 100.000 quilómetros.

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Será o Abarth 600e, um verdadeiro Abarth?

A minha resposta é um sim inequívoco. É um Abarth diferente, é um Abarth do século XXI. Perdeu o barulho caótico do escape, mas ganhou uma eficácia e uma aceleração brutal que o motor a combustão, nesta plataforma, nunca conseguiria igualar.

A alma do escorpião não estava apenas no barulho, estava na atitude, na resposta imediata, na capacidade de transformar um carro do dia a dia numa máquina de diversão. E isso, o 600e Scorpionissima tem de sobra. A combinação do motor de 280cv, o fantástico diferencial Torsen e a travagem Alcon criam um pacote de performance viciante.

O Abarth 600e Scorpionissima não é apenas o Abarth mais potente de sempre, é a prova de que o veneno elétrico pode ser tão ou mais excitante que o de combustão. O escorpião picou-me, e eu já estou com saudades. A questão que paira sempre é só o seu preço, mas isso já é tema para um artigo separado.

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Sobre o Autor

Bruno Xarope

Formado em Informática / Multimédia trabalho há 10 anos em Logística no Ramo Automóvel. Tenho uma paixão pelas Novas Tecnologias , cresci com computadores e tecnologias sempre presentes, assisti à evolução até hoje e continuo a absorver o máximo de informação sou um Tech Junkie. Viciado em Smartphones e claro no AndroidGeek.pt
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