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Está aberta a época de hacking eleitoral

CHKP), fornecedor global líder em soluções de cibersegurança, alerta para o perigo de interferência no ato eleitoral europeu que aproxima-se, por parte de redes cibercriminosas. Não a ser algo recente, remontando mesmo à década de 40 do séc.

A equipa de investigação da Check Point Software Technologies Ltd. (NASDAQ: CHKP), fornecedor global líder em soluções de cibersegurança, alerta para o perigo de interferência no ato eleitoral europeu que aproxima-se, por parte de redes cibercriminosas. Não a ser algo recente, remontando mesmo à década de 40 do séc. XX, atualmente o teatro de operações de manipulação de informação é uma das maiores ameaças na guerra entre estados nações.

Num ano em que se contabilizam mais de 90 atos eleitorais em todo o mundo, este é um dos vetores de atração para a atividade criminosa. Apesar de Portugal ser um dos países da União Europeia em que a percentagem de cidadãos que teme a possibilidade de intervenientes externos e grupos criminosos influenciem as próximas eleições europeias é mais baixa, esta é uma tendência que deve ser acautelada com todos os cuidados necessários. Com o foco nas eleições europeias, diversas empresas globais preparam-se para disponibilizar ferramentas de combate à contra-informação e fake news, como é o caso da Google e Facebook.

A Check Point Software através da sua rede de análise e deteção de atividades cibercriminosas, Threat Cloud Map, irá monitorizar e alertar para as diversas acções maliciosas suspeitas que possam vir a ser detetadas.

A subtil arte da manipulação

Como foi possível assistir na célebre alegada interferência da Rússia nas eleições dos Estados Unidos, em 2016, o método de destaque para hackear uma eleição envolve a adulteração dos sistemas informáticos de votação. Este é o método que muitos reconheceriam devido à divulgação mediática massiva, que existiu sobre o tema.

Um dos relatos divulgados é de um rapaz de 11 anos que conseguiu encontrar vulnerabilidades num mock-up do site das eleições no Estado da Flórida e conseguiu invadir o site falso para alterar o total dos votos que já estavam registados. Todo este processo demorou menos de 10 minutos. No entanto existem abordagens mais subtis, igualmente subversivas, que permitem aos cibercriminosos, tanto estrangeiros como domésticos, quebrarem as regras ou até mesmo reinventá-las da forma mais vantajosa para si sem sequer chegarem perto de uma urna de votação.

Desde 2016, as campanhas de propaganda digital e desinformação têm se tornado cada vez mais sofisticadas. Isto ocorre porque os agentes das ameaças têm mostrado um maior interesse em explorar as vulnerabilidades dos sistemas de votação internacionais e, por outro lado as redes sociais são particularmente vulneráveis a campanhas de desinformação organizadas, como foi possível verificar pela controvérsia á volta da consultora política Cambridge Analytica.

Muitos acreditam que o enviesamento dos resultados deve-se às milhares de contas falsas no Twitter ou Facebook, criadas para esse efeito – o que constitui uma verdade apenas parcial.

A razão para isto acontecer deve-se ao facto de, nas semanas que antecedem o dia da eleição, os eleitores serem inundados com mensagens políticas, e o barramento resultante acaba por limitar o impacto de qualquer mensagem individual, seja ela boa ou má. Em vez disso, uma abordagem mais subtil, porém mais eficiente e poderosa consiste em influenciar a própria narrativa das notícias. Ao fazê-lo as forças externas impactam de forma significativa a definição da agenda, dando especial destaque a histórias específicas no ciclo das notícias através das redes sociais e assim influenciando o resultado político.

Agir no momento certo

Os eleitores têm ideias preconcebidas e preconceitos cognitivos sobre o modo como planeiam votar. Por essa razão, e de acordo com pesquisas sobre comunicação política, os media perdem a sua eficácia quando tentam dizer às pessoas a forma como estas devem pensar. No entanto, na grande maioria das vezes, estes são os meios de comunicação mais bem-sucedidos a dizer aos utilizadores como estes devem pensar.

Assim, não são necessariamente as centenas de mensagens sobre determinado assunto, publicadas por bots as mais efectivas quando se trata de hackear uma eleição. Em vez disso, os escândalos previamente programados e estrategicamente disseminados nos dias que antecedem as eleições têm na grande maioria das vezes um maior impacto quando toca a dominar a narrativa. Desta forma, entidades estrangeiras, podem de forma clandestina tentar influenciar a mentalidade popular, através da publicação de notícias falsas.

Fake It ‘Till You Make It

A desinformação durante as eleições não é nada de original. Mas na quinta geração do panorama das ciberameaças, a desinformação e as fake news são agora propagadas de formas cada vez mais sofisticadas. Graças ao desenvolvimento da tecnologia, as ferramentas que começaram de forma rudimentar – contas falsas nas redes sociais que divulgavam mensagens pouco sofisticadas de forma massiva – alcançaram nos dias de hoje elevados níveis de maturidade.

No centro deste desenvolvimento encontra-se a Inteligência Artificial (IA), que permite que o computador se adapte em tempo real e crie conteúdos cada vez mais credíveis e naturais. Chegámos a um ponto em que os próprios criadores dessas ferramentas as reconhecem como a ser demasiado perigosas para serem lançadas. Um dos exemplos é o Project Debator, um computador que tem a capacidade de gerar conteúdo original e persuasivo, bem como responder a argumentos alternativos que lhe sejam apresentados, tudo isto em tempo real.

Estas ferramentas não estão disponíveis apenas para a produção de conteúdos de texto. Um dos principais feitos já alcançados é a criação de conteúdo de fake vídeo, praticamente indistinguível do verdadeiro. Numa altura em que o vídeo é meio preferido de milhões de utilizadores devido ao uso de smartphones, o agente das ameaças através da utilização de vídeos “Deep Fake”, pode ditar a narrativa através da utilização da imagem do candidato político em situações que nunca aconteceram, na realidade. Quando a verdade dos fatos é finalmente descoberta, o prejuízo já está feito.

Segundo a Check Point, uma das razões pela qual isto pode estar a acontecer prende-se com o facto destas ferramentas não terem a quantidade de informação e visibilidade que as plataformas de social media.

Embora seja um debate bastante quente, sobre até que ponto essas plataformas são responsáveis por verificar o conteúdo partilhado nelas, torna-se clara a necessidade de cooperação e colaboração entre as elas e entidades externas, quer sejam governos ou empresas privadas, que tenham interesse em suprimir os potenciais danos que podem ser causados a outros utilizadores. Sem este tipo de acções é provável que se vejam mais ataques em todos os etapas do processo de votação e as consequências de tais interferências externas.

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