Neste artigo vão encontrar:
TV, Shorts e podcasts: os novos pilares da audiência
Se o YouTube começou no computador, hoje é na televisão que o público mais o consome. Dados partilhados revelam que são visualizadas mais de mil milhões de horas de conteúdo por dia no ecrã da sala de estar. Nos EUA, a TV já ultrapassou os smartphones como principal dispositivo de visualização.
- No Reino Unido: +15 milhões de horas diárias no ecrã da TV
- Na Alemanha: +10 milhões de horas diárias
- Em França: +5 milhões de horas diárias
Paralelamente, o YouTube Shorts explodiu: mais de 200 mil milhões de visualizações diárias, demonstrando a força dos vídeos curtos. E o áudio também entra na equação com os podcasts em vídeo, que acumulam mil milhões de visualizações mensais.

O poder dos fãs: de espectadores a criadores culturais
Mohan foi incisivo: os fãs deixaram de ser passivos. Hoje são eles quem molda a cultura, impulsionando conteúdos spin-off, memes, reações e vídeos de resposta que geram milhares de milhões de visualizações adicionais. Este fandom ativo tornou-se numa força criativa que desafia até os media tradicionais.
Veo 3: IA vai integrar o YouTube Shorts este verão
O passo seguinte? A inteligência artificial. Mohan anunciou a integração do Veo 3 — o mais recente modelo de IA da Google para geração de vídeo — no YouTube Shorts. Este modelo cria vídeos a partir de texto e áudio, abrindo novas portas para criadores sem recursos técnicos ou tempo para produção complexa.
Estamos a caminhar para um cenário onde uma ideia escrita se transforma num vídeo viral em segundos. Que impacto terá isto na autenticidade, na criatividade ou até na autoria?
“Open call”: a ponte entre marcas e criadores
Outro destaque do evento foi a apresentação da funcionalidade “open call” do YouTube BrandConnect, uma espécie de “marketplace criativo” onde marcas podem publicar briefings e receber propostas de criadores com vídeos já produzidos.
Como funciona:
- Marca publica briefing criativo
- Criadores respondem com vídeos
- Marca aprova e promove os vídeos
- Resultados são avaliados com dados integrados
Isto democratiza o acesso à monetização — até pequenos criadores podem agora candidatar-se a campanhas de grandes marcas, como a L’Oréal, que reforçou a importância desta abordagem na sua estratégia.
As marcas precisam dos criadores. Mas os criadores precisam da liberdade.
Haley Kalil, criadora do YouTube, resumiu a equação da parceria ideal: “Dar-nos liberdade criativa é fundamental”. Do outro lado, Sean Downey reforçou que “os criadores não são apenas canais — são storytellers culturais com impacto real”.
Esta simbiose entre autenticidade e estratégia revela um novo modelo de marketing: menos intrusivo, mais envolvente. Os criadores não vendem produtos, vendem confiança. E segundo um estudo da Google/Ipsos, os utilizadores têm 98% mais probabilidade de confiar em recomendações de criadores do que em anúncios de redes sociais tradicionais.
E os próximos 20 anos?
Neal Mohan arrisca uma previsão arrojada: a criatividade no YouTube será mais híbrida, mais coletiva e amplificada pela IA. Os criadores serão embaixadores culturais, líderes de opinião e motores económicos.
Num mundo de algoritmos, talvez o maior diferencial continue a ser a humanidade por trás da câmara. O talento, o improviso, a ligação emocional. A IA pode ajudar a acelerar o processo — mas a faísca da criatividade continuará a vir de quem carrega no botão de gravação.
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