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Watson: A tecnologia ao serviço da saúde e da qualidade de vida

O nome Watson pode lembrar-nos o companheiro de Sherlock Holmes, uma personagem fictícia que conhecemos do mundo que povoa as histórias criadas por Sir Arthur Conan Doyle.

Esta obra incontornável da literatura britânica é uma coleção de 12 histórias tendo sido a primeira publicada em 1887. Nelas, Dr. Watson surge invariavelmente retratado como um médico. Apesar das diversas adaptações a que foi sujeita ao longo dos anos, quer seja no teatro, televisão, cinema ou literatura, Watson é retratado como um homem inteligente, leal, muito astuto e no fundo o arquétipo do cavalheiro inglês da época vitoriana, marcada pelo romantismo que influenciava a vida cultural da altura.
Mas não é sobre as aventuras de Sherlock Holmes, nem sobre o Dr. Watson que tencionamos falar aqui, mas sim sobre o sistema Watson desenvolvido pela IBM. Já anteriormente abordamos o papel da inteligência artificial nas nossas vidas e o potencial que se adivinha num futuro não muito longínquo, onde cada vez mais o nosso dia-a-dia está intimamente ligado aos progressos e serviços que esta área oferece. Mas se há IA que pode revolucionar a nossa vida, então o Watson da IBM, é mesmo um forte candidato a esse papel.

Watson: A tecnologia ao serviço da saúde e da qualidade de vida 1

Mas vamos antes de mais, focar-nos naquilo que o define e no objetivo primordial queimpulsionou a sua criação e desenvolvimento constante. Watson é um computador de resposta em linguagem natural a questões de atendimento, desenvolvido no projeto DeepQA da IBM, por uma equipa de pesquisa liderada pelo investigador principal David Ferrucci. Na verdade, foi-lhe dado o nome Watson em homenagem ao primeiro CEO da IBM que ocupou o cargo entre 1914 e 1956, o industrial Thomas J Watson, de nacionalidade americana, nascido em 1874, em Campbell, Nova Iorque. Os primeiros passos na sua construção, foram dados em 2007, e este computador teve a sua primeira prova ao competir com concorrentes reais no programa televisivo Jeopardy!, transmitido em 2011, onde demonstrou as suas capacidades em pleno, tendo ganho aos seus adversários. O prémio monetário foi dado a uma instituição de caridade, mas apesar de muita polémica entre a IBM e a produção do programa, ficou bem claro a capacidade de resposta e o conhecimento vastíssimo de Watson, praticamente impossível de igualar pelo ser humano.

Na altura, a empresa declara que no futuro, Watson se aplicaria a diversas áreas como diagnóstico médico, análises de negócio, e suporte técnico. Seria pois, o início de uma nova geração de “máquinas que pensam” e interagem com o usuário. Obviamente que as máquinas não têm a capacidade de pensar nos termos em que nós o fazemos, sendo capazes de manipular símbolos, embora sem a capacidade de os entender. E se o armazenamento, busca de informação e cálculo são pontos fortes num computador, a verdade é que conhecimento aparentemente simples ao ser humano, como a linguagem, capacidade interpretativa de mensagens e comunicação ou o reconhecimento de objetos, capacidades que dominamos em fases muito iniciais do nosso desenvolvimento cognitivo, são desafios gigantescos para
investigadores e programadores quando se tentam adaptar às máquinas. Atualmente, Watson tem utilidade nas mais diversas áreas, e com tendência a abarcar cada vez mais. Destacando algumas delas, comecemos pelo serviço de atendimento ao cliente. Com Watson podem ser criados agentes virtuais que respondam às questões de clientes, rápida e eficazmente. Esta funcionalidade pode obviamente dispensar muita mão-de-obra humana, sendo claro um serio causador de desemprego e problemas sociais. Esta é uma das muitas causas de debate e polémicas que afrontam esta tecnologia, como aconteceu no início da era da industrialização, onde máquinas faziam o trabalho humano de forma mais rápida e até mais eficiente, sem nunca se cansarem e trabalhando durante horas seguidas. Ontem como hoje, a questão coloca-se e é vista com obvia preocupação.

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Todavia, a maior surpresa aliada ao desenvolvimento de Watson é a sua aplicação á saúde.
Nas palavras da IBM, Watson tem como propósito oferecer suporte a profissionais e influenciadores na área da saúde, ajudando-os a atingir resultados e êxitos por forma a ganharem confiança no caminho a atingir e resolver os maiores desafios na medicina. O intuito não será substituir os médicos num futuro próximo, mas muni-los de um apoio fidedigno com o objetivo de personalizar cada vez mais a medicina e adaptá-la a cada caso. Na prática, esse apoio surge sob a forma de dezenas de milhar de estudos publicados anualmente, dos quais a máquina tem “conhecimento” permitindo aos médicos estarem sempre na vanguarda no que concerne aos últimos desenvolvimentos e literatura médica. Assim, trabalhando com Watson, os médicos poderão até mesmo em biópsias e análises a exames ter o seu apoio na interpretação de resultados, ao usar a sua capacidade cognitiva para extrair informação relevante de milhões de páginas estudos médicos de forma a identificar terapias associadas ao mal que aflige o paciente. Basicamente, transforma dados e informação em conhecimento passível de ser aplicado em quem mais precisa. Como base documental para o conhecimento de Watson destacam-se as guias de tratamento, processos médicos digitais, notas de médicos e de enfermeiros, material de
investigação, estudos clínicos e informação do paciente.

Tem ainda a capacidade de aceder ao historial médico e familiar do paciente, analisando e detetando casos semelhantes e as terapêuticas mais adequadas possível. Até ao dia de hoje, ainda não houve um processo médico onde o diagnóstico final tenha sido concebido por Watson. Existem desde 2011, vários acordos e protocolos entra a IBM e instituições de investigação nas mais diversas áreas da saúde e em todo o mundo, como por exemplo o Memorial Sloan–Kettering Cancer Center, e o Cleveland Clinic Lerner College of Medicine nos EUA, e a Manipal Hospitals na Índia.

A medicina pode estar a um passo de uma revolução, e essa mesma revolução será ditada nos próximos anos, quer para o avanço ou para o seu retrocesso. Á parte destas áreas, Watson tem adaptações para projetos como: Jogos interativos para crianças, construção de código informático, assistente virtual de ensino que está em marcha numa escola nos EUA, previsões meteorológicas, preparação de declaração e análise de impostos, sistemas de irrigação inteligentes aliados á agricultura e análise e manutenção na
aviação, estando já a ser utilizado pelas linhas aéreas coreanas. Segundo a IBM, Watson tem a capacidade de processar 500Gygabytes, o equivalente a 1 milhão de livros por segundo, o custo do hardware ascende a aproximadamente 3 milhões de dólares . O derradeiro objetivo seria que computadores interagissem com o ser humano nos seus próprios termos, através de um alargado uso de aplicações e processos, entendendo e respondendo às questões colocadas com justificações inteligíveis pelo ser humano. As vozes criticas que se levantam contra esta tecnologia e contra a IBM são muitas, e
delas destacamos a de Chamath Palihapitiya, founder and CEO of Social Capital, que apelida Watson de uma anedota e que defende que a IBM está a usar marketing para convencer o publico a gastar e a comprar. A isto a IBM responde que Watson está presente em 25 centros de investigação, e está a angariar conhecimento em 6 tipos de cancro. A IBM pergunta se alguém acharia que seria uma anedota, trabalhar em salvar vidas e melhorar a qualidade de vida dos doentes. Apesar da polémica, as opiniões dividem-se entre apoiantes e críticos. Há quem acuse a IBM de querer alargar os seus lucros á custa de marketing, outros acreditam nas intenções da empresa e no sucesso e mais valias que esta máquina pode trazer á medicina, área financeira, agricultura, entre outras. É cada vez mais ampla a utilização daquela que é considerada a máquina mais inteligente do mundo. O projeto parece ser ainda um “work in progress” mas dá largos passos rumo á inovação, no seu propósito de auxiliar o nosso percurso rumo ao futuro. Sherlock Holmes diria “elementar meu caro Watson”, porém a nós resta-nos aguardar e assistir aos avanços de Watson e esperar pelos prometidos benefícios e pelo que poderá trazer nas mais
variadas áreas e quem sabe, por associação, às nossas vidas.

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