O equilíbrio de poder no setor dos semicondutores sofreu uma reviravolta importante no final de 2025. Após um período de domínio da SK Hynix, a Samsung Electronics conseguiu recuperar o seu lugar como o maior fabricante mundial de memórias DRAM no quarto trimestre de 2025. Segundo os dados mais recentes da consultora Omdia, publicados a 22 de fevereiro de 2026, a Samsung alcançou uma quota de mercado de 36.6%, gerando receitas de 19,1 mil mil milhões de dólares entre outubro e dezembro. Este resultado representa um crescimento impressionante de 40.6% em relação ao trimestre anterior, consolidando o regresso da empresa ao topo da hierarquia tecnológica.
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O triunfo do HBM3E e a estratégia para o HBM4
A recuperação da Samsung não aconteceu por acaso. A empresa atribuiu este desempenho recorde à forte procura por produtos de alto valor acrescentado, especificamente as memórias de quinta geração HBM3E e os módulos DDR5. No seu interior, estas memórias são componentes vitais para os servidores de inteligência artificial e centros de dados que alimentam a vaga de IA generativa que marcou o ano de 2025. Ao conseguir finalmente a certificação da NVIDIA para as suas memórias HBM3E em larga escala, a Samsung desbloqueou um fluxo de receitas que lhe permitiu ultrapassar a SK Hynix, que detinha 32.9% do mercado no mesmo período.
No entanto, a Samsung já está a olhar para o futuro imediato. A empresa tornou-se a primeira na indústria a iniciar a produção em massa das memórias HBM4 no início de 2026. Estas novas memórias utilizam um processo de fabrico de 4nm da própria Samsung para a base do chip e a sexta geração de DRAM (1c) de 10nm. Esta combinação técnica permite velocidades de transmissão de dados até 11.7 Gbps, superando largamente os padrões atuais. Embora a SK Hynix ainda detenha uma fatia maior das encomendas da NVIDIA para a próxima arquitetura de GPUs “Vera Rubin”, a agressividade tecnológica da Samsung em ser a primeira a entregar o HBM4 está a restaurar a confiança dos investidores.

DDR5 e LPDDR5X: Os novos motores de rentabilidade
Apesar do foco mediático no HBM (High Bandwidth Memory), a verdadeira “máquina de fazer dinheiro” para a Samsung em 2026 tem sido a memória DRAM convencional, como a DDR5 e a LPDDR5X. Devido a uma escassez estrutural de componentes, os preços contratuais da DDR5 dispararam, oferecendo margens de lucro que chegam a ser 30% superiores às do HBM. A Samsung adotou uma estratégia inteligente de realocar cerca de 80.000 wafers mensais da produção de HBM para memórias DDR5 destinadas a servidores e PCs de alta performance, maximizando a rentabilidade por cada chip produzido.
No segmento móvel, a Samsung está também a liderar com a introdução de módulos LPDDR5X de alta densidade (até 96GB) para portáteis e smartphones de nova geração. Com o lançamento da linha Galaxy S26, a integração de memórias mais rápidas e eficientes tornou-se um requisito obrigatório para suportar as funcionalidades locais de inteligência artificial. Este domínio nos diversos segmentos — do servidor ao smartphone — permitiu à Samsung beneficiar de um aumento de 40% no preço médio de venda (ASP) das suas memórias no último trimestre, uma subida que apanhou muitos analistas de surpresa.
O cenário para 2026 e a concorrência chinesa
O mercado global de DRAM atingiu um valor de 52,47 mil mil milhões de dólares no final de 2025, um salto de 30% em apenas três meses. Enquanto a Samsung e a SK Hynix lutam pelo primeiro lugar, a Micron Techology viu a sua quota recuar ligeiramente para os 22.9%. Por outro lado, a chinesa CXMT começou a dar sinais de vida, subindo a sua quota para os 4.7%. Embora ainda longe dos líderes, a capacidade de produção da China em memórias de nós mais antigos começa a pressionar os preços nos segmentos de gama média e baixa.
A Samsung planeia cimentar a sua liderança durante todo o ano de 2026 através da expansão da Linha 4 na fábrica de Pyeongtaek. O objetivo é duplicar a capacidade de produção de DRAM de 1c nos próximos 12 meses. Além disso, a empresa está a preparar o terreno para a chegada das memórias DDR6 e LPDDR6 em 2027, garantindo que o seu roteiro tecnológico permanece à frente da concorrência. Após um início de 2025 difícil, onde a SK Hynix parecia imbatível no campo da IA, a Samsung provou que a sua escala industrial e diversificação de portfólio continuam a ser as suas armas mais letais.
Conclusão
O regresso da Samsung ao topo do mercado de DRAM em 2026 é um testemunho da resiliência da marca e da sua capacidade de adaptação rápida às exigências da era da IA. Ao dominar a transição para o DDR5 e ao liderar a corrida técnica para o HBM4, a gigante sul-coreana não só recuperou o prestígio perdido, como garantiu as bases financeiras para investir na próxima década de semicondutores. Para o consumidor final, este domínio significa que os próximos gadgets serão alimentados por memórias cada vez mais rápidas, embora os preços possam continuar sob pressão devido à procura insaciável dos centros de dados. O trono foi recuperado, e a Samsung não parece disposta a cedê-lo tão cedo.
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