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Ren Zhengfei: A história do fundador da Huawei

À medida que a Huawei se vê ameaçada por uma campanha dos EUA visando as suas operações globais. Ren, de 74 anos, levanta agora a cortina sobre a sua companhia, a sua família e a sua vida.

O bilionário fundador da Huawei, empresa chinesa de equipamentos de telecomunicações, raramente falava aos orgãos de comunicação, permitindo que o rápido crescimento da sua empresa em todo o mundo falasse por si.

Isso está a mudar à medida que a Huawei se vê ameaçada por uma campanha dos EUA visando as suas operações globais. Ren, de 74 anos, levanta agora a cortina sobre a sua companhia, a sua família e a sua vida. Ele diz que os desafios enfrentados pela Huawei não são nada além do comum para ele.
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"Acho que sempre houve dificuldades na minha vida", disse à CNN numa entrevista na quarta-feira. "Eu nunca tive uma vida fácil porque quando eu era jovem, o meu contexto familiar não era bom. Eu tive que trabalhar muito para conseguir oportunidades de emprego."

O tempo que Ren passou nas forças armadas chinesas atraiu muita atenção.

Ren Zhengfei alistou-se no Exército de Libertação do Povo (PLA) como engenheiro em 1974, durante a Revolução Cultural da China, quando o país sofria com uma escassez severa de alimentos e roupas.CEO da Huawei: táticas de intimidação nos EUA amedrontarão investidores

"Naquela época, havia caos em quase toda parte", disse Ren em janeiro. Ele lembrou que as rações têxteis eram tão escassas que a maioria das pessoas mal tinha o suficiente para se vestir ou remendar as suas roupas.

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Ren foi encarregado de implementar uma fábrica de produtos químicos para fabricar fibras têxteis no nordeste da China, parte dos planos do governo comunista para garantir que cada cidadão tivesse pelo menos uma peça de roupa decente.

"Eu estive na faculdade e pessoas como eu puderam desempenhar um papel importante", disse Ren Zhengfei.

Ren e os seus companheiros militares dormiam em habitações precárias em temperaturas abaixo de zero, vivendo de vegetais em conserva por meses a fio. Mas ele disse que estava feliz na época, porque enquanto as pessoas em outros lugares da China estavam a ser criticadas por ler muitos livros durante a Revolução Cultural, a fábrica era "provavelmente um dos poucos lugares em que as pessoas podiam ler".

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Ren disse que as suas esperanças de tornar-se um tenente-coronel no EPL foram minadas pela sua origem familiar. Durante a Revolução Cultural, o seu pai foi rotulado de "capitalista" - alguém a tentar restaurar o capitalismo e derrubar o socialismo - o que tornou difícil para Ren tornar-se um membro do Partido Comunista.

Depois de Ren reconstruir com sucesso uma ferramenta que era necessária para testar equipamentos na fábrica de fibras, um supervisor ajudou-o a tornar-se um membro do Partido. Mas Ren nunca chegou ao posto militar desejado. O seu último trabalho no PLA foi vice-diretor de um instituto de pesquisa em construção.

Ren Zhengfei no Fórum económico Mundial em Davos, Suíça, em 2015. Ele transformou a Huawei numa empresa com receita anual de mais de US $ 100 biliões.

Como criar um gigante tecnológico

Após o PLA, Ren passou alguns anos a trabalhar para uma empresa de petróleo antes de fundar a Huawei em 1987.

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A transformação do mercado da China estava em pleno andamento e a infraestrutura de telecomunicações deficiente do país estava atrasava o progresso.É tudo sobre a Huawei. O maior programa de tecnologia móvel do mundo é iniciado

Desenvolver a indústria tornou-se uma prioridade para os decisores políticos e três empresas estatais - Great Dragon, Datang e ZTE (ZTCOF) - emergiram como intervenientes dominantes.

A Huawei foi um outsider, e estava registada como uma empresa privada em Shenzhen, uma vila de pescadores que acabara de ser designada como uma zona Económica especial na China.

No início, a empresa comercializou equipamentos e foi classificada como fornecedora menor, de acordo com "The Huawei Way", um livro de autoria de Tian Tao. Tao é membro do Conselho Consultivo Internacional da Huawei, uma organização afiliada com a empresa, e trabalha na Universidade de Zhejiang.

A Huawei lutou para ganhar mercado, e Ren sofreu com uma "séria depressão e ansiedade durante os dias mais sombrios da companhia", escreveu Tao.

Ren motivou os funcionários para trabalhar longas horas e fazer o que fosse necessário para garantir os negócios. Incapaz de competir nas grandes cidades, a Huawei concentrou-se inicialmente nas pequenas cidades e aldeias da China. Ren investiu muito em pesquisa e desenvolvimento, permitindo À Huawei criar a sua própria tecnologia que permitiria competir com os seus maiores rivais.

Trabalho antes da família

Ren trabalhou muitas horas, deixando-lhe pouco tempo para construir relacionamentos fortes com os seus três filhos.

Ele disse que, enquanto estava no exército, passava apenas um mês por ano com a sua família. Depois de fundar a Huawei, "eu tive que lutar pela sobrevivência desta empresa, e passava 16 horas por dia no escritório", disse ele.

Apesar do tempo limitado com o pai, dois dos filhos de Ren escolheram juntar-se a ele na Huawei.

O CFO da Huawei, Meng Wanzhou, processa o processo a acusar o Canadá de detê-la ilegalmente

A sua filha mais velha, Meng Wanzhou, passou décadas na empresa, subindo na hierarquia até se tornar a diretora financeira. A sua posição de destaque colocou-a no centro da repressão do governo dos EUA à Huawei. Meng foi presa no Canadá em dezembro e está a lutar contra a extradição para os Estados Unidos para enfrentar acusações de fraude bancária e ajudara Huawei a violar as sanções ao Irão. Meng Wanzhou negou qualquer irregularidade.

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Ren disse que não é próximo de Meng porque o seu tempo no exército o impediu de se relacionar com ela quando ela era jovem. E apesar de Meng ser uma das principais executivas da Huawei, Ren não a supervisiona diretamente, segundo ele nem têm uma conexão profissional forte.

O filho de Ren, Meng Ping, trabalha numa subsidiária da Huawei. Annabel Yao, a sua filha do seu segundo casamento, está estudar na Universidade de Harvard.

Ren disse que não tem uma relação próxima com nenhum dos seus filhos. Ele lembrou-se de uma vez ter perguntado se prefeririam passar mais tempo com a família ou trabalhar para "construir uma plataforma sobre a qual poderiam crescer".

Os seus filhos, ele diz, escolheram a segunda opção.

 

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