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Quick Share com AirDrop chega à beta One UI 8.5 em vários Galaxy e mexe no jogo

10/04/2026 por Joao Bonell

Quick Share com AirDrop chega à beta One UI 8.5 em vários Galaxy e mexe no jogo

É aquele momento clássico: alguém num grupo diz “manda por AirDrop” e, de repente, quem não tem iPhone fica a olhar. Como avançou o Droid Life, Não é só uma questão de ficheiros. É um micro-constrangimento social que se repete, vezes sem conta, até virar hábito. A novidade da Samsung mexe precisamente nisso. Não é um botão novo. É uma tentativa clara de desmontar a muralha invisível que a Apple construiu à volta do AirDrop.

A Samsung confirmou que está a expandir o programa beta da One UI 8. Como avançou o Android Central, existem mais dados publicados sobre o mesmo assunto. 5 a mais equipamentos e, no meio do anúncio, deixou uma nota que interessa ainda mais: o Quick Share vai passar a incluir suporte para “AirDrop” entre iPhone e Android (sim, é isso) em vários Galaxy, alinhado com a chegada da família Galaxy S26. Dito assim parece simples. Não é. Porque o que está em causa é a fricção social, a tal vantagem que faz o iPhone parecer “o padrão” em grupos, escolas, equipas, eventos.

O que aconteceu, sem floreados

A Samsung anunciou que o programa beta da One UI 8.5 está a chegar a mais dispositivos, incluindo a série Galaxy S23. Ao mesmo tempo, confirmou que o suporte para AirDrop via Quick Share vai ser disponibilizado em equipamentos que já tinham acesso à beta da One UI 8.5.

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Os modelos mencionados pela marca para este suporte via Quick Share são:

Galaxy S25, Galaxy S24, Galaxy Z Fold7, Galaxy Z Flip7, Galaxy Z Fold6 e Galaxy Z Flip6.

Entretanto, isto encaixa numa história que já andava a circular: houve quem tivesse encontrado formas de “quase” activar este suporte há cerca de uma semana nesses mesmos dispositivos. Mas faltava a peça essencial. Ou melhor: faltava a confirmação oficial de que a One UI 8.5 era o requisito real. Agora é oficial. Para ter acesso, é preciso estar na One UI 8.5 beta e actualizar componentes, incluindo o Quick Share, tanto via Google Play como na Galaxy Store.

Porque é que isto importa (e não é só por comodidade)

O AirDrop nunca foi apenas conveniência. Foi poder. Um atalho que, na prática, cria dependência: “funciona sempre”, “é instantâneo”, “toda a gente usa”. E quando alguém resolve um problema com um gesto, ganha estatuto no grupo. Sim, estatuto tecnológico, mas estatuto na mesma. A Apple percebeu isso cedo e transformou partilha em cola social.

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Quick Share com AirDrop chega à beta One UI 8.5 em vários Galaxy e mexe no jogo 9

O que a Samsung está a fazer aqui é atacar o efeito-rede do iPhone. Porque se o Android tiver um equivalente que seja mesmo fácil, mesmo imediato, e sobretudo comum em muitos modelos, o “me manda por WhatsApp” deixa de ser o plano B universal. E isso muda hábitos. Muda mesmo. O mensageiro volta a ser conversa, não o transporte para tudo o que não dá para partilhar de forma directa.

Na prática, o impacto é este: menos fricção no momento em que alguém quer enviar um vídeo grande, um conjunto de fotos, um PDF, seja o que for, ali ao lado, sem compressão e sem criar aquela dança de “manda link”, “espera que isto faça upload”, “não consigo abrir”. Parece detalhe, mas é aí que os ecossistemas ganham.

Um Android “pós-AirDrop”: o que muda na guerra dos ecossistemas

Há uma tese aqui, e é difícil fugir dela: a Samsung não está só a copiar uma funcionalidade popular. Está a tentar desarmar uma vantagem estrutural da Apple. Porque o AirDrop é uma muralha, não exactamente uma app. Uma muralha que separa “os do iPhone” do resto, no momento mais público possível: quando se partilha algo à frente de outras pessoas.

Se o Quick Share começar a ser visto como o equivalente óbvio (e se funcionar sem truques), o iPhone perde um pedaço do seu feitiço. Não todo. Mas um pedaço importante, porque a magia do ecossistema é feita de pequenas vitórias diárias, repetidas.

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E há outra camada: isto reposiciona a Samsung. A marca quer ser arquiteta de ecossistema, não apenas fabricante de hardware. Um Quick Share turbinado, amplamente distribuído, é uma peça de infraestrutura. E quem controla a infraestrutura controla o fluxo entre dispositivos. Não é só isso, claro, mas é o jogo.

Interoperabilidade… ou “Samsung-first” dentro do Android?

Há aqui uma tensão que vale a pena manter em cima da mesa. A Samsung está a vender interoperabilidade, mas do jeito dela. E isso levanta a pergunta: estamos perante uma camada realmente universal no Android, ou um “jardim” Samsung dentro do próprio Android?

Hoje, o Quick Share existe como conceito mais amplo, com participação do Google, mas a experiência varia. E o calcanhar de Aquiles do Android sempre foi consistência. Quando uma função destas aparece “bem feita” em muitos Galaxy, isso ajuda o Android a parecer mais coeso. Só que também pode empurrar utilizadores para um circuito onde o melhor funciona sobretudo entre Samsung. Não é necessariamente mau. Mas convém perceber a direcção.

Para quem acompanha os movimentos da marca, isto encaixa no padrão: a Samsung quer que o Galaxy seja um ecossistema completo, com serviços e integrações próprias. Já vimos esta estratégia noutras frentes, da IA às funcionalidades de sistema, como temos acompanhado na cobertura sobre as novidades da One UI e a evolução do ecossistema Galaxy. Aqui, o alvo é mais sensível: o momento social.

O que tens de fazer (se estiveres na beta)

Se já tens a One UI 8.5 beta num destes modelos compatíveis, a Samsung indica que o suporte depende de actualizações adicionais, incluindo do Quick Share. Ou seja, não chega instalar a beta e pronto. É preciso ir à Google Play e à Galaxy Store e actualizar tudo o que estiver pendente. É aborrecido, sim, mas é assim que estas funcionalidades aparecem “de repente” após uma actualização de componentes.

E convém lembrar: estamos a falar de beta. Há sempre arestas, comportamentos estranhos, incompatibilidades pontuais. O ponto, porém, não é a perfeição imediata. É a direcção. E a direcção é clara.

O recado para a Apple (e para o mercado)

Durante anos, partilhar ficheiros entre dispositivos foi tratado como “feature”. Um extra simpático. Agora está a virar infraestrutura, uma camada básica, quase como Wi‑Fi. Quem controla essa camada controla também a sensação de pertença: quem “resolve” e quem fica de fora.

Se a Samsung conseguir pôr o Quick Share com suporte estilo AirDrop em massa, em vários topos de gama recentes, o iPhone deixa de ser o único passaporte para aquele momento de “manda já aqui”. E isso torna o ecossistema da Apple mais negociável. Menos inevitável. O que é, no fundo, o ponto.

Quando o compartilhamento deixa de ser um privilégio do iPhone, o ecossistema da Apple precisa voltar a justificar o seu preço. Não com magia, mas com valor. E isto não fecha a história. Abre-a.

Para acompanhar o que vem a seguir, incluindo a evolução do Quick Share e o que a Samsung está a preparar para a One UI, vale a pena manter um olho na nossa cobertura de actualizações Android. Porque esta guerra, curiosamente, está a ser decidida nos gestos mais pequenos.

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Sobre o Autor

Joao Bonell

Fundador do Androidgeek.pt. Trabalho em tecnologia há mais de dez anos. Apaixonado por tecnologia, Publicidade, Marketing Digital, posicionamento estratégico, e claro Android.
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