Que efeito têm as aplicações de encontros no nosso cérebro?

Venham conhecer um pouco desta ciência do namoro na era moderna, explorando o porquê de namorarmos online, e porque é seriamente viciante.

Os sites de encontros online deixam-nos muitas vezes concentrados em outras partes do corpo do que propriamente a personalidade do nosso interlocutor, mas o que acontece ao nosso cérebro quando deslizamos para a esquerda ou para a direita sobre um potencial companheiro? Venham conhecer um pouco desta ciência do namoro na era moderna, explorando o porquê de namorarmos online, e porque é seriamente viciante.

O amor no tempo da tecnologia

Aqueles entre nós que são, digamos, menos do que tecnologicamente experientes, ficam frequentemente aterrorizados com a atual dinâmica de encontros. Com base apenas na aparência dos potenciais amantes, ou viramos à esquerda ou à direita em decisões de fracção de segundo. Criamos perfis online, realçamos os nossos traços favoritos e projetamos os nossos “eus ideais” num mar infinito de potencialidade que se tornou a piscina de encontros online. Algoritmos complexos contornam a vontade humana e combinam-nos com base em probabilidades estatísticas, sobre se gostamos de filmes assustadores ou se achamos que o desporto é vida.

De facto, há muito para que nos sintamos assoberbados. Mas aqueles que estão à espera de esbarrar com a sua alma gémea na fila do autocarro, têm simplesmente de acompanhar os tempos – ou assim dizem os principais cientistas.

 

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O que é o amor? É dopamina.. e mais uns pózinhos

Aquele que já foi o domínio de poetas e filósofos, o amor , tornou-se um tema de estudo por neurocientistas. Embora os estudos demonstrem o amor como um complexo cocktail neuroquímico, a “verdadeira natureza” do amor ainda tem os seus enigmas.

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O nosso cérebro tem um sistema de recompensa, que se activa quando nos apaixonamos loucamente. O que é chamado de “sistema de desejos” é um conjunto de estruturas que respondem a estímulos que, por sua vez, alteram os nossos comportamentos, levando-nos a procurar mais recompensa, mais ligação, mais amor. Tal como os consumidores de drogas que anseiam por uma dose, também os amantes anseiam pelo seu parceiro, e até sentem ressaca quando não estão por perto. É por isso que a ausência de alguém dói. Um parceiro romântico, um beijo, ou qualquer outra coisa a que nos apegamos e sentimos falta.

O aumento dos níveis de dopamina central contribuem para que o amante concentre a sua atenção no amado e para que tenha a tendência de o considerar como único.

A área tegmental ventral (VTA) é uma região crítica dita ser a origem dos corpos celulares dopaminérgicos. Ativa-se quando injetamos heroína (não recomendado) , temos um orgasmo, e, claro, quando amamos alguém.

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O cérebro quando usamos aplicações de encontros

Na nossa vida quotidiana, tomamos decisões de fracção de segundo com base em muito pouca informação. É claro que é assim que milhões de pessoas que procuram encontros se envolvem em aplicações de encontros como o Tinder e OKCupid. Um estudo de 2012 publicado no Journal of Neuroscience pode ajudar-nos a compreender o que se passa no cérebro quando decidimos para que lado fazer swipe.

Foi mostrado aos participantes no estudo uma fotografia de uma pessoa e depois foi-lhes dado 4 segundos para responderem à pergunta: “Quanto gostaria de namorar esta pessoa”? Os resultados encontraram duas áreas principais do cérebro a prever se seriam aceites ou rejeitados por aquela pessoa.

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Uma área era o córtex pré-frontal medial dorsal, uma região implicada no planeamento de comportamentos cognitivos complexos, expressão da personalidade, e outros comportamentos sociais. A outra área que era preditiva era o córtex paracelular, localizado no córtex pré-frontal medial do cérebro humano.

O amor é um jogo e as aplicações de encontro são o campo de ação

A tecnologia, por exemplo, os videojogos, têm o potencial de nos aprisionar num sistema viciante de recompensas. Existem de facto paralelos entre a experiência com jogos de vídeo e as aplicações de encontros como o Tinder.

Os paralelos estão na forma como a experiência é formatada, entregando ou não entregando recompensas. Se não se sabe o que se vai obter e quando, isso traz os tipos de comportamento mais perseverantes, que são os mais viciantes.

É esta incerteza que nos motiva a ir a um casino ou a um site de encontros. Os pontos fortes de aplicações como o Tinder permite conhecer pessoas da segurança do nosso próprio quarto ou cama, seguros atrás de um ecrã.

As aplicações de encontros criam um cenário binário, alguém ou é rejeitado ou é desejado, ou é não ou é sim. A vida real é um pouco mais complicada, nunca é apenas uma coisa ou outra.

 

 

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