Os primeiros chips Nvidia chegam em janeiro e dão início ao maior supercomputador da Europa!

O ano ainda nem começou e Portugal já se prepara para receber um dos investimentos tecnológicos mais importantes da sua história recente. A Microsoft confirmou que as primeiras placas Nvidia Blackwell Ultra GB30 começam a chegar a Sines logo em janeiro, marcando o arranque formal de um projeto avaliado em mais de dez mil milhões de dólares. Este supercomputador será instalado no campus da Start Campus e promete transformar a região num dos centros nevrálgicos da infraestrutura de inteligência artificial na Europa.

A confirmação foi dada por Andres Ortolá, diretor-geral da Microsoft Portugal, num encontro com jornalistas onde detalhou o calendário, a ambição e os desafios deste mega-projeto que irá colocar Sines no mapa global da computação avançada.

A chegada dos primeiros chips e o início do Sines 01

Ortolá explicou que o processo avança já no primeiro mês do ano. Segundo o responsável, janeiro marca a chegada das primeiras unidades das 12.600 placas gráficas Nvidia Blackwell Ultra GB30 que compõem o investimento total. Serão instaladas no Sines 01, o primeiro edifício operacional do centro de dados. Este espaço servirá de base para o arranque das atividades e para a preparação da infraestrutura que suportará a máquina.

Paralelamente, arranca também a construção do Sines 02, onde serão instaladas as restantes unidades até 2032. Apesar do calendário prolongado, Ortolá garante que o sistema deverá atingir capacidade plena entre 2028 e 2029, tornando-se nessa altura o maior supercomputador da Europa.

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Um supercomputador criado para servir a Europa

Durante a apresentação, o diretor-geral sublinhou que esta infraestrutura tem um propósito claro. Servirá sobretudo clientes europeus, incluindo empresas, instituições públicas e soluções como o Microsoft Copilot, cujo processamento de muitas consultas passará a ser feito em Portugal. A integração deste supercomputador na rede global da Microsoft coloca o país no centro da próxima geração de infraestruturas de IA.

Ortolá destacou que este investimento é estratégico não apenas pela dimensão tecnológica, mas também pela forma como está alinhado com as metas ambientais e energéticas da Microsoft.

Energia totalmente verde e foco na sustentabilidade

Um dos fatores decisivos para escolher Sines como destino foi a capacidade de assegurar que todo o projeto é alimentado por energia 100% verde. Ortolá referiu que este compromisso foi determinante para a aprovação do investimento, já que a Microsoft pretende reduzir continuamente a sua pegada ambiental.

A infraestrutura terá consumos energéticos muito elevados, algo inevitável num supercomputador desta escala, mas a Microsoft garante que a operação será totalmente sustentável. Este ponto não é apenas um argumento de comunicação, mas um requisito interno que a empresa aplica a todos os seus projetos globais.

O desafio da agilidade e a comparação com outros países

Durante a conversa, o responsável estabeleceu um paralelo histórico com a invenção da prensa de Gutenberg. Explicou que a Alemanha inovou, mas foram os Países Baixos que aproveitaram melhor a tecnologia. Ortolá utilizou este exemplo para sublinhar que Portugal não pode perder tempo a aproveitar oportunidades criadas pela infraestrutura tecnológica que agora recebe.

Segundo os dados analisados pela Microsoft, países como os Emirados Árabes Unidos, Singapura e Noruega têm populações comparáveis à portuguesa, mas apresentam índices muito superiores de adoção de IA e sistemas digitais. O problema, afirma Ortolá, não está na falta de talento. Está na capacidade de decisão e na agilidade para implementar soluções.

O gestor citou o exemplo de um chatbot criado para o setor da Justiça, que foi pioneiro na Europa mas nunca avançou para uma fase de produção real. Enquanto isso, outros países já contam com centenas de sistemas deste tipo implementados.

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Reorganização interna sem perda de autonomia

A Microsoft passou recentemente por uma reorganização global e a unidade portuguesa passou a integrar o cluster South MCC. Ortolá rejeita a ideia de que isso represente perda de autonomia e afirma que se trata de uma mudança estrutural semelhante a outras que a empresa já fez no passado. O responsável também negou qualquer impacto negativo ao nível do emprego, lembrando que desde que chegou à liderança a Microsoft Portugal passou de cerca de 1.500 para 2.000 colaboradores.

Conclusão

O investimento da Microsoft em Sines está a avançar mais rápido do que muitos esperavam. A chegada dos primeiros chips Nvidia Blackwell marca o início de um projeto que pode redefinir o papel de Portugal na infraestrutura digital europeia. A aposta em energia totalmente verde, a escala monumental da instalação e o foco em servir clientes europeus fazem deste supercomputador uma oportunidade única.

Agora, o desafio passa a ser nacional. Portugal tem perante si um dos maiores impulsos tecnológicos da sua história. A questão é saber se terá a agilidade necessária para transformar este investimento em impacto real, económico e social.

 

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Sobre o Autor

Bruno Xarope

Formado em Informática / Multimédia trabalho há 10 anos em Logística no Ramo Automóvel. Tenho uma paixão pelas Novas Tecnologias , cresci com computadores e tecnologias sempre presentes, assisti à evolução até hoje e continuo a absorver o máximo de informação sou um Tech Junkie. Viciado em Smartphones e claro no AndroidGeek.pt
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