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Samsung

Lucros da Samsung podem bater recorde no 1.º trimestre de 2026 com boom da memória

06/04/2026 por Joao Bonell

Lucros da Samsung podem bater recorde no 1.º trimestre de 2026 com boom da memória

Há trimestres em que uma empresa “vai bem”. Na prática, E depois há aqueles em que parece que alguém abriu uma torneira e não a consegue fechar. É mais ou menos esse o cenário que se desenha para a Samsung no 1.º trimestre de 2026: as previsões apontam para mais de 50 biliões de won em lucro operacional, o que dá cerca de 33 mil milhões de dólares. Um número absurdo. E, sim, recorde.

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O detalhe que torna isto ainda mais estranho (ou revelador, depende do ângulo) é que este valor fica muito perto do lucro operacional da Samsung em todo o ano de 2025. Num trimestre. Num só. Dito assim parece simples: a memória está a render. Mas não é só isso.

O que está a acontecer: a “superciclo” da memória está a pagar contas

O motor desta subida chama-se, sem grande poesia, superciclo dos semicondutores de memória. A procura por DRAM e, sobretudo, por memória de alto desempenho está a puxar pelos preços e pelos volumes. A Samsung, que já vive disto há décadas, está a apanhar a onda na altura certa. Ou melhor, está a liderá-la em vários segmentos.

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As previsões falam num aumento acima de 400% do lucro operacional trimestral face ao mesmo período do ano anterior. 400%. A comparação anual às vezes engana porque o mercado muda depressa, mas aqui a mensagem é clara: a procura está a ser tão agressiva que está a transformar uma divisão tradicionalmente cíclica numa máquina de margem. Pelo menos por agora.

HBM, DRAM “antiga” e o apetite da IA

Há um produto que aparece sempre que se fala de IA a sério: HBM (High-Bandwidth Memory). É memória desenhada para alimentar GPUs e aceleradores com largura de banda muito acima do normal. É cara, é difícil de fabricar, e é disputada. E a Samsung tem oferta neste segmento, a par do portefólio mais “clássico” de DRAM. Parece redundante falar de DRAM e HBM na mesma frase, mas na prática é isso que dá escala: uma base enorme e um topo premium.

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Do lado da procura, o mercado não está só “a comprar mais”. Está a comprar melhor, mais rápido, mais especializado. Fabricantes de chips para IA, incluindo nomes de peso como a NVIDIA, estão a empurrar a cadeia toda. E quando o cliente pede HBM, não está a pedir um componente banal. Está a pedir prioridade.

NAND a subir e a empurrar resultados

Não foi apenas a HBM. Os preços da NAND flash também têm subido e isso conta, e muito. A NAND está em todo o lado: SSDs, centros de dados, portáteis, smartphones. Quando o preço sobe e a procura não abrandar, a matemática faz o resto. Não é glamoroso, mas é eficaz.

E aqui há uma nuance: a NAND costuma ser um mercado duro, com quedas rápidas quando há excesso de oferta. Desta vez, o movimento está do outro lado. Pelo menos neste trimestre, o vento está a favor.

Porque é que isto importa (mesmo para quem só quer um telemóvel)

Um recorde destes não é só uma linha num relatório. Mexe com tudo à volta. Para começar, valida a aposta global em infraestruturas de IA, centros de dados e hardware especializado. Se a Samsung está prestes a fazer um trimestre quase ao nível de um ano inteiro anterior, é porque há dinheiro real a circular nesta cadeia. Não é só conversa de conferência.

Depois, há o efeito secundário: quando a memória fica mais cara, os produtos finais tendem a sentir. Nem sempre de forma imediata, é verdade. Mas a pressão existe. E pode refletir-se em componentes para PCs, SSDs e, sim, smartphones. Não é automático, não exatamente, mas costuma acontecer.

Há também um ponto estratégico: lucros enormes dão margem para investir em capacidade, investigação e acordos. E a Samsung gosta de jogar em várias frentes ao mesmo tempo. Memória, foundry, mobile. Às vezes parece dispersão; outras vezes é simplesmente escala.

Mobile também conta, mesmo que a memória esteja a roubar o palco

No meio desta euforia dos semicondutores, a divisão móvel não fica fora do quadro. As expectativas apontam para resultados “promissores” no segmento de smartphones, muito por causa da resposta ao Galaxy S26. E aqui há um pormenor curioso: a série chegou ao mercado apenas nas últimas semanas do trimestre. Ou seja, não houve tempo para “encher” o trimestre de vendas. Ainda assim, o efeito já se sente.

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Isto não quer dizer que o mobile seja agora o grande salvador. Não é. A memória está a fazer o trabalho pesado. Mas é relevante ver a divisão de smartphones a contribuir num trimestre em que, teoricamente, teria pouco tempo de tração comercial. E quando a Samsung consegue alinhar duas áreas ao mesmo tempo, a conversa muda.

Se andas a acompanhar o ecossistema Android, vale a pena cruzar esta tendência com o que tem mudado no topo do mercado. A forma como a Samsung posiciona a sua linha premium acaba por influenciar o resto, desde preços a especificações. E, no fundo, a lógica é sempre a mesma: quando há margem, há mais espaço para arriscar. Às vezes com bons resultados, outras nem por isso.

O que pode mudar a seguir: mais acordos na foundry e um ano “grande” em perspetiva

Os analistas também apontam 2026 como um ano potencialmente muito forte para a Samsung, assumindo que a procura por memória não abranda. E, honestamente, não há sinais claros de travagem. Há ajustes aqui e ali, há ciclos, mas o apetite por hardware de IA continua. Continua e não parece pequeno.

Além da memória, a Samsung está a avançar com novos negócios na área de foundry, ou seja, fabrico de chips para terceiros. Esta parte do negócio tem sido mais irregular, e a concorrência é feroz. Mas novos contratos podem dar estabilidade e, sobretudo, diversificar as fontes de lucro. Não é só isso, claro: foundry exige execução, yields, prazos. E aí não há desculpas.

O resultado prático, se estas previsões se confirmarem, é um reposicionamento do “peso” da Samsung no setor. Não porque a empresa não fosse gigante já. Mas porque um recorde destes num trimestre muda expectativas, muda investimento, muda o tom do mercado. E quando o mercado muda o tom, os fornecedores e os concorrentes ouvem.

Para quem segue a Samsung pelo lado Android, isto pode parecer distante. Mas não está assim tão longe. Uma Samsung com lucros recorde em memória e com o mobile a dar sinais positivos tem mais capacidade para acelerar desenvolvimento, negociar componentes e, sim, empurrar o ecossistema inteiro numa direção. Qual? Depende do próximo trimestre. E do seguinte. Porque estes superciclos não duram para sempre, embora às vezes pareça que sim.

Seja como for, o número que está em cima da mesa é difícil de ignorar: 50 biliões de won de lucro operacional num trimestre. A Samsung já teve bons momentos. Mas isto é outro nível. E agora fica a questão que não fecha bem, de propósito: quando a memória voltar a arrefecer, quem é que aguenta o ritmo?

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Sobre o Autor

Joao Bonell

Fundador do Androidgeek.pt. Trabalho em tecnologia há mais de dez anos. Apaixonado por tecnologia, Publicidade, Marketing Digital, posicionamento estratégico, e claro Android.
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