Jogo Online em Portugal gera 163,9 milhões de euros para o Estado no primeiro semestre de 2025

A indústria do jogo online em Portugal continua a marcar presença na economia nacional. Segundo o mais recente relatório do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), analisado pela Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO), o setor contribuiu com 163,9 milhões de euros em impostos para os cofres do Estado apenas nos primeiros seis meses de 2025. Mas será que este crescimento está a atingir o seu limite?

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Receita fiscal em desaceleração?

No segundo trimestre de 2025, a receita fiscal proveniente do Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) foi de 81,2 milhões de euros. Isto representa uma queda de 1,8% face ao primeiro trimestre, mas, em contrapartida, um aumento de 5,8% quando comparado com o mesmo período de 2024.

Os números mostram uma tendência clara: há crescimento, mas o ritmo já não é tão acelerado. O setor gerou 287 milhões de euros em receitas brutas no segundo trimestre, uma subida tímida de 0,8% em relação aos primeiros três meses do ano, ainda que em termos homólogos o aumento chegue a 9,6%.

Casino em alta, apostas desportivas em queda

O grande motor desta evolução foi o segmento dos casinos online, que registou 177,8 milhões de euros em receitas brutas – mais 12,2% face ao trimestre anterior. Por outro lado, as apostas desportivas online perderam terreno, com uma quebra de 5% em relação ao início do ano, ficando nos 109,2 milhões de euros.

Entre abril e junho, o volume total de apostas desportivas caiu 8,9% face ao trimestre anterior, sinal de que os utilizadores estão a reduzir o ritmo, talvez influenciados pelo calendário desportivo ou pela maior prudência no gasto.

O alerta da APAJO: operadores ilegais ainda captam 40% dos jogadores

Apesar do impacto positivo para a receita fiscal e para o financiamento de modalidades desportivas, a APAJO não esconde a preocupação: cerca de 40% dos jogadores portugueses continuam a apostar em sites não licenciados.

Ricardo Domingues, presidente da associação, sublinha que esta realidade é um obstáculo grave:
«O crescimento das receitas do Estado poderia ser mais significativo com uma aposta decidida no combate a este fenómeno prejudicial para a economia, a sociedade e os consumidores portugueses».

A associação tem recebido relatos de publicidade a operadores ilegais em redes sociais, algo que aumenta a pressão sobre reguladores e plataformas digitais.

Quem são os jogadores portugueses?

O perfil dos apostadores online em Portugal mantém-se jovem e concentrado nas grandes áreas urbanas. Lisboa e Porto lideram com mais de 42% dos registos no segundo trimestre de 2025. Braga, Setúbal e Aveiro completam o pódio com mais 24,2%.

Em termos de idade, 77,8% dos novos registos pertencem a utilizadores com menos de 45 anos, sendo o grupo mais representativo o dos 25-34 anos (33,5%).

No segundo trimestre registaram-se 211 mil novas contas, mas também foram canceladas 135,5 mil. O número total de contas ativas cresceu ligeiramente (1,6%), chegando a 4,8 milhões. Ainda assim, os novos registos estão em queda, com menos 21,8% do que no mesmo período de 2024.

Autoexclusões em subida

Outro dado relevante prende-se com o jogo responsável: no final de junho de 2025 havia 326,4 mil contas autoexcluídas – mais 17,2 mil do que no primeiro trimestre e mais 27% face ao ano anterior. O aumento mostra que mais jogadores procuram mecanismos de proteção contra práticas problemáticas.

Questões em aberto

  • Até que ponto a queda nas apostas desportivas é conjuntural ou estrutural?
  • Conseguirá o Estado aumentar a arrecadação fiscal sem travar o crescimento da indústria?
  • Que medidas concretas serão tomadas para reduzir a quota dos operadores ilegais?

São dúvidas que ficam em cima da mesa e que irão definir o rumo do jogo online em Portugal nos próximos anos.


Disponibilidade dos dados

Os números analisados têm como fonte o relatório oficial do SRIJ, publicado no website da entidade, e a análise da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO).


O setor do jogo online continua a ser um dos pilares digitais da economia portuguesa, mas enfrenta desafios claros: concorrência ilegal, necessidade de regulação mais eficaz e a responsabilidade social perante os consumidores. Se quiseres acompanhar de perto estas tendências e entender o impacto da tecnologia no dia a dia, segue o AndroidGeek – porque o futuro digital escreve-se aqui.

 

Sobre o Autor

Joao Bonell

Fundador do Androidgeek.pt. Trabalho em tecnologia há mais de dez anos. Apaixonado por tecnologia, Publicidade, Marketing Digital, posicionamento estratégico, e claro Android.
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