Após anos de batalhas judiciais que abalaram as fundações do ecossistema Android, a Google e a Epic Games anunciaram, no dia 4 de março de 2026, um acordo definitivo para encerrar a sua disputa e a nível global. O entendimento surge após meses de incerteza e ceticismo por parte dos tribunais norte-americanos, marcando o início de uma nova era para a distribuição de aplicações e para a monetização de conteúdos digitais em mil milhões de dispositivos em todo o mundo. Com este passo, as empresas deixam para trás um dos processos mais mediáticos da história da tecnologia recente.
No seu interior, o acordo reflete uma mudança profunda nas políticas da Google, que se viu forçada a ceder perante as pressões legais e regulatórias. A gigante das pesquisas aceitou reduzir significativamente as suas taxas de comissão e abrir as portas a lojas de aplicações concorrentes, algo que sempre tinha combatido sob o argumento da segurança dos utilizadores. Para os criadores de jogos e aplicações, isto representa uma vitória sem precedentes na luta por um mercado mais aberto e competitivo.
Neste artigo vão encontrar:
Novas taxas e liberdade de pagamento
Um dos pontos centrais do novo acordo é a revisão drástica da estrutura de taxas da Play Store. A partir de agora, a Google irá baixar a sua comissão padrão de 30% para 20% em compras dentro de aplicações para novas instalações. No caso de subscrições recorrentes, a taxa baixa para os 10%. Além disso, os programadores passam a ter a liberdade de utilizar os seus próprios sistemas de faturação ou de redirecionar os utilizadores para os seus sites para concluir as compras, evitando totalmente as taxas de processamento da Google.
Caso os programadores optem por continuar a utilizar a plataforma de pagamentos da Google Play, será aplicada uma sobretaxa adicional de 5% em regiões específicas como os EUA, o Reino Unido e o Espaço Económico Europeu (EEE). Ainda assim, o valor total combinado (25%) permanece abaixo do histórico imposto de 30% que desencadeou a revolta da Epic Games em 2020. Estas alterações começarão a ser implementadas em junho de 2026, com uma conclusão global prevista para setembro de 2027.

O regresso triunfal de Fortnite à Play Store
A notícia que os fãs mais esperavam é a confirmação do regresso imediato de Fortnite à Google Play Store mundial. O jogo, que tinha sido banido em 2020 após a Epic introduzir um sistema de pagamento direto, volta agora a estar disponível de forma oficial e simplificada. Tim Sweeney, CEO da Epic Games, descreveu a proposta da Google como “fantástica” e afirmou que o Android está finalmente a tornar-se uma “plataforma verdadeiramente aberta”, onde a concorrência entre lojas e pagamentos é incentivada.
Além do regresso do jogo, a HMD e outras parceiras de hardware verão facilitada a instalação da própria Epic Games Store nos dispositivos Android através de um novo programa de “Lojas de Aplicações Registadas”. Este programa permitirá que lojas de terceiros tenham um processo de instalação muito mais fluido, eliminando os avisos de segurança dissuasores que a Google utilizava anteriormente para dificultar o sideloading.

Parceria de 800 milhões de dólares e o papel do Juiz Donato
O encerramento do caso não foi isento de drama. Em janeiro de 2026, o Juiz Distrital James Donato tinha expressado ceticismo em relação a um acordo anterior, chamando-lhe “acordo de favor” (sweetheart deal). Durante as audiências, foi revelado que a Google e a Epic tinham estabelecido uma parceria comercial paralela no valor de 800 milhões de dólares ao longo de seis anos, que incluía o uso do Unreal Engine pela Google e compromissos conjuntos de marketing para o Android e o Fortnite.
Para satisfazer as exigências do tribunal e garantir que o acordo beneficiava todos os programadores e não apenas a Epic, a Google aceitou ressuscitar algumas das medidas corretivas mais abrangentes impostas anteriormente por Donato. Estas incluem a partilha do catálogo da Play Store com rivais e a proibição de oferecer incentivos financeiros para que as aplicações sejam lançadas exclusivamente na sua loja. Com estas concessões, a Google espera evitar uma fragmentação forçada do seu negócio imposta por tribunais ou reguladores europeus.
Conclusão
O acordo entre a Google e a Epic Games encerra um capítulo de cinco anos que redefiniu a economia das aplicações móveis. Com taxas mais baixas e maior liberdade de escolha, o ecossistema Android entra em 2026 com uma postura mais aberta, beneficiando tanto os pequenos criadores como os gigantes do entretenimento. Estás pronto para voltar a descarregar o Fortnite diretamente da Play Store ou já te habituaste a utilizar lojas alternativas e sites oficiais para gerir as tuas aplicações?
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