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Globe reforça parceria com a Nokia para usar APIs de rede contra fraude digital

08/04/2026 por Joao Bonell

Globe reforça parceria com a Nokia para usar APIs de rede contra fraude digital

Como avançou o Gizguide  o problema não é falta de apps. Nem de autenticação. O problema é que a fraude digital está a ficar boa demais e, quando corre mal, costuma correr muito mal: uma transferência que “parecia normal”, um login que passou, um SMS que chegou fora de tempo. E é aqui que a Globe Telecom decidiu mexer no tabuleiro, reforçando a parceria com a Nokia para lançar tecnologia focada em reduzir fraude digital.

O movimento não é pequeno. A Globe diz ter mais de 50 milhões de clientes e, quando uma operadora deste tamanho mexe na forma como expõe capacidades da rede a parceiros e developers, muda-se mais do que um detalhe técnico. Muda-se o que é possível fazer com a rede, e como se protege o que passa por ela.

O que mudou: mais APIs de rede, agora com a Nokia no centro

A Globe vai avançar com a disponibilização de APIs de rede no seu ecossistema de parceiros e programadores. Dito assim parece simples, mas o que está em causa é a passagem de uma rede “fechada” para uma rede mais programável, onde certas funções podem ser chamadas por aplicações e serviços de forma controlada.

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Na prática, a operadora passa a ter acesso ao portefólio completo de APIs disponibilizadas através da Nokia Network Exposure Platform (NEP). É uma plataforma cloud-native, desenhada para expor capacidades da rede e, ao mesmo tempo, tornar mais rápida a entrega de serviços e melhorar a interoperabilidade entre ambientes diferentes. Ou seja, menos fricção quando se tenta ligar sistemas distintos, mais consistência quando se quer escalar.

E sim, há aqui uma palavra que aparece sempre nestas conversas: monetização. A Nokia enquadra isto como uma Network Monetization Platform. Mas, não exatamente, porque neste caso a conversa começa por segurança e fraude. O dinheiro vem depois. Ou vem ao mesmo tempo, dependendo do ângulo.

Porquê agora: fraude digital e ataques a empresas não estão a abrandar

O vice-presidente e responsável da Globe Business, KD Dizon, foi direto ao ponto: reforçar capacidades para proteger clientes empresariais face ao aumento de ciberataques. Não é só isso, claro. A pressão vem de vários lados: bancos a exigirem validações mais fortes, empresas a quererem reduzir risco operacional, reguladores a apertarem, e utilizadores a perderem paciência para processos de verificação que só atrapalham.

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A Globe diz estar numa fase de testes para perceber como a NEP da Nokia pode suportar clientes, sobretudo nos sectores bancário e empresarial, com ferramentas de verificação de segurança para prevenir transações fraudulentas. Repare-se na nuance: não é uma promessa vaga de “IA contra fraude”. É uma tentativa de usar sinais e capacidades da própria rede, expostos por API, para verificar melhor o que está a acontecer.

Se isto for bem executado, a rede deixa de ser apenas “o tubo” por onde passam dados. Passa a ser uma camada ativa na verificação. E isso é um salto.

Só precisamos de alguém que olhe para nós como a Globe olha para a Nokia

Há uma leitura curiosa aqui. A Nokia, durante anos, foi tratada como um nome do passado por quem só vê smartphones. Mas a realidade é outra: é uma peça central nas redes, e está a posicionar-se como fornecedora de plataformas que tornam essas redes programáveis e, acima de tudo, úteis para novos serviços.

É aqui que entra aquela ideia meio desconfortável: só precisamos de alguém que olhe para nós como a Globe olha para a Nokia. Ou melhor, como as grandes plataformas olham para a infraestrutura certa. A Globe não “admira” a Nokia por nostalgia. Valoriza o que a Nokia entrega em termos de rede, standards, integração, camadas de controlo. Valoriza porque dá escala, dá estabilidade e dá APIs. E, no mundo atual, APIs são poder.

Quando uma operadora como a Globe escolhe esta via, está a dizer que quer esse tipo de relação: menos dependência de soluções isoladas, mais construção sobre uma base comum. Parece simples, mas não é. Expor APIs de rede é abrir portas com fechaduras novas. E exige confiança, governança, controlo de acesso, auditoria. Tudo aquilo que, quando falha, vira manchete.

O que isto pode significar para utilizadores e empresas

Para utilizadores finais, o impacto pode ser indireto. Ninguém acorda a pedir “APIs de rede”. Mas as consequências aparecem em coisas mais concretas: menos transações bloqueadas por engano, menos fraudes que passam como “atividade normal”, e processos de verificação que podem ser mais rápidos sem serem mais fracos. A promessa é essa. Depois, a execução… já sabemos.

Para empresas, sobretudo banca e grandes contas, a conversa é mais tangível. Se a rede conseguir fornecer sinais de verificação (ou mecanismos de confirmação) de forma padronizada, via API, pode reduzir dependência de métodos frágeis. SMS, por exemplo, continua a existir, mas já não é visto como fortaleza. E bem.

Também há um lado de ecossistema. A Nokia fala num “ecossistema mais rico” de serviços digitais, aplicações personalizadas e melhor conectividade. É linguagem corporativa, sim. Mas traduz-se em algo real: developers e parceiros a criarem serviços que usam capacidades da rede sem terem de reinventar integrações a cada operador, a cada país, a cada stack. Ou pelo menos a tentar chegar lá.

APIs de rede: a parte boa e a parte que dá trabalho

APIs são uma faca de dois gumes. Dão velocidade. Dão flexibilidade. Dão novas formas de criar serviços. Mas também aumentam a superfície de ataque, se forem mal governadas. E é aqui que a parceria com um fornecedor como a Nokia pesa: a NEP é apresentada como infraestrutura cloud-native e programável, com foco em simplificar entrega e melhorar interoperabilidade. A palavra “simplificar” é sempre perigosa, mas percebe-se a intenção.

O ponto crítico vai ser como a Globe gere o acesso no seu ecossistema de parceiros e developers. Quem pode chamar o quê, quando, com que limites. E como se evita que uma API pensada para verificação acabe usada para coisas… menos limpas. Não é acusação, é só a realidade do mundo.

O que fica no ar

A Globe quer travar fraude digital e proteger clientes empresariais, enquanto expõe mais capacidades da rede via APIs com a Nokia. A Nokia, por seu lado, reforça a sua posição como fornecedor de plataforma e não apenas de equipamento. E, no meio, fica a ideia maior: a rede está a tornar-se produto, não apenas infraestrutura.

Se isto resultar, vai haver um efeito dominó. Outros operadores vão querer o mesmo tipo de “rede programável” com APIs prontas para segurança, verificação, personalização. Se não resultar, volta-se ao velho modelo de remendos por cima da aplicação. E continuamos a correr atrás da fraude, em vez de lhe cortar o caminho. Mas isso, lá está, ainda está a ser testado…

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Sobre o Autor

Joao Bonell

Fundador do Androidgeek.pt. Trabalho em tecnologia há mais de dez anos. Apaixonado por tecnologia, Publicidade, Marketing Digital, posicionamento estratégico, e claro Android.
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