A Google está a mexer numa das partes mais sensíveis do Gemini: a forma como o assistente decide quanto tempo deve “pensar” antes de responder. A mudança parece simples, mas coloca o utilizador perante uma escolha real. Queres uma resposta mais rápida e directa, ou preferes esperar mais um pouco por algo potencialmente mais ponderado, sabendo que isso pode gastar mais créditos de utilização?
A novidade é a expansão do modo de pensamento Extended a todos os utilizadores do Gemini, incluindo quem usa a versão gratuita. Até aqui, este tipo de controlo estava limitado ou disponível de forma mais restrita, mas a funcionalidade passa agora a aparecer de forma mais ampla entre contas gratuitas e pagas. A diferença está no comportamento do modelo: em vez de responder logo, o Gemini pode demorar mais tempo a analisar o pedido, pesar alternativas e construir uma resposta mais trabalhada.
O ponto relevante não é apenas “mais inteligência” no papel. O que muda na prática é a possibilidade de escolher entre dois modos: Standard e Extended. O primeiro mantém a abordagem mais rápida e leve. O segundo dá ao Gemini mais margem para raciocinar antes de devolver uma resposta, o que pode ser útil em tarefas onde uma resposta apressada costuma falhar.
A informação foi avançada pela Androidauthority, que refere que o modo Extended está agora disponível para utilizadores gratuitos e pagos, depois de uma fase inicial em que apenas alguns utilizadores tinham acesso aos novos níveis de “Thinking”. A alteração encaixa numa fase em que a Google tem vindo a ajustar várias peças do Gemini, desde a interface até aos modelos e agentes capazes de executar tarefas em segundo plano.
Neste artigo vão encontrar:
Mais tempo a pensar pode dar melhores respostas
O modo Extended não deve ser visto como um botão mágico. Dito assim parece direto, só que não é bem tão linear. O mais provável é funcionar melhor em perguntas que exigem comparação, planeamento, síntese ou análise de várias condições. Por exemplo, se pedires ao Gemini para te ajudar a organizar uma viagem com orçamento limitado, horários apertados e preferências específicas, faz sentido dar-lhe mais tempo para cruzar esses factores. O mesmo vale para resumir documentos longos, rever uma proposta, estruturar um plano de estudo ou encontrar falhas num raciocínio.

Já para pedidos simples, como converter uma unidade, explicar uma definição curta ou escrever uma mensagem rápida, o modo Standard deve continuar a ser suficiente. E provavelmente mais conveniente. Ninguém precisa de uma resposta excessivamente elaborada para saber se compensa levar guarda-chuva à tarde, ou para pedir uma frase curta para responder a um e-mail.
É aqui que a funcionalidade fica interessante. A Google não está apenas a tornar o Gemini “mais capaz”; está a dar ao utilizador uma espécie de selector de profundidade. Isto aproxima a experiência de algo que muitos já fazem intuitivamente com assistentes de IA: reformular perguntas, pedir para pensar melhor, ou insistir para obter uma resposta menos superficial. Agora, parte desse comportamento passa a estar mais visível na própria ferramenta.
O possível problema está nos créditos
Há, no entanto, um compromisso que não deve ser ignorado. Parece simples. Mas nem sempre é assim. Se o Gemini demora mais tempo a processar uma resposta, é razoável esperar que o modo Extended possa consumir mais recursos. A própria informação disponível aponta para a possibilidade de este modo gastar créditos de utilização mais depressa. Para quem está num plano gratuito ou num limite apertado, isto pode tornar-se relevante.
Ou seja, vale a pena usar o Extended quando a tarefa justifica a profundidade. Não compensa necessariamente tê-lo activo para tudo, caso isso leve a um consumo mais rápido dos limites disponíveis. Esta distinção é importante porque muitos utilizadores olham para funcionalidades de IA como se fossem sempre melhorias sem custo. Aqui, o custo pode não ser dinheiro imediato, mas pode ser limite de utilização.
Num cenário real, imagina que estás a preparar uma candidatura de emprego. Pedir ao Gemini para rever o teu CV, adaptar uma carta de apresentação e comparar a linguagem com a descrição da vaga é um caso em que o Extended pode fazer sentido. Já pedir cinco variações de uma frase curta para uma mensagem no WhatsApp dificilmente justifica o mesmo nível de processamento.

Mais controlo, mas também mais responsabilidade
Esta mudança também mostra uma tendência clara nos assistentes de IA: em vez de esconder tudo numa única caixa de texto, as empresas começam a expor mais controlos ao utilizador. E aqui é que a coisa muda. Não é uma mudança enorme na interface, mas altera a relação com a ferramenta. Tu passas a decidir se queres velocidade ou profundidade, mesmo que essa escolha venha com possíveis problemas de consumo.
Para a Google, faz sentido. O Gemini está a competir num espaço onde a qualidade da resposta conta, mas a previsibilidade também. Um utilizador que recebe uma má resposta num pedido complexo pode abandonar rapidamente a ferramenta. Dar acesso ao modo Extended na versão gratuita reduz essa barreira e permite que mais pessoas testem respostas mais completas sem terem de pagar logo por uma subscrição.
Ao mesmo tempo, isto pode criar uma expectativa nova. Se o modo Extended começa a ser visto como “o Gemini a sério”, o modo Standard pode parecer menos interessante para algumas tarefas. A Google terá de equilibrar bem essa diferença para não transformar o modo rápido numa opção de segunda categoria. A linha é fina: dar mais controlo é positivo, mas fragmentar demasiado a experiência pode confundir quem só quer uma resposta boa sem mexer em definições.
Quem deve experimentar primeiro?
Se usas o Gemini apenas para perguntas rápidas, talvez não sintas grande diferença no dia-a-dia. Na prática, Mas se recorres ao assistente para trabalho, estudo, escrita, programação ligeira, planeamento ou análise de informação, o modo Extended merece ser testado. O truque é não o tratar como modo permanente. Usa-o quando a resposta precisa mesmo de mais contexto e deixa o Standard para tarefas simples.
Também convém observar como os limites se comportam na tua conta. A Google não está a apresentar isto como uma funcionalidade sem consequências, e a ideia de que pode gastar créditos mais depressa deve ser levada a sério. Para utilizadores gratuitos, esse detalhe pode decidir se a novidade é útil todos os dias ou apenas em momentos específicos.

No saldo geral, a abertura do pensamento Extended a todos é uma boa notícia para quem queria experimentar respostas mais cuidadas sem passar por uma subscrição. Não transforma o Gemini de um dia para o outro, mas dá-lhe uma camada de controlo que faltava. Resta perceber se os utilizadores vão usar essa profundidade de forma selectiva ou se, como acontece tantas vezes, vão carregar no modo mais poderoso e só depois reparar no custo.
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