Quem acompanha o mercado de hardware já percebeu que as oscilações de preço são frequentes, mas desta vez a situação promete causar impacto real no bolso dos consumidores. A Samsung decidiu aumentar de forma significativa os preços dos contratos de RAM DDR5, e fala-se em subidas que podem atingir os sessenta por cento. Embora estes valores ainda se refiram apenas aos acordos empresariais, a experiência mostra que tudo o que acontece neste patamar acaba sempre por chegar ao mercado de consumo alguns meses mais tarde.
De acordo com informações divulgadas pela Reuters, o preço de um módulo DDR5 de trinta e dois gigabytes ronda agora os duzentos e trinta e nove euros, um valor quase cinquenta por cento superior ao do mês anterior. O mesmo fenómeno está a verificar-se noutras capacidades como os módulos de dezasseis, sessenta e quatro e cento e vinte e oito gigabytes. Ainda não se vêem estes preços na Amazon ou nas lojas portuguesas, mas tudo indica que é apenas uma questão de tempo até que estas alterações comecem a refletir-se no retalho.
Neste artigo vão encontrar:
A culpa é da corrida à inteligência artificial
O grande motor desta mudança é a explosão da inteligência artificial generativa. As maiores empresas tecnológicas do mundo estão a reforçar os seus centros de dados para suportar modelos cada vez mais exigentes, e esses sistemas dependem fortemente de memória HBM, um tipo de memória de muito alta largura de banda usado em chips destinados a IA. A procura por HBM disparou e, como consequência, a Samsung e outras fabricantes de DRAM estão a deslocar parte da sua produção para este tipo de encomendas, que são mais complexas mas também mais lucrativas.
Este redirecionamento deixa menos espaço para a produção de memória convencional, como a DDR5 que alimenta PCs gaming, portáteis e workstations domésticas. Quando a oferta diminui e a procura se mantém, o resultado é inevitável: os preços sobem. É uma tendência que já vimos noutras gerações de hardware e que parece estar a repetir-se agora com ainda mais intensidade.

O efeito dominó nos construtores de PCs e gamers
Para quem monta PCs regularmente ou gosta de atualizar o hardware ao longo do tempo, esta tendência é mais uma preocupação num mercado que tem sido tudo menos estável. As placas gráficas já passaram por períodos de enorme volatilidade, seja por causa da mineração de criptomoedas, seja pelas limitações de produção ou pela procura associada à IA. Agora, a RAM, que sempre foi um dos upgrades mais simples e tradicionalmente mais acessíveis, está a aproximar-se de uma fase em que poderá tornar-se significativamente mais cara.
A escassez de DRAM não afeta apenas desktops. Uma redução prolongada na disponibilidade pode levar ao aumento de preços de portáteis, ao encarecimento de smartphones e até a atrasos no lançamento de novos equipamentos. A pressão começa no segmento empresarial, mas acaba por contaminar todo o mercado de consumo, influenciando escolhas de compra e empurrando muitos utilizadores para configurações mais modestas do que aquilo que pretendiam inicialmente.
Outros fabricantes deverão seguir o mesmo caminho
Quando um gigante como a Samsung altera a estrutura de preços, o mercado tende a acompanhar. Existem já rumores de que a Micron e a SK Hynix estão a preparar aumentos semelhantes, o que reforça a ideia de que esta tendência não será isolada nem passageira. Os contratos de fornecimento de memória costumam ter prazos longos, o que significa que estes aumentos não serão sentidos de forma abrupta nas lojas, mas irão espalhar-se de forma gradual e consistente ao longo dos próximos meses.
Este fenómeno pode até afetar a DDR4, que teoricamente já deveria estar num patamar estável devido à sua maturidade. No entanto, quando a capacidade de fabrico é pressionada no topo da cadeia, os restantes segmentos também acabam por ajustar preços, aproveitando a margem extra que o mercado permite.

O que isto significa para os consumidores
O cenário não é animador. Quem estava a planear um upgrade a curto prazo pode vir a pagar mais do que esperava, especialmente se procurar kits de trinta e dois gigabytes ou mais. A tendência também poderá empurrar muitos novos PCs para configurações com menor quantidade de RAM, o que é especialmente problemático numa altura em que jogos modernos e sistemas operativos como o Windows 11 beneficiam claramente de capacidades superiores.
Conclusão
O mercado de memória está a entrar num novo ciclo de pressão. A procura crescente por IA, combinada com limitações de produção e foco empresarial na HBM, está a gerar um aumento progressivo nos preços da DDR5 que deverá chegar ao consumidor num futuro próximo. Para construtores de PCs e gamers, isto significa que chegou a altura de estar atento, monitorizar tendências e, se possível, antecipar compras essenciais antes que os valores subam ainda mais.
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