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Análise Asus Zenfone 3

No ano seguinte a estratégia começou a mudar aos poucos com o lançamento do Zenfone 2, um smartphone com algumas especificações de topo a um preço acessível e que inclusivamente foi pioneiro nos 4 GB de RAM.

O primeiro Zenfone da Asus remonta ao ano de 2014. Numa época em que o HTC M8, o Samsung Galaxy S5 e o LG Nexus 5 eram reis, a fabricante apostava essencialmente em equipamentos de baixo custo para competir no segmento médio/baixo do mercado mobile. No ano seguinte a estratégia começou a mudar aos poucos com o lançamento do Zenfone 2, um smartphone com algumas especificações de topo a um preço acessível e que inclusivamente foi pioneiro nos 4 GB de RAM.

Com o Zenfone 3 a fabricante taiwanesa quer definitivamente distanciar-se do segmento low-cost apontando baterias para o segmento premium mas claro, com um aumento de preço. Será que o equipamento vale o que a Asus pede por ele? Essa é uma das muitas questões que queremos esclarecer na nossa análise do Asus Zenfone 3.

É importante referir que existem duas variantes do Zenfone 3: uma com ecrã de 5.5” (ZE552KL) e outra com ecrã de 5.2” (ZE520KL). Com excepção das dimensões os aparelhos partilham as mesmas características. A versão que tivemos o privilégio de testar foi a mais pequena.

Design e Construção

É essencialmente no design e materiais de construção que reside grande parte da inovação do Zenfone 3 em relação aos seus antecessores e que o distingue da concorrência, que hoje em dia fabrica maioritariamente aparelhos feitos de metal.

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Do ponto de vista da construção o Asus Zenfone 3 consiste em dois painéis de vidro Gorilla Glass 2.5D unidos por uma moldura de metal escovado. Com 144 g e apenas 7.7 mm de espessura o Zenfone 3 é muito confortável de manusear. As extremidades são arredondadas o que  faz com que o smartphone seja bastante ergonómico e elegível para o uso com uma mão. O resultado é um smartphone atraente e com aspecto premium. Para terem uma ideia do look do Zenfone 3, a sua combinação de duplo painel de vidro é semelhante à que encontramos no Galaxy S7 da Samsung e mostra o compromisso que a Asus assumiu de criar um telefone com design requintado.

Mas tal como o atual topo de gama da marca sul coreana, o Zenfone 3 tem também um aspecto frágil. A sua traseira é um autêntico íman de impressões digitais e faz do smartphone um equipamento extremamente escorregadio (quase tanto como o OnePlus X). É também na parte de trás que encontramos a câmara proeminente rodeada por um duplo flash LED e por um sensor de autofoco a laser. Por baixo da câmara reside um sensor de impressões digitais com forma retangular, em vez do habitual círculo.

O facto de o módulo fotográfico ser saliente causa algum desequilíbrio ao telefone quando está assente em superfícies planas e aumenta o risco de danos à câmara. A marca afirma que a lente de safira oferece a devida proteção.

A parte frontal é dominada pelo ecrã de 5.2”, que ocupa cerca de 68.6% dessa face. Por baixo do ecrã a Asus colocou três botões capacitivos na ordem padrão do Android (definida pela Google) mas que não são retro iluminados. Esta é uma falha grave para um aparelho da sua faixa de preço e que se diz premium. Os botões de volume e de power ficam do lado direito, o orifício para fones 3.5 mm está em cima enquanto que em baixo encontramos uma coluna e a entrada micro-USB tipo C.

Em geral, a combinação de metal e vidro do Zenfone 3 foi muito bem conseguida e emana estilo, provando que a Asus quer apanhar a concorrência e deixar para trás o plástico. Podemos encontrar o smartphone em quatro cores diferentes: Shimmer Gold, Moonlight White, Aqua Blue e Sapphire Black.

Unboxing

Ecrã

Esta versão do Zenfone 3 que testámos vem com um ecrã IPS de 5.2” e resolução 1080 x 1920  (424 ppi) incrivelmente nítido e brilhante. O painel oferece cores ricas, vibrantes, que fazem com que seja uma delícia assistir a conteúdos multimédia no o Zenfone 3. A legibilidade é muito boa nas mais variadas condições mesmo diretamente sob a luz do sol, fruto dos 600 nits de brilho máximo e da pouca reflexão do vidro.

O feedback ao toque também é muito bom, assim como os ângulos de visão. Quem não ficar satisfeito com a reprodução de cores do equipamento, tem a hipótese de a ajustar através de uma aplicação embutida no software do Zenfone 3. Há quatro modos à escolha para todos os gostos: Balance, Bluelight Filter, Vivid e Customized.

O ecrã é sem dúvida um dos pontos mais fortes deste smartphone, digno de um equipamento de topo. A Asus acertou em cheio neste aspecto.

Hardware e Performance

Características Técnicas
ProcessadorQualcomm Snapdragon 625

Octa-core @ 2.0 GHz

Sistema OperativoAndroid 6.0.1 Marshmallow
EcrãIPS 5.2” 1080p (424 ppi)
Armazenamento32/64 GB; expansível via microSD até 256 GB
Memória RAM3/4 GB
Câmara traseira16 MP, dual flash LED, autofoco TriTtech
Câmara frontal8 MP
Bateria2600 mAh (não removível)
Dimensões146.9 x 74 x 7.7 mm
Peso144 g
RedesGSM / HSPA / LTE
ConectividadeWi-Fi 802.11 b/g/n/ac

Bluetooth 4.2

GPS

Rádio FM

microUSB tipo-C, OTG

Dual SIM, Dual Standby

Do ponto de vista do hardware o Zenfone 3 vem equipado com componentes bem capazes de oferecer uma performance sólida, sem constrangimentos de maior. É importante referir que há duas combinações de hardware que diferem na quantidade de memória RAM e ROM: uma com 3 GB RAM/32 GB ROM e outra com 4 GB RAM/64 GB ROM. A versão testámos foi a de maior capacidade.

Comecemos pelo “comandante do barco”, o processador. Aqui a escolha da Asus recaiu sobre o Snapdragon 625, um chip de gama média-alta com oito núcleos a 2.0 GHz. Esta opção marca o abandono dos SoC Intel Atom que encontramos no Zenfone 2, com a empresa a apostar na líder de mercado Qualcomm para equipar o seu “menino bonito” de 2016.

O facto de no papel se tratar de um processador de gama média poderá ser alvo de crítica dos mais exigentes, mas a verdade é que nem sempre se pode medir a performance de um aparelho pela sua folha de especificações. Em geral o Zenfone 3 comporta-se exemplarmente com o SD 625, que juntamente com os 4 GB consegue lidar com praticamente tudo o que lhe atirarmos a cima.

O multitasking corre de forma muito suave, sem lag na troca de aplicações ou ao navegar pelo interface. A combinação de hardware revelou-se perfeitamente à altura das tarefas do dia a dia, que incluem chats, consumo multimedia, streaming de música e alguns jogos. Mesmo ao correr títulos mais exigentes graficamente como o War Robots ou o Mortal Kombat X, o Zenfone provou estar à altura, sem problemas de sobreaquecimento ou perda de frames.

Aqui ficam os resultados dos testes de benchmark que fizemos com o Zenfone 3, que apontam claramente para resultados de gama intermediária:

O sensor biométrico de impressões digitais apresenta uma boa eficácia e rapidez de resposta, no entanto o seu formato desiludiu um pouco. É que em vez da habitual forma circular, a Asus implementou um sensor rectangular mais estreito que o habitual e por isso mais difícil de “achar” com o dedo. Esteticamente pode ser diferente mas na prática não resulta tão bem como o formato convencional. Além de desbloquear o equipamento, este sensor pode ainda ser utilizado para tirar fotografias (abre a câmara com duplo toque e tira uma foto com um toque) ou atender chamadas.

O Zenfone 3 conta ainda com capacidade dual SIM através de um slot híbrido, que pode ser usado para um segundo SIM ou para expandir a memória via cartão micro-SD, até 256 GB.

Aqui fica um pequeno video de hands on e gaming com o Zenfone 3:

Bateria

No capítulo da energia, o Zenfone 3 apresenta uma bateria de 2650 mAh que pode ser considerada “curta” pelos padrões de hoje em dia, e comparativamente a muitos dos seus concorrentes. No entanto há que ter em consideração que um dos pontos fortes do Snapdragon 625 é precisamente a eficiência e gestão energética, que juntamente com alguma optimização de software faz com que a bateria do Zenfone 3 dure para pelo menos um dia de uso intenso (chamadas, redes sociais, browsing, chats, multimédia e jogos).

O telefone suporta a tecnologia Quick Charge da Qualcomm, que promete 60% de carga em apenas 30 minutos. Em média, uma carga completa demora cerca de 90 minutos.

Câmaras

A par do design, a Asus “vende” a câmara do Zenfone 3 como sendo um dos seus pontos fortes. Além das especificações dos sensores, a marca destaca também a sua tecnologia de processamento de imagem, PixelMaster 3.0 que é suposto elevar a fotografia do equipamento acima da concorrência.

A câmara principal é composta por um sensor Sony IMX298 (o mesmo que encontramos no Huawei Mate 8, Xiaomi Mi5 ou OnePlus 3/3T) de 16 MP com abertura f/2.0, duplo flash LED e lentes Largan 6P protegidas por um vidro de safira. Uma das características que mais impressiona nesta câmara é a rapidez com que foca. Isto é devido à tecnologia de autofoco TriTech que combina autofoco a laser, deteção de fase e contínuo, resultando numa velocidade de foco de 0.03 s.

Em condições com luz natural abundante os resultados são muito bons produzindo imagens com cores vibrantes e bem reproduzidas (por vezes ligeiramente saturadas mas até gostámos desse toque extra). Quer seja na captação de paisagens ou em planos macro o sensor traseiro do Zenfone 3 consegue captar bastante detalhe. Em condições de fraca iluminação os resultados não são maus no entanto é notória a presença de algum ruído e ausência de detalhe.

É importante referir que o Zenfone 3 tem capacidade para gravar vídeo em 4K com a câmara traseira e conta com a ajuda preciosa de Estabilização Óptica de Imagem (EOI) e também Estabilização Electrónica de Imagem (EEI). Esta combinação resulta em excelentes vídeos, como por exemplo o que gravámos nesta análise, usando o Zenfone 3.

A câmara frontal surpreendeu pela positiva com os seus 8 MP, captando imagens muito nítidas. É a ferramenta ideal para selfies nas mais variadas condições.

Em termos de software o interface das câmaras é bastante simples e intuitivo, incluindo vários modos como o de Baixa luminosidade, HDR Pro, Beleza e Super Resolução. Este último dá-nos a possibilidade de tirar fotografias com resolução até 65 MP,que na nossa opinião não será assim tão útil quanto isso. Como já vem sendo habitual nos dias de hoje, existe um modo manual que nos deixa ajustar os vários parâmetros do sensor, ao estilo de uma DSLR.

Aqui ficam algumas fotos tiradas com o Zenfone 3:

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Software e Interface

O Zenfone 3 corre Android 6.0.1 Marshmallow de fábrica com a interface proprietária da marca ZenUi 3.0. E é precisamente esta skin criada pela Asus e usada em todos os seus atuais aparelhos que fazem do software o ponto mais fraco deste equipamento.

Apesar de fluida e com animações suaves, a interface apresenta elementos um pouco infantis fazendo lembrar os tempos do TouchWiz da Samsung. Há ainda uma loja que permite fazer download de temas que podemos aplicar, mas na realidade limitam-se a mudar os ícones e os papéis de parede. Neste aspecto falta oferta de temas mais atrativos.

Outro problema é a quantidade de bloatware da Asus incluída no IU. O telefone vem com uma panóplia de aplicações da própria marca que na sua grande maioria são inúteis. Nenhuma pode ser desinstalada e qualquer uma delas vê a sua missão cumprida por outras aplicações da PlayStore que o utilizador pode sacar, se assim o entender. Resume-se à possibilidade de escolha (de instalar ou desinstalar qualquer aplicação) que deveriamos ter depois de pagar pelo aparelho. Apesar de tudo uma dessas aplicações revelou-se algo útil. Estamos a falar do Asus Mobile Manager que oferece diversos modos de otimizar o aparelho, quer seja em relação à memória RAM, ao armazenamento ou às permissões das outras aplicações. Esta app produz imensas notificações (alertas sobre consumo de bateria ou acerca de novas aplicações instaladas) que a certa altura se tornam irritantes. Felizmente podemos desligar estes lembretes nas definições.

Uma outra função que nos agradou foi o ZenMotion que permite o controlo do Zenfone 3 através de gestos. Podemos ligar o ecrã com um duplo toque na tela, silenciar uma chamada virando o aparelho para baixo ou ainda usar o modo de uma mão que encolhe o interface junto a um dos cantos tornando mais fácil o manuseamento do smartphone com uma mão.

Preço e Veredito

O Asus Zenfone 3 revelou-se uma óptima evolução relativamente ao Zenfone 2 de 2015, especialmente do ponto de vista do design e construção. Estamos perante um smartphone elegante, com aspecto premium mas também frágil.O uso de uma capa de proteção é altamente recomendado.

Oferece uma performance confiável nas tarefas do dia a dia e não vai desiludir quem decidir executar tarefas mais exigentes. As câmaras são francamente boas, especialmente em boas condições de iluminação e a bateria é competente o suficiente para aguentar um dia completo, pelo menos.

O excelente ecrã Full HD de 5.2” é uma mais valia com muito brilho e cores fiéis. No entanto a sua excelência contrasta com fraco interface que a ZenUI 3.0 oferece com elementos desatualizados e pouco atraentes na nossa opinião.

Quanto ao preço, o Zenfone 3 (na variante de 5.2” e 4 GB RAM/64 GB ROM) pode ser adquirido por valores entre os 323€ (R$1070) e os 370€ (R$1225) nas lojas do costume. Embora não seja barato consideramos que o seu preço é competitivo face ao que a concorrência que aparelhos como o Huawei Nova ou o Sony Xperia XA apresentam.

Pros:

  • Design atrativo
  • Ecrã muito brilhante e de boa qualidade
  • Performance competente

Contras:

  • Traseira escorregadia e íman de impressões digitais
  • Botões não são retro-iluminados
  • Interface pouco atrativo
  • Elevada quantidade de bloatware

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