A indústria dos semicondutores pode estar prestes a assistir a uma mudança importante no equilíbrio de forças entre fabricantes. Segundo informações avançadas a partir da Coreia do Sul, a AMD está a considerar seriamente utilizar o processo de fabrico de 2nm da Samsung para futuros chips, numa decisão que poderá ter impacto significativo tanto na estratégia da empresa como no posicionamento da Samsung Foundry.
De acordo com os mesmos relatos, está previsto um encontro entre Lee Jae-yong, presidente do grupo Samsung, e Lisa Su, CEO da AMD, com o objetivo de discutir uma possível parceria. Embora ainda não exista qualquer confirmação oficial, o simples facto desta reunião estar em cima da mesa mostra que a relação entre as duas empresas entrou numa fase mais madura e pragmática.
Neste artigo vão encontrar:
A necessidade de diversificação no fabrico de chips
Nos últimos anos, a AMD tem dependido quase exclusivamente da TSMC para o fabrico dos seus processadores mais avançados. Esta estratégia permitiu à empresa crescer de forma consistente, mas também a deixou vulnerável a constrangimentos de capacidade, aumentos de preços e limitações de acesso aos nós mais avançados.
Lisa Su já deixou claro em várias ocasiões que a AMD pretende diversificar as suas opções de fabrico, reduzindo a dependência de um único parceiro. No entanto, durante muito tempo, a Samsung não foi vista como uma alternativa viável para chips de alto valor, sobretudo devido a problemas persistentes de rendimento e consistência nos seus nós mais avançados.

O que mudou com o processo de 2nm da Samsung
A grande diferença surge agora com o desenvolvimento do nó de 2nm da Samsung, que parece finalmente ter atingido um nível de maturidade aceitável. Os primeiros testes internos terão apresentado resultados positivos tanto em rendimento como em desempenho, algo que historicamente tem sido o calcanhar de Aquiles da divisão de fabrico da empresa sul-coreana.
Ainda assim, a AMD não deverá apostar na primeira versão deste processo. As informações disponíveis indicam que o interesse da empresa está focado na segunda geração do 2nm da Samsung, conhecida como SF2P.
SF2P como verdadeiro ponto de viragem
O SF2P é descrito pela Samsung como a versão de alto desempenho do seu processo de 2nm. Em comparação com a primeira iteração, promete melhor desempenho bruto, consumo energético significativamente mais baixo e uma pegada de chip mais reduzida, fatores críticos para CPUs e GPUs modernas.
Estas melhorias tornam o SF2P particularmente atrativo para produtos de elevado desempenho, como processadores para servidores, aceleradores de IA ou GPUs de próxima geração. Não por acaso, a produção em massa do SF2P está prevista apenas para 2026, com uma versão ainda mais refinada, o SF2P+, planeada para 2027.
Este calendário encaixa bem com os ciclos de desenvolvimento da AMD, que costuma planear as suas arquiteturas com vários anos de antecedência.
Um movimento calculado, não um salto no escuro
Importa sublinhar que a AMD não parece interessada numa migração imediata ou total para a Samsung. Tudo indica que esta será uma abordagem cautelosa e seletiva, possivelmente limitada a determinados produtos ou segmentos específicos.
Para a AMD, isto permitiria testar o processo da Samsung em contexto real, sem colocar em risco linhas de produtos críticas. Para a Samsung, a entrada da AMD como cliente representaria uma validação extremamente importante da sua tecnologia de 2nm.

A Samsung procura clientes de peso
Do lado da Samsung, garantir a AMD como cliente seria um passo estratégico de enorme relevância. A divisão de fabrico da empresa tem lutado para competir diretamente com a TSMC nos nós mais avançados, e conquistar clientes de alto perfil é essencial para recuperar credibilidade no mercado.
Atualmente, a Tesla é apontada como um dos primeiros grandes clientes do 2nm da Samsung. A entrada da AMD reforçaria essa lista e ajudaria a demonstrar que o processo é viável não apenas em chips especializados, mas também em produtos de computação de alto desempenho.
Possível acordo já no horizonte
Segundo as informações disponíveis, caso as negociações decorram de forma positiva, um acordo poderá ser fechado já no próximo mês. Mesmo que isso aconteça, não significa que veremos chips AMD fabricados em 2nm da Samsung no curto prazo, mas sim que a empresa estará a preparar o terreno para os próximos anos.
Conclusão
A possibilidade de a AMD recorrer ao processo de 2nm da Samsung representa um sinal claro de que algo está a mudar no setor dos semicondutores. Para a AMD, trata-se de uma estratégia de mitigação de risco e de reforço da sua independência industrial. Para a Samsung, é uma oportunidade de provar que finalmente conseguiu ultrapassar as limitações que marcaram os seus nós mais avançados no passado.
Se esta parceria se concretizar, poderá redefinir o papel da Samsung Foundry no mercado e introduzir uma nova dinâmica na corrida tecnológica dos 2nm. Um passo que, embora ainda discreto, poderá ter consequências profundas nos próximos anos.
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