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A Sony surpreendeu tudo e todos este ano com a sua decisão de descontinuar a linha Z de smartphones e virar os seus esforços para a criação de uma nova gama de aparelhos, os Xperia X. É nestes smartphones que reside a esperança da marca em dar a volta à delicada situação em que se encontra no mercado mobile. As dificuldades da Sony neste sector nos últimos anos são evidentes, sendo-lhe constantemente apontada a falta inovação ano após ano. A linha Xperia Z5 foi bem recebida em geral pelos consumidores mas não foi o suficiente para afastar os espectros de um passado algo desapontante da Sony.

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Esta nova linha X é constituída por 3 smartphones: o Xperia X, o Xperia XA e o Xperia X Performance com diversas diferenças de hardware entre eles. Foi a versão standard que tivemos o privilégio de testar, o Sony Xperia X. Já por diversas vezes a companhia tentou conceber um smartphone com capacidade para arrebatar o mercado, mas em todas elas sem sucesso. Será que o Xperia X é “esse smartphone”?

Para responder a esta e outras perguntas, usamos o aparelho como telefone do dia-a-dia durante cerca de uma semana e esta é a nossa opinião.

Design e Qualidade de Construção

Com o Xperia X a Sony optou novamente por se manter fiel ao seu já icónico design “Omnibalance” com a presença de linhas retas e formato retangular. Embora os cantos do aparelho sejam um pouco arredondados, a verdade é que o Xperia X se parece com o Xperia Z3, e com o Xperia Z5 e basicamente com qualquer outro aparelho da Sony dos últimos anos.

À primeira vista este é um smartphone com um aspeto compacto e para isso muito contribuem as faces completamente planas envolvidas por um aro em metal. Ao contrário da linha Xperia Z5, a traseira do Xperia X é feita em alumínio escovado em vez de vidro refletivo, que se torna num ponto positivo visto deixar de ser um íman de impressões digitais e poeiras.

 

 

Ainda no painel traseiro está situada a câmara de 23MP com respetivo flash LED no canto superior esquerdo, e o logotipo da linha Xperia. A parte frontal é dominada pelo ecrã de 5” rodeado por margens reduzidas na lateral e bem maiores no topo e no fundo, sem botões físicos ou capacitivos. Por cima do ecrã está a câmara frontal, o sensor de proximidade e um LED de notificações. Ao contrário do que tem sido habitual nos flagships da concorrência, a Sony optou mais uma vez pela colocação das colunas stereo na parte de frente. Esta é sem dúvida uma opção acertada por parte da fabricante nipónica, tornando assim o Xperia X num ótimo aparelho para consumo multimédia.

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Todos os botões estão colocados no lado direito, incluindo o botão “power” com sensor de impressão digital incorporado, um botão dedicado para a câmara e os botões de volume. Estes últimos estão mais abaixo que o habitual e por isso não se tornam nada práticos de utilizar sendo necessária alguma ginástica para os premir. Na lateral esquerda temos um compartimento selado para cartões micro-SD e para o cartão nano SIM, onde não é necessária a utilização de pin ou outro acessório para aceder a esses componentes. Na parte de cima do Xperia X encontramos a entrada para phones de 3,5mm e um microfone de cancelamento de ruído. Em Baixo está colocada a entrada micro-USB.

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Em geral o smartphone tem um aspeto elegante e compacto mas a falta de imaginação no seu design desilude mais uma vez. Os botões de volume não têm a colocação ideal, ainda assim a localização das colunas são um ponto forte.

Hardware e Performance

 

Características Técnicas

Ecrã LCD 5” 1080 x 1920, 441 ppi, Triluminos display
Processador Qualcomm Snapdragon 650 hexa-core (4×1.4 GHz + 2×1.8 GHz)
RAM 3GB
Câmara Traseira 23 MP f/2.0, frontal 13 MP
Armazenamento 32GB/64GB com expansão micro-SD
Dimensões 142.7 x 69.4 x 7.9 mm, 153 g
Bateria 2620 mAh
Conetividade Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, Bluetooth 4.2, NFC, A-GPS / Glonass
Redes LTE, LTE Cat6, GSM GPRS/EDGE (2G), UMTS HSPA+ (3G)

 

De um modo geral este smartphone oferece boa performance graças ao Snapdragon 650, um processador hexa-core de média gama da Qualcomm. Durante o tempo que passámos com o telefone usámos e abusámos do poder de processamento deste “menino” e francamente os resultados podiam ser melhores. Enquanto nos limitámos a usar aplicações do dia a dia como o mail, chats, consultámos sites básicos ou jogámos títulos mais leves, o Xperia X não tem grandes dificuldades em oferecer uma performance sólida. No entanto quando passámos a tarefas mais complexas e pesadas, como sites mais completos ou jogos mais exigentes graficamente, o desempenho fica aquém das expectativas para um suposto flagship da Sony.

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Foi notório algum sobreaquecimento durante a gravação e a visualização de vídeos e enquanto jogámos jogos mais pesados como o Asphalt 8 ou o N.O.V.A. 3. Ao jogar Twenty, um jogo extremamente leve, ocorreu uma situação no mínimo estranha: em todas vezes as cores ficaram distorcidas à base de vermelhos e rosas, quando o pretendido é distinguir blocos pela sua cor (azul, verde, amarelo, vermelho, etc). Talvez se trate de um bug com a GPU ou até algum defeito desta unidade de testes que nos chegou às mãos.

Com os 3GB de memória RAM que a Sony incluiu no Xperia X, conseguimos alternar entre aplicações (multitasking) sem grandes problemas mas mais uma vez revelam-se “curtos” para um flagship hoje em dia. Por exemplo, esta é a mesma quantidade de memoria RAM que encontramos em aparelhos como o Vernee Thor, um smartphone cujo preço ronda os 100€.

O funcionamento do Sony Xperia X é alimentado por uma bateria com capacidade de 2620 mAh. Com uma utilização intensiva (chat, redes sociais, jogos, fotos, WI-Fi, dados rede móvel) dura para um dia de trabalho mas se houver utilização fora do previsto, o mais provável é termos que carregar o telefone antes do final do dia. Durante a nossa utilização do Xperia X, em média um ciclo de carga aguentou com cerca 3h de ecrã ligado. No entanto os mais gastadores não têm motivo de preocupação uma vez que a Sony incluiu a tecnologia QuickCharge 2.0 que permite carregar 60% da bateria em 30 min.

Estranhamente, e ao contrário do que tem sido habitual nos topo de gama da Sony, o Xperia X não vem certificado com a norma IP68, ou seja, não é resistente ao pó nem à água, algo que pode ser considerado por alguns como um passo atrás.

Em teoria, a colocação das colunas na parte frontal deveria ser traduzida numa sonoridade acima da média e é exatamente isso que acontece. Além do mais a fabricante japonesa ainda nos brinda com a inclusão de suporte para áudio de alta resolução. O som é limpo, sem distorção, mesmo com o volume no máximo. A qualidade e potência do som são sem dúvida pontos fortes neste smartphone. Pontos extra para a Sony também pela inclusão de Radio neste aparelho.

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Uma palavra para o sensor biométrico de impressões digitais colocado no botão power e que apresenta uma boa eficácia. Na prática, quando queremos acordar o smartphone basta clicar no botão e a leitura da ID é feita ao mesmo tempo, desbloqueando o ecrã. Apesar de esta solução não ser utilizada por muitos fabricantes é sem dúvida eficiente.

Ecrã

No ano passado a Sony foi pioneira com o lançamento do primeiro smartphone com um ecrã 4K, o Xperia Z5 Premium. Depois de todo o efeito “wow” gerado à volta dessa proeza, percebeu-se que afinal o ecrã do Z5 Premium só corria a 4K em algumas aplicações e que em 99% do tempo a resolução era a não tão nova 1080p.

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Com o Xperia X a Sony decidiu deixar para trás a resolução 4k e apostou num ecrã LCD Triluminos display de 5″ com resolução de 1080p Full HD (441 ppi), onde podemos encontrar a famosa tecnologia X-Reality Engine para realce e tratamento de conteúdos no ecrã.

Acima de tudo é importante referir que é um excelente ecrã e extremamente brilhante, talvez até dos mais brilhantes que nos têm passado pelas mãos nos últimos tempos. A combinação 5″ com resolução 1080p é mais do que suficiente para proporcionar uma óptima experiência multimédia aos utilizadores, sendo virtualmente impossível ver os pixéis do ecrã.

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No dia-a-dia o ecrã tem boa luminosidade nas mais variadas situações, inclusive quando está diretamente sob luz solar. Os ângulos de visão são bons, e apesar de não estarmos perante um ecrã OLED, a reprodução de cores é um pouco saturada. As boa noticia é que a saturação das cores é regulável nas definições de visualização.

Software e Interface

Este telefone corre a versão Android Marshmallow 6.0.1 com a interface Xperia que é simples, leve e sem grandes extras. No fundo está perto da experiência de Android Puro da Google mas com alguns apontamentos extra interessantes, como por exemplo a personalização do IU através de temas. Infelizmente perdeu-se a função de mini-aplicações da linha Z para a linha X e com isso um excelente método de multitasking.

Uma das características de software mais úteis é sem dúvida a otimização da utilização de bateria através de modos de economia energética. Existem dois modos de poupança com níveis de agressividade de gestão de energia diferentes, que modificam as mais variadas características do smartphone como o nível de luminosidade, a ativação de dados móveis e Wi-FI e até o desempenho do processador.

Aproveitando a sua presença em outras áreas de tecnologia a Sony desenvolveu um modo de integração do seu smartphone com os serviços da playstation (PSN). Assim, à semelhança de modelos anteriores, o Xperia X pode ser usado como ecrã para jogos de PS4 (ligado à mesma rede) substituindo o televisor.

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Câmaras

No departamento das câmaras a Sony está no seu espaço de conforto uma vez que a qualidade dos seus sensores é reconhecida por todo o mundo e, inclusivamente é a gigante nipónica que fornece sensores a muitos dos seus rivais.

No Xperia X encontramos uma câmara traseira de 23 MP, muito mais que as da concorrência, que usa a função Steady Shot da Sony em vez de estabilização óptica, Suporta também um modo HDR, deteção de rosto, autofoco por deteção de fase e uma panóplia de outros modos para todos os gostos. Para aqueles que gostam de personalizar as fotos à sua medida, a Sony também inclui um modo de captura manual, que permite regular o equilíbrio de brancos e o ISO. Já a câmara frontal tem 13 MP e permite obter “aquela” selfie no modo de beleza, perfeita para partilhar nas  redes sociais.

Na prática, em ambientes com muita luz, o Xperia X capta fotos “deliciosas” com cores vibrantes e muito detalhe (cortesia dos 23MP), talvez até um pouco perfeitas demais em certas alturas, tal não é o processamento de imagem a que estão sujeitas. O modo automático revelou-se por diversas vezes um empecilho, em vez de uma ajuda, e fomos obrigados a recorrer ao modo manual para captar uma foto a gosto.

Apesar de demorar um pouco a captar uma boa foto em condições de pouca luz, os resultados são também muito bons marcando assim a diferença para os sensores da anterior linha Z5. Curiosamente o fantasma do sobreaquecimento do Snapdragon 810 deu um ar de sua graça durante a gravação de um vídeo em 1080p: surgiu uma nota no ecrã indicando que algumas funções estavam desativadas devido ao aumento de  temperatura.

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Não é possível gravar vídeos em resolução 4k (estamos limitados a 1080p), e embora isso não seja uma característica vital parece estranho que uma marca como a Sony não tenha incluído essa função num aparelho da sua gama de topo, mesmo sabendo que o CPU suporta essa resolução.

Podes espreitar o conjunto de fotos que tirámos com este smartphone, na sua maioria no modo automático:

Se quiseres ver o Sony Xperia X em ação, preparámos um vídeo de Hands-On:

Conclusão

Com tantos smartphones fantásticos que surgiram este ano, é difícil recomendar a compra do Xperia X principalmente porque na nossa opinião custa bem mais do que devia.

Tem um design francamente desinspirado e uma performance de média gama. Por outro lado as câmaras e o ecrã oferecem uma qualidade acima da média, algo que neste momento abunda no mercado dos smartphones. Na realidade não encontramos nenhuma característica que destaque este aparelho dos seus concorrentes principalmente considerando o seu preço.

O Xperia X pode ser adquirido desbloqueado por valores a rondar os 600€, e bloqueado a um operador por cerca de 550€.