A Google, a Yahoo e a Microsoft chegaram ao acordo e concordaram em bloquear anúncios de serviços indianos que ajudam a determinar o sexo de um bebe antes do seu nascimento, cumprindo assim as leis pensadas para combater um dos piores desequilíbrios entre géneros do mundo.

As três empresas prometeram cumprir a proibição da promoção de testes de determinação do sexo e de produtos relacionados, disse o Ministério da Saúde à Corte Suprema da Índia, na passada segunda-feira. O tribunal analisava um caso que procurava a abolição de todo o conteúdo dos mecanismos de pesquisa que promovem esses serviços.

download (13)_52.jpg

Este ano, a mais alta corte da Índia repreendeu os três gigantes da internet por ignorarem as regulações internas e advertiu-os a respeitarem a lei ou a encerrarem as operações no país. Mas o trio havia dito que as amplas proibições às palavras-chave transgressoras também bloqueariam conteúdo não-promocional, como relatórios de pesquisa e artigos noticiosos. O Ministério da Saúde indiano não informou, durante o depoimento na segunda-feira, como é que as empresas pensavam em efetuar esta proibição.

O feticídio e o infanticídio femininos são problemas sérios na Índia, onde há 943 mulheres para cada 1.000 homens, segundo o último censo nacional, de 2011. Realizar, vender e fazer publicidade de serviços de seleção de sexo de fetos virou infração passível de sanção em 1994, proibindo, assim, a determinação do sexo e os abortos. Contudo, milhares de fetos femininos são abortados em sigilo todos os anos em clínicas de comunidades locais com forte preferência por filhos do sexo masculino.

Relacionado:
IFA 2016: Alcatel com camaras 360 e Realidade Virtual vai dar que falar em 2017

Alguns pais preferem filhos porque consideram que eles são provedores mais confiáveis e têm uma capacidade maior de carregar o nome da família.

53445144.jpg

As crianças do sexo masculino são conhecidas por terem nutrição e educação melhores e um relatório de 2015 da Organização das Nações Unidas informou que a Índia tinha uma das proporções entre géneros mais distorcidas do mundo no grupo etário de menos de cinco anos. A ONU acrescentou que 100 meninas morrem até os cinco anos para cada 93 meninos.

O Google afirmou que tomou medidas para evitar as pesquisas e os anúncios e, assim, cumprir as leis locais. Isso inclui a desabilitação das previsões do auto-completar para termos relevantes em sites e a exibição de um alerta para informar os utilizadores que a triagem e o teste de género pré-natal são ilegais na Índia.

O Yahoo informou por email que a empresa não pode fazer comentários porque o assunto está sub judice. A Microsoft não respondeu aos pedidos de comentário.