O uso de inteligência artificial na plataforma do Facebook já começou há algum tempo, mas desta vez chegará de forma decisiva à forma como as pessoas usam a rede social. O CEO Mark Zuckerberg acaba de anunciar o lançamento da Messenger Platform, alimentada pela inteligência artificial, para permitir aos utilizadores comunicarem com empresas e fazerem encomendas dentro da aplicação de mensagens.

“Nunca conheci ninguém que goste de ligar a uma empresa, e ninguém quer instalar uma aplicação para cada novo serviço de que precisa”, afirma Zuckerberg no arranque da conferência anual de programadores F8, em São Francisco. “Todos devem poder enviar uma mensagem a uma empresa tal como enviam mensagens aos amigos”, resumiu o executivo. Todos os meses, os utilizadores enviam um bilião de mensagens às empresas, através do Messenger.
Umas das primeiras parceiras da plataforma é a CNN. No vídeo de demonstração, a cadeia de televisão envia manchetes ao utilizador, que depois pede mais pormenores sobre uma notícia. A ideia é a CNN enviar uma espécie de resumo das melhores notícias do dia via mensagem; Zuckerberg não adiantou pormenores sobre como será o sistema de adesão a estes serviços, mas é provável que seja semelhante ao WhatsApp – que muitas empresas usam para enviar informações regulares sobre determinado tópico. O segundo exemplo foi o da 1-800-FLOWERS, uma florista por telefone que entrega rapidamente e em todo o lado. A empresa envia uma mensagem com vários bouquets (sem ser necessário seguir um link para fora do Messenger) e a pessoa escolhe com duas ou três palavras e paga com o cartão previamente registado na plataforma, que servirá também para outras compras. “Com a 1-800-FLOWERS no Messenger, nunca mais terão de telefonar para comprar flores”, gracejou o CEO. O Facebook está também a testar “Mensagens Patrocinadas” com um pequeno grupo de empresas, mas dará a possibilidade aos utilizadores de bloquear remetentes se não quiserem ser incomodados.

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A Messenger Platform fica disponível já hoje, em versão Beta. Na parcela de descoberta, além das caras dos amigos que estão no Messenger o utilizador também verá os “Bots”, empresas e serviços disponíveis nesta nova vertente de inteligência artificial. “Esta é a próxima plataforma de ligação entre as pessoas e os serviços”, declarou Zuckerberg. Do outro lado da aplicação não estão especialistas em serviço ao cliente, estão chatbots – robôs capazes de compreender linguagem natural e executar ações em virtude dos pedidos. A pessoa não sente que está a falar com um sistema automático e consegue o que quer sem sair do Messenger. Ou seja, passará mais tempo dentro da aplicação do império Facebook, que há pouco tempo atingiu os 900 milhões de utilizadores ativos por mês. Zuckerberg disse que a aplicação processa agora 60 biliões de mensagens por dia, o que é o triplo do volume da era dourada dos SMS (20 biliões/dia). “É uma das plataformas com as quais estou mais excitado”, declarou o CEO, informando que foi a aplicação que mais cresceu no ano passado no mercado americano. Depois de o CEO ter saído do palco, houve mais demonstrações da aplicação. Uma com a Spring, marca de moda, outra com o Poncho, um animal da meteorologista que responde a perguntas sobre as previsões do tempo.

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Esta plataforma não é a mesma coisa que o “M”, o assistente digital que o Facebook apresentou ano passado e que tem estado a testar com diversas empresas, desde a Disney à Zingle. Para os programadores, o Facebook lança hoje um motor de construção de bots mais complexos, o wit.ai.

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