O Huawei P9 Plus é o novo “campeão” da Huawei para 2016. Lançado lado a lado com o modelo P9 standard, é o maior dos dois aparelhos mas tem muito mais para oferecer além de tamanho. Com a ajuda da Leica, a Huawei deposita as suas esperanças na gama P9 para bater os concorrentes Galaxy S7 Edge, LG G5 e iPhone 6s e conquistar o trono do mundo mobile. Será que consegue?

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Durante uma semana usámos e abusámos do Huawei P9 Plus para te trazer a análise detalhada deste aparelho.

Design

Ao contrário do que aconteceu no ano passado com o Huawei P8 Max, o P9 Plus não almeja apenas ser um P9 maior, aliás nem é muito maior. Com dimensões de 152.3 x 75.3 x 6.98 mm o Huawei P9 plus tem apenas mais 7mm de comprimento e 5mm de largura que o modelo standard. A espessura de ambos é praticamente igual (P9 Plus – 6.98mm; P9 – 6.95mm), no entanto como seria de esperar o modelo Plus é um pouco mais pesado com 162g, mais 18g que o Huawei P9.

Mudando o foco de comparação, o P9 Plus é mais fino que dois dos seus concorrentes diretos: o iPhone 6s (7.3mm) e o Samsung Galaxy S7 Edge (7.7mm)

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O primeiro contacto com o Huawei P9 Plus é muito agradável com o telefone a assentar confortavelmente na mão. Quase que nos esquecemos que estamos a perante um dispositivo com ecrã de 5,5” tal não é a sua ergonomia. Neste aparelho reencontramos um design já conhecido da Huawei com um formato em barra de cantos arredondados. A sua construção é extremamente sólida com todos os materiais combinados em sintonia num smartphone muito atrativo e robusto.

 

Ainda do ponto de vista da construção o P9 Plus é constituído por uma peça única de metal com dois acabamentos à escolha: cerâmica branca e alumínio escovado. A unidade que tivemos o privilégio de experimentar foi a de cerâmica que todavia não vai estar disponível em Portugal. Em termos práticos verificámos que a versão de cerâmica branca tem tendência a atrair facilmente impressões digitais e poeiras, algo que não deverá acontecer tão facilmente com a versão de metal escovado.

Olhando para as várias faces do Huawei P9 Plus encontramos o botão de volume e de power do lado esquerdo. É curioso ver a atenção da Huawei aos pormenores com este último botão a apresentar um aro vermelho à sua volta, provavelmente alusivo ao famoso botão vermelho das câmaras Leica. O lado direito do smartphone aloja a gaveta para cartões nano-SIM e cartões de memória micro SD.

A parte de baixo deste aparelho está preenchida com orifício para phones jack 3,5, um microfone, uma coluna e ainda a entrada USB tipo-C. Na parte de cima encontramos outro microfone e um emissor de infravermelhos que permite controlar outros aparelhos remotamente (TV’s, Box’s, etc.)

À frente o Huawei P9 Plus aloja um ecrã de 5,5” rodeado por margens muito reduzidas e com integração 2,5D que lhe confere extremidades ligeiramente curvas. O topo da face frontal aloja a câmara de selfies juntamente com um auricular, um LED de notificações e um sensor de proximidade. Por fim atrás encontramos um sensor de impressão digital que fica sob uma barra de vidro que protege o módulo fotográfico deste smartphone, com as famosas duas câmaras Leica, um flash LED duplo e um sensor laser de autofoco.

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Talvez falte um pouco de inovação em relação ao design deste telefone, com a Huawei a optar por não arriscar nesse sentido. Ainda assim, de um modo geral uma palavra define o Huawei P9 Plus no que diz respeito à construção: Premium.

Ecrã

O ecrã do Huawei P9 Plus ocupa 73% da sua face frontal e acaba por ser um dos grandes diferenciadores para a versão standard, não só pelas 5,5” (vs. 5,2” do P9) mas também pela tecnologia usada. Isto porque a fabricante chinesa optou por dotar o P9 Plus de um painel Full HD Super AMOLED em vez da matriz LCD IPS que encontramos no Huawei P9. Com este tipo de ecrã as cores são representadas no ecrã do P9 Plus com maior saturação e os pretos são mais reais e profundos.

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A opção por parte da Huawei de usar uma resolução “apenas” Full HD (404 ppi) no ecrã deste smartphone pode ser considerada aquém das espectativas, principalmente quando comparada com a resolução de aparelhos concorrentes como o Samsung Galaxy S7 Edge ou o LG G5, ambos com painéis de resolução Quad-HD.

Ainda assim, na nossa opinião a resolução escolhida é adequada ao tamanho do ecrã do Huawei P9 Plus. Embora se possa perder algum detalhe, os ganhos do ponto de vista do desempenho e energético compensam de sobremaneira sem comprometer a experiência do utilizador.

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Mas o ecrã do Huawei P9 Plus ainda tem mais para oferecer, isto porque o seu display é sensível a vários níveis de pressão. Esta tecnologia chamada Press Touch fez a sua primeira aparição no Huawei Mate S e volta a ser aposta da Huawei para o modelo P9 Plus deste ano. Isto significa que temos a possibilidade de aceder a conteúdos diferentes aplicando maior ou menor pressão no ecrã. Por exemplo, podemos fazer zoom em fotos, substituir os botões de navegação e aceder a atalhos aplicando maior pressão em determinados pontos do ecrã. A Huawei incluiu 18 aplicações com suporte nativo para esta função no entanto a compatibilidade com aplicações de terceiros é inexistente, uma vez que depende dos criadores dessas aplicações desenvolverem o suporte e a Huawei é a única marca a apostar nesta tecnologia em Android.

Se há melhores ecrãs no mercado? Sim sem dúvida, mas o ecrã do Huawei P9 Plus não desilude no que diz respeito à reprodução fiel de conteúdos e deixará satisfeita a esmagadora maioria dos utilizadores.

Características Técnicas

Processador HiSilicon Kirin 955
Sistema Operativo Android 6.0 Marshmallow – EmotionUI 4.1
Ecrã Super AMOLED 5,5”

1080 x 1920 (401 ppi)

Corning Gorilla Glass 4

Press Touch

Vidro 2,5D

Armazenamento 64 GB; microSD até 128GB
Memória RAM 4 GB
Câmara traseira Dual 12 MP, f/2.2, 27 mm, lentes Leica, dual flash LED, phase detection autofocus
Câmara frontal 8 MP, f/1.9, autofoco
Bateria 3400 mAh (não removível)
Dimensões 152.3 x 75.3 x 7 mm
Peso 162 g
Redes GSM / HSPA / LTE
Conectividade Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac

Bluetooth 4.2 A2DP, LE

GPS

USB Tipo-C

 

Hardware e Performance

O “cérebro” que comanda todas as operações no Huawei P9 Plus é um chip HiSilicon Kirin 955 octa-core com velocidade máxima de 2.5GHz. Já sabemos que a Huawei gosta de fazer as coisas à sua maneira e à semelhança de outros modelos como o Mate 8 ou o Mate S, voltou a apostar num SoC de fabrico caseiro. Com esta opção, além de reduzir custos a companhia chinesa também pôde trabalhar no sentido de otimizar a relação Software-Hardware, não se limitando aos parâmetros de chips de terceiros.

Este CPU pode não ser tão potente como por exemplo o Qualcomm Snapdragon 820, no entanto revelou-se perfeitamente à altura das tarefas do dia-a-dia com uma utilização intensiva de aplicações de chat, e-mail, redes sociais, fotografia, entre outras. Em momento algum sentimos abrandamento nas operações que estavam a ser executadas.

O Huawei P9 Plus vem com uma memória de 64GB, expansível até 128GB via cartão micro SD. Do ponto de vista da memória RAM o modelo Plus conta com 4GB, mais 1GB que o modelo standard. Este acréscimo é muito bem vindo, uma vez que a interface que a Huawei usa nos seus aparelhos – a Emotion UI – têm tendência a consumir bastante memória. Desta forma, com 4GB de RAM podemos alternar entre aplicações abertas facilmente, uma vez que há espaço suficiente para que se mantenham em memória, sem terem que ser fechadas pelo próprio sistema de gestão de RAM.

O processamento gráfico do Huawei P9 Plus fica a cargo de uma GPU Mali T-880 que durante a nossa utilização deu conta do recado sem vacilar enquanto jogámos títulos como MKX, Dead Trigger 2 e Asphalt 8. Curiosamente este último jogo parece ter o condão de bloquear topos de gama de 2016, uma vez que à semelhança do que tinha acontecido com o Samsung Galaxy S7 Edge, também com o Huawei P9 Plus este jogo “crashou” por duas vezes.

Uma outra diferença considerável entre o Huawei P9 e o Huawei P9 Plus reside na capacidade da bateria. O modelo Plus, sendo um pouco maior, aloja uma bateria de 3400mAh em vez dos 3000mAh do P9 standard. Ambos os modelos dispõem de tecnologia de carregamento rápido e com apenas 10 min de carga ficamos com autonomia para 5h de conversação. Com um uso intensivo no quotidiano, usando as mais variadas aplicações e com pelo menos 1h de jogo, a bateria do Huawei P9 Plus chegou consistentemente ao fim do dia com cerca de 25% a 30%.

Uma das características que tem distinguido a Huawei das restantes fabricantes é sem dúvida a qualidade dos seus sensores biométricos. No Huawei P9 Plus encontramos um leitor de impressões digitais do mais alto nível. Durante o tempo que passamos com o smartphone não teve uma única falha na leitura e tem uma função que o distingue da concorrência: não é necessário acordar o primeiro o telefone antes da leitura da impressão digital. Com o aparelho em standby basta encostar o dedo ao sensor e já está!

Já vimos que o P9 Plus “apenas” tem uma coluna na sua base e isso poderia ser uma desilusão para muitos de nós, mas a Huawei preparou uma pequena surpresa no que diz respeito ao som deste dispositivo – quando em modo de vídeo o Huawei P9 Plus ativa automaticamente o auricular que passa a funcionar como uma coluna extra e, em conjunto com a coluna inferior, (re)produz som em estéreo. Pontos extra para a Huawei por ter feito o esforço de modo a garantir áudio de melhor qualidade sem ser necessário o uso de phones.

 

Câmara

Em 2016 a Huawei preparou algo de especial ao trabalhar em conjunto com a conhecida marca de lentes Leica para equipar os seus topos de gama com aquilo a que apelidou como “a revolução da fotografia em smartphones”. O resultado foi um módulo fotográfico muito particular com duas câmaras na traseira do Huawei P9 e P9 Plus.

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Embora não seja inédito o uso de duas câmaras traseiras (Honor 6 Plus, HTC One M8 e LG G5 também o têm), a combinação de dois sensores de 12 MP ainda não tinha sido usada. Ambos os sensores são Sony, um oferece captura RGB para imagens a cor e o outro, monocromático, regista os detalhes a preto e branco. A informação captada pelas câmaras é combinada por um processador dedicado exclusivamente ao processamento de imagens para nos dar mais pormenores da cena.

A característica que por ventura mais chamará a atenção é a capacidade que o P9 Plus oferece de ajustar o foco da fotografia depois de ela ser tirada uma vez que o duplo sensor regista o cenário a profundidades diferentes.

O autofoco a laser presente neste aparelho faz com que o foco seja extremamente rápido e há várias outras funções das câmaras que incluem duplo flash LED, modo panorama, HDR, time lapse, e claro o tão desejado modo manual para quem gosta de controlar todos os parâmetros da sua fotografia.

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A Huawei decidiu não dotar o P9 plus com capacidade para gravar vídeo em 4K que embora não seja um “deal breaker”, fica atrás de muitos concorrentes.

O P9 Plus inclui ainda uma câmara de selfies de 8MP com autofoco, uma característica peculiar mas muito positiva num sensor frontal.

Este é sem dúvida um dos melhores módulos fotográficos jamais incorporados num smartphone com uma capacidade única de produzir fotos de qualidade superior, embora por vezes tenhamos ficado com a sensação que em certos casos o processamento de imagem tirava um pouco o realismo à foto.

Sejam fotógrafos profissionais ou amadores, certamente ficarão surpreendidos com a qualidade da(s) câmara(s) deste Huawei P9 Plus.

Estas são algumas das imagens que captámos com o Huawei P9 Plus:

Software e Interface

O Huawei P9 Plus vem com o Android Marshmallow de fábrica mas numa versão modificada pela própria Huawei. Esta interface altamente personalizável a que a fabricante chinesa já nos habituou chama-se Emotion UI - EMUI - e está presente na gama P9 na sua verão 4.1.

Todas a principais características do Android 6 estão presentes no software do smartphone, portanto a função Now on Tap está disponível premindo o botão home durante algum tempo e a gestão de notificações e permissões das aplicações é semelhante à versão stock do Android, embora mascarada pela interface EMUI.

Esta interpretação do Android por parte da Huawei oferece algumas funcionalidade bem interessantes e úteis (umas mais que outras), como por exemplo a capacidade de aceder a aplicações desenhando uma letra no ecrã com o nó dos dedos, ou ainda a possibilidade de tirar capturas de ecrã tocando duas vezes com o nó dos dedos no ecrã. Podemos também reduzir o tamanho geral do interface para permitir a utilização com uma só mão e como já vem sido hábito nos dispositivos da Huawei há um modo de utilização de duas aplicações ao mesmo tempo com o ecrã dividido. Para quem gosta de personalizar o interface à sua medida, existem temas pré-instalados que podem ser aplicados de imediato e ainda uma loja para transferir mais desses temas.

A Huawei incorporou no software alguns modos ou planos de energia de modo a tornar o uso da bateria mais eficiente. Um destes modos permite inclusive reduzir a resolução do ecrã para HD e assim poupar bateria.

Todas estas funcionalidades extra do EMUI da Huawei têm o seu peso na memória e no processador do P9 Plus que, apesar de otimizado, por vezes deixou notar algum lag em transições de aplicações ou em animações de menus.

 

Conclusão

O Huawei P9 Plus oferece mais e melhores elementos que a versão P9 standard e até que alguns dos seus concorrentes diretos em vários aspetos. Por isso mesmo consideramos que é de facto o verdadeiro topo de gama da Huawei para 2016. É um dispositivo extremamente completo nas várias áreas, com uma qualidade de construção incrível e a grande novidade que são as suas câmaras produzidas em parceria com a Leica com capacidade para captar imagens absolutamente deslumbrantes. Com este telefone a Huawei cumpre sem dúvida a prometida revolução da fotografia em smartphones colocando a fasquia muito alta para a concorrência. A sua interface EMUI “foge” bastante à essência do Android e apesar das inúmeras funcionalidades, ainda necessita de alguns ajustes de performance.

O Huawei P9 Plus pode ser adquirido livre de operador por 749€, mais 150€ que a versão standard mas também com mais RAM, maior ecrã e maior autonomia.

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Prós:

  • Módulo fotográfico de qualidade superior
  • Excelente qualidade de construção
  • Press Touch
  • Boa autonomia
  • Armazenamento expansível – microSD

Contras

  • Interface EMUI “pesada”
  • Não grava vídeo em 4K
  • Ecrã “apenas” Full HD (face à concorrência)
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