Em Junho de 2016 foram apresentadas por duas grandes empresas Chinesas as respetivas ofertas de smartphones de gama-baixa. A Xiaomi apresentou o Redmi 3S e a MEIZU o M3s Mini, ambas disponibilizaram uma versão “pro” com 32Gb de armazenamento e 3Gb de RAM a um preço de 899¥ ou qualquer coisa como 120€.

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Nas ultimas 3 semanas tive o prazer de utilizar como meu único smartphone a versão “pro” da MEIZU, foi a minha primeira experiência com esta marca, e apesar de ter sido com um smartphone barato, acabou por ser uma muito satisfatória. Tenho agora muito mais vontade de ver o que esta marca consegue oferecer nas gamas altas, nomeadamente com o recém-lançado MX6.

Especificações

Medidas: 69.9 x 141.9 x 8.3 mm

Ecrã: 5” HD 2.5D

Processador: MediaTek MT6750, Octa-core 4×1.5GHz + 4×1.0GHz

Memória: 3Gb RAM + 32Gb ROM (expansível)

Camara: 13 Mpx traseira + 5Mpx frontal, flash traseiro duplo. Gravação a Full HD em ambas as camaras com possibilidade de Slow Motion na traseira.

Conectividade: 4G 1800, 1900, 2300, 2500, 2600

3G 800, 1900, 2100, 900

2G1800, 1900, 850, 900

Sensores: Impressão Digital, Giroscópio e Acelerómetro

SIM: Dual SIM

Bateria: 3020 mAh, entrada Micro USB

Software: Android 5.1 com Flyme OS

 

HARDWARE

Para este smartphone a MEIZU escolheu um corpo em metal, cortado em cima e em baixo por uma barra em plástico. A bateria, tal como é costume, não é acessível.

Com o ecrã a medir apenas 5”, a resolução HD é mais que suficiente para o dia e dia, e mesmo a jogar não senti falta de pixéis. Para aqueles que utilizam o smartphone como principal meio de consumo de multimédia a história já não será obviamente a mesma.

Os ângulos de visualização são bons, e as cores apesar de realistas podiam ter mais brilho (então em comparação com um SUPER AMOLED a diferença de preços é notória). Como é comum em Android podemos escolher se queremos as cores mais quentes ou frias – pessoalmente costumo chegar o slider mais para o lado do quente, mas neste caso o ecrã ganha uma coloração amarela demasiado rapidamente, e por isso deixei-o no meio – O sensor de luminosidade funciona bem mas, infelizmente, quando debaixo do forte sol algarvio senti que lhe faltava  alguma força, tornado a visualização por vezes algo difícil.

Ao contrário do que é habitual em Android este smartphone não faz uso dos 3 botões de navegação (Home, Back e Recent Apps), em vez disso a MEIZU tirou uma página do livro da Apple e apenas temos direito a um botão centralizado multifunções. Quando pressionado, transporta-nos para a nossa página principal (Home), se encostarmos o dedo, passamos para o menu anterior (Back) e tem ainda o leitor de impressões digitais incorporado.

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Do lado direito estão posicionados o botão On/Off e o volume rocker; o lado esquerdo tem o tabuleiro que suporta dois microSIM ou um microSD + um microSIM.

Em cima está colocado o jack de 3.5mm e em baixo duas grelhas (uma esconde a coluna e outra o microfone principal). Atrás vemos a camara, os LED para o flash e o logo da marca.

O leitor de impressões digitais frontal foi uma excelente surpresa, para acordar o smartphone tudo o que é preciso fazer é pressioná-lo que a nossa impressão é imediatamente reconhecida. Funciona de vários ângulos e é muito rápido, tornando-o numa das minhas funções favoritas deste smartphone.

SOFTWARE

Sendo esta uma marca chinesa e sem representação europeia (por isto mesmo não traz a nossa língua materna como opção) não encontrarão, à partida, as nossas conhecidas e essenciais Google Apps, isto no caso adquirirem este smartphone com o software original. Felizmente ao contrário de outras marcas (Xiaomi, LeEco, etc) a MEIZU continua a oferecer uma solução rápida para este problema, pois é possível proceder à sua instalação directamente a partir da loja de aplicações que vem pré-instalada.

Tal como a maioria das marcas, a MEIZU tem também o seu próprio UI, o FlymeOS. Este UI é bastante simples, e segundo se diz, algo parecido ao iOS da Apple. Não tem gaveta de aplicações e para além de poderem escolher o que fazem alguns gestos (Tap, Double Tap, Slide Up, etc) não contem com grandes personalizações. É uma interface limpa e sem brincadeiras, se as desejarem, podem sempre fazer o download de um Launcher diferente.

Em termos de software deparei-me com dois problemas, um resolveu-se ou outro não. O LED de notificações tinha algumas manias e só funcionava de vez em quando (no início não funcionava de todo) e só após ter recebido um email do suporte de MEIZU com instruções é que consegui deixá-lo operacional.

O segundo problema não tem solução e segundo suporte da MEIZU “não é defeito, é feitio”, o que é uma pena uma vez que é bastante incomodo no dia-a-dia. Os links não abrem na respectiva aplicação, quer seja a partir de uma notificação ou email – se clicarmos em um link para o Facebook, Instagram ou OLX, o mesmo vai ser aberto pelo browser. O que não só é contraproducente como é bastante incomodo pelo facto da maioria destes sites já não estar desenhado para ser aberto num browser móvel. No início achei que seria uma questão de hábito, mas com o passar do tempo tornou-se cada vez mais irritante ao notar que usava links mais vezes do que pensava (tive bastantes chatices com o GoogleMaps por causa disto). Mas também me parece que existem muitas pessoas a quem este problema não fará diferença.

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CAMERA

A performance da camera é a esperada para este segmento de preço. Durante o dia permite algumas fotos engraçadas, mas sempre que seja preciso flash podem contar com uma qualidade algo desapontante. O facto do LED flash ser fraco também não ajuda.

Para compensar este facto a MEIZU disponibilizou um software completo, incluindo a capacidade de filmar em Camera Lenta, gravar GIFs ou adicionar filtros pós-foto que melhoram muitas delas. Existem também vários parâmetros ajustáveis dentro do modo Beauty e do modo Manual. Este último pode ajudar a que as fotografias sejam um bocadinho melhores.

Apesar do ecrã ser apenas HD, têm a possibilidade de gravar vídeos em FullHD com a camera principal. Infelizmente o microfone não lida da melhor forma com excesso de barulho quando está a filmar, e os vídeos de locais barulhentos acabam por ficar com um som metálico de fundo.  Caso queiram ver mais exemplos de fotografias ou da qualidade de gravação vídeo, sigam este link.

 

DESEMPENHO

O desempenho deste smartphone não vai deixar nenhum utilizador médio descontente. É preciso ter em conta que estamos a utilizar um smartphone de “gama-baixa”, mas mesmo assim vão poder utilizá-lo no vosso dia-a-dia sem soluços. Um software limpo e bem optimizado, aliado a 3GB de RAM, garante um multitasking fluído e uma gestão impressionante das aplicações abertas –  dei por mim com dezenas de aplicações abertas sem notar solavancos extra. O único caso em que fiquei à espera do smartphone foi com o Chrome, em que com algumas abas abertas a fluidez pode cair significativamente.

No que toca a gaming fiquei positivamente surpreendido, não tive problemas em jogar Real Racing 3, Asphalt 8 ou Hearthstone. Mesmo sem a fluidez ou gráficos de outros smartphones os jogadores casuais não têm nada com que se preocupar.

Para aqueles que ligam a testes de benchmark obtive 38933 no Antutu e 692 Single Core / 2643 Multi-Core no Geekbench.

Se quiserem ver melhor como se porta em smartphone em situações de gaming, sigam para o 6º capítulo da análise em vídeo no canal do nosso parceiro TasaReviews.

 

BATERIA

Tal como o resto da experiência com este aparelho a bateria portou-se sempre de forma consistente, o utilizador médio não vai ter problemas em chegar ao fim do dia ainda com alguma bateria de sobra.

Com o Wi-Fi ou os dados 4G ligados durante o dia todo, pronto a utilizar redes sociais, email, browser, responder a sms’s , realizando um raro telefonema e com vários minutos com jogos leves, o tempo de ecrã foi ligeiramente superior a 4 horas. A partir do momento em que comecei a investir algum tempo no Pokémon Go o tempo de ecrã desceu para as 2,5h – 3h. Não é brilhante, mas bastante bom para uma bateria com cerca de 3000mAh.

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Conectividade

Depois de uma má experiência com o ULEFONE FUTURE, umas das primeiras coisas que experimentei foi o GPS, e fiquei estupefacto com a qualidade do mesmo, foi sem dúvida uma das conduções mais suaves que já tive.

A recepção Wi-Fi é igualmente muito boa e nunca obtive piores resultados que os restantes smartphones à minha volta.

No que toca à receção de rede a situação já não é tão óbvia. Enquanto que em Lisboa nunca tive problemas a apanhar rede ou a aceder à internet pelos dados móveis, no Algarve, ou mais especificamente em Sagres, já não foi bem assim. Se no centro da cidade não senti dificuldades de maior, quanto mais nos afastávamos, por exemplo para a zona do farol de Sagres, o caso ficou cada vez mais negro. E embora nunca tenha ficado completamente sem rede, fiquei muitas vezes sem internet – o que foi ainda mais irritante pelo facto do farol de Sagres ser um bom local para jogar Pokémon.

 

CONCLUSÃO

E chegamos ao fim da análise do MEIZU M3s, a aposta mais recente desta marca chinesa para a gama de entrada, mas que no geral se apresenta muito consistente em todos os campos.

O ecrã HD em vez de FullHD, a falta de emissor de IV e a ausência de USB tipo C são os três principais indicadores do baixo preço deste terminal, mas a verdade é que a marca investiu numa boa construção, numa camera capaz e colocaram uma bateria que não nos deixa ficar mal, não esquecendo uma performance fluida. Um software simplista, mas eficaz dá o toque final num smartphone que não inventa, não tem nenhuma característica excecional, mas que é perfeitamente capaz de cumprir com o esperado em todos os departamentos.

Tem apenas um defeito digno de ser apontado, fora das cidades podem ter algum problema em ter uma ligação de dados estável.

Assim sendo, o MEIZU M3s parece-me uma aposta segura e que apesar de não ter uma bateria gigante como o Xiaomi Redmi 3S, tem outros pontos a seu favor, como por exemplo o Flyme OS leve e sempre fluído e o seu sistema de botão único/leitor de impressões digitais, simples e intuitivo.

Esta análise foi-nos trazida em colaboração com o Canal TasaReviews